MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

Como meu talento para a poesia e o lirismo é escasso, presto minha homenagem ao dia da mulher com esta crônica publicada em 2007 pelo jornalista Xico Sá.

* * *

CRÔNICA PARA TODOS OS DIAS DA MULHER

Uma das maiores virtudes de uma fêmea é arte de pedir.

Como elas pedem gostoso.

Como elas são boas nisso.

Resistir, quem há de?

Um simples “posso pegar essa cadeira, moço?” vira um épico. É o jeito de pedir, o ritmo da interrogação, a certeza de um “sim” estampado na covinha do sorriso.

Pede que eu dou.

Pede todas as jóias da Tiffany´s, minha bonequinha de luxo!

Estou pedindo: pede!

Eu imploro, eu lhe peço todos os seus pedidos mais difíceis.

Pede a bolsa mais recente da Louis Vuiton, pede o shopping inteiro, pede o Iguatemi, pede a Daslu, melhor ainda, pede a Daspu e veste só para o teu homem.

Pede que compro nem que seja no camelô, na 25 de Março, nas galerias dos coreanos, compro da Orenilda, minha prima sacoleira de São Miguel Paulista.

O que importa é o requinte e o atendimento da demanda.

Não me pede nada simples, faz favor, please.

Já que vai pedir, que peça alto. Você merece, uma mulher como essa não tem preço.

Amor sincero?

Fácil, fácil.

Fidelidade?

Acabo de criar o seu exclusivo cartão de milhagem.

Como é lindo uma mulher pedindo o impossível, o que não está ao alcance, o que não está dentro das nossas posses.

Podemos não ter adonde cair morto, mas damos um jeito, um truque, 12 vezes sem juros, no pré-datado, no cheque sem fundos.

Até aqueles pedidos silenciosos, quando amarra a fitinha do Senhor do Bonfim no braço, são lindamente barulhentos.

Homem que é homem vira o gênio da lâmpada diante de uma mulher que pede o impossível.

Ah, quero o batom vermelho dos teus pedidos mais obscenos.

Quero o gloss renovado de todas as vezes que me pede para fazer um pedido, assim, quase sussurrando no ouvido: “Amor, posso te pedir uma coisa? Posso mesmo?”

Um jantar no D.O.M. ou no Fasano?

É pouco para o meu bico.

Flores de helicóptero?

Como na filosofia do pára-choque, o que você pede chorando que não faço sorrindo?!

Que eu faça o trânsito de São Paulo andar?

A sua rua, só a sua, está livre,com pedrinhas de brilhantes para o meu amor pisar.

Pede, benzinho, pede tudo.

Que eu largue a boemia, pare de beber e me regenere???

Pede, minha nega, que o amor tudo pode.

Mesmo as que têm mais poder de posse que todos nós não escapa de um belo pedido.

Com estas, as mais poderosas, tem ainda mais graça. Elas pedem só por esporte ou fetiche, o que não lhes comprometem a pose e muito menos a independência.

Não é questão de poder ou dinheiro.

O que importa é o pedido em si, o romantismo que há guardado no ato.

Os melhores cremes da Lancôme? Vamos a Paris comprar juntos.

Eu lhe peço: me pede.

Não pede mimos baratos, pede atenção, por exemplo, essa mercadoria tão cara ao mundo das moças. Pede que corrija os erros do meu português ruim, que eu deixe de alternar a segunda e terceira pessoa, que falta de classe, na boa, pede, nem que eu chame o Pasquale para ficar de “vela” corretiva entre eu e você, digo, entre tu e eu, melhor, entre nós dois…

Pede, amorzinho, pede gostoso, hoje sou o senhor de todas as tuas demandas, aproveita a febre, a efeméride, de diamante para baixo o céu é o limite.

2 pensou em “TEXTOS ALHEIOS

  1. Estou desde janeiro tentando fazer uma crônica para HOME NAGEAR o bicho mulher e neste dia 8 você ataca MORTALMENTE meus rabiscos com Xico Sá, tão sabido como nosso Xico Bizerra.

    Isso foi para sacanear e maltratar a sofrida verve sanchiana, de incompetência versejante cantada até em prosa. O que fazer com meus papéis? Repousam agora na lata de lixo, de onde seguirão o destino que merece: o lixão mais próximo.

    Igualmente pouco dotado de poesia e o lirismo, deixo um beijo carinhoso para algumas, muito especiais em minha vida:
    1) A mãe catalã Catharina;
    2) A esposa Rose;
    3) As filhas Ana Carolina, Ana Paula e Dani;
    4) A irmã Leninha e sua filha Thayná;
    5) A Tia Su (Sueli Roberto);
    6) As quadrigêmeas amantes tailandesas;
    7) As fubânicas Aline, Dalinha, Violante, Constância, Nacinha, Anita e Elza; e
    8) A amiga de muitos churrascos e cervejas Lígia Pontes, a Lígia do Casquita, que anda tomando cachaça da boa em algum lugar com os que foram morar na eternidade. Certamente o CÉU não foi o mesmo depois de sua chegada.

    • Que é isso, Sancho? Resgate já seus escritos do lixo. Quero vê-los em letra de forma na próxima sexta. Eu e toda a comunidade fubânica, garanto.

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