PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Esse teu lenço, que possuo e aperto
de encontro ao peito, quando durmo, creio
que hei-de, um dia, mandar-to, pois roubei-o
e foi meu crime, em breve, descoberto.

Luto, contudo, a procurar quem certo
possa nisto servir-me de correio;
tu nem calculas qual o meu receio
se, em caminho, te fosse o lenço aberto…

Porém, ó minha vivida quimera,
fita as bandas que habito; fita e espera,
que, enfim, verás, em trêmulos adejos,

em cada ponta um beija-flor pegando,
ir o teu lenço pelo espaço voando,
pando, enfunado, côncavo de beijos!

Sebastião Cícero dos Guimarães Passos, Maceió-AL (1867-1909)

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