ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

Mojica que morreu em fevereiro de 2020 aos 83 anos de idade e nasceu numa sexta-feira 13, dirigiu 40 produções e atuou em mais de 50 filmes. Seu interesse pelo cinema de terror escatológico começou nos anos 1950, mas foi em 1964, com o filme “À meia-noite levarei sua alma”, que ganhou o apelido de Zé do Caixão. Seu personagem mais famoso, o agente funerário sádico com roupas pretas, cartola, capa e unhas longas, ainda aparece em “Esta noite encarnarei no teu cadáver” (1967), “O estranho mundo de Zé do Caixão” (1968) e “Encarnação do demônio” (2008). O personagem Zé do Caixão, conforme Mojica contou em várias entrevistas, surgiu para ele durante um pesadelo, em que um homem de capa preta o arrastava para um túmulo.

O grande mestre do cinema de terror brasileiro José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão, é uma figura mitológica da cultura brasileira. Aclamado como um ícone do cinema de horror. José Mojica Marins celebrizou no cinema brasileiro principalmente pelos seus filmes de terror, normalmente feitos com pouquíssimo orçamento e muita criatividade. Em seus filmes de horror, Mojica desenvolve um estilo particular: mescla referências da tradição do cinema de horror internacional, em especial o estadunidense, com elementos do folclore, da realidade e de religiões brasileiras.

A partir dos anos 1990, nos Estados Unidos, Mojica torna-se diretor prestigiado em circuitos cinéfilos com a chancela de cult e fica conhecido como Coffin Joe (Zé do Caixão em inglês). Há também uma revisão crítica da obra do cineasta, que lhe permite voltar à cena para além das esporádicas participações midiáticas. ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO é seu filme mais caro e com maior valor de produção. O longa adapta a história de Zé do Caixão a tendências estéticas do horror contemporâneo, mas preserva o estilo do diretor. Apesar da recepção crítica positiva, o filme fracassa nas bilheterias, praticamente encerrando a carreira do diretor.

FILMES QUE ZÉ DO CAIXÃO TRABALHOU COMO ATOR: 1948: A Voz do Coveiro; – 1963: À Meia-Noite Levarei Sua Alma; – 1966: Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver; – 1970: Ritual de Sádicos; – 1971: Quando os Deuses Adormecem; – 1977: Inferno Carnal; – 1977: Estranha Hospedaria dos Prazeres; – 1977: Delírios de um Anormal; – 1977: O Vampiro da Cinemateca; – 1981: O Segredo da Múmia; – 1981: A Encarnação do Demônio. FILMES QUE JOSÉ MOJICA TRABALHOU COMO DIRETOR: 1968: Trilogia do Terror; – 1967: O Estranho Mundo de Zé do Caixão; – 1965; O Diabo de Vila Velha; – 1976: Como Consolar Viúvas; – 1976: Mulheres do Sexo Violento: – 1974; Exorcismo Negro; – 1972: Dgajão Mata para Vingar; – 1986: Dr. Frank na Clínica das Taras.

Apesar da imensa popularidade do personagem Zé do Caixão no imaginário brasileiro, seus filmes ainda custam a ter o devido reconhecimento. Em 2014, José Mojica sofreu um infarto e passou por uma angioplastia e colocou três stents (bubos de metal para melhorar o fluxo sanguíneo da artéria) no coração. Ele voltou a ser internado no mesmo ano em razão de uma piora nas funções renais. Desde então, ele se manteve mais afastado da mídia. Zé do Caixão foi Diretor, ator e roteirista durante mais de 50 anos dos altos e baixos de toda sua conturbada vida terrena. Quem sabe, no além, ele tenha melhor sorte.

6 pensou em “TERROR ESCATOLÓGICO DE JOSÉ MOJICA, O FAMOSO ZÉ DO CAIXÃO

  1. Caríssimo colunista Altamir Pinheiro,

    O mestre, discípulo de John Ford e Sergio Leone, com seu TERROR ESCATOLÓGICO DE JOSÉ MOJICA, O FAMOSO ZÉ DO CAIXÃO, fez jus a um cineasta, ator e roteirista, que impôs ao universo da sétima arte o seu reconhecido talento numa modalidade de filme – o TERROR TRESH.

    Considerado louco, excêntrico logo no início da carreira, José Mojica Marins, o Zé do Caixão, bem como o famoso MAZAROPPI e suas comédias caipiras, provou que estava certo com seus filmes tresh.

    Valeu o texto, prezado colunista. Feliz 2021 para o nobre amigo, família, e Antonio Miguel, o Cowboy que já nasceu vencedor.

    • Sigo o relator: Mazzaropi em crônica de Pinheiro é ótima pedida.

      “Homem é como vassoura: sem o pau não serve pra nada.” “Limpe os olhos, dê risada, não precisa mais chorar.” “Mesmo sem nada ainda sou feliz.” Amácio Mazzaropi

  2. Pinheiro
    Há um bocado de tempo, vi numa entrevista de Glauber Rocha ou ouvi dizer que “Zé do Caixão” é fruto de uma de suas “tiradas” em algum balcão de bar, lá pelos anos 60 do século passado:
    “O Brasil bem que podia fazer filmes de terror, como Drácula. O protagonista poderia se chamar “Zé do Caixão”. Não se sabe como José Mogica, doido por cinema, ouviu aquilo e encarou (ou encarnou?) o desafio de Glauber.

    Você já ouviu falar disso?
    Abs

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