MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

Em outubro de 2018 Jair Bolsonaro venceu as eleições presidenciais com 57 milhões de votos e desde então vencidos e vencedores continuam no afã de uma, aparente, disputa eleitoral. No meu entende, o que mais se sobressai é a falta de compromisso com o Brasil. A gente se convence disso diante da postura dos deputados do PT que se colocam contra qualquer coisa que venha de Bolsonaro. Se amanhã ele declarar que descobriram a cura do câncer, o PT vai dizer que se trata de uma exploração dos incautos, dos pobres e que isso só irá beneficiar a classe rica e poderosa. Nesse sentido, é extremamente cansativo ver as publicações de Haddad nas redes sociais. Não é hora para isso. O PT tem uma bancada no congresso e se tiver propostas – vejam bem: eu disse propostas – apresente, se não tiver, arrume.

Não precisa ir muito longe, pois basta lembrar o discurso de Paulinho da Força no 1º de maio. Sem esquecer que o STF abriu um inquérito para apurar a participação desse nobre deputado em desvios de recursos do BNDES; sem esquecer que o TRF-3 o condenou à perda dos direitos políticos e vai por aí. Esse honesto cidadão – porque tudo que a Polícia Federal e o Ministério Público disseram contra ele é mentira – está articulando, com o chamado Centrão, uma forma de “desidratar” a reforma da previdência, simplesmente para não capacitar Bolsonaro para uma tentativa de reeleição em 2022. Nas suas palavras: “Precisamos de uma reforma da Previdência que não garanta a reeleição do Bolsonaro”. Estamos no início do governo e o canalha pensando na eleição de 2022. Isso é que é otimismo, porque não leva em conta a probabilidade de estar preso!!!!!

Que fique claro, também, que o presidente eleito perde oportunidade de acertar ou de tratar a presidência com seriedade. Não tem cabimento ficar no twietter rebatendo declarações de adversários. O que o governo precisa é apresentar projetos. Note-se que, somente Paulo Guedes e Sérgio Moro, foram capazes de encaminhar para o congresso propostas decentes para o país. Fala-se que os ministros da área militar se destacam também nas suas expertises, mas os efeitos são ofuscados por essa mania boba de Bolsonaro em responder qualquer crítica. O que precisa ser divulgado, numa linguagem simples, são as ações que tendem a melhorar a vida das pessoas. O que for de ruim, não pode ser escondido, mas o presidente deve deixar claro o que está sendo feito para contornar.

Um exemplo que aparentemente se perdeu nas discussões menores. O governo lançou um sistema, chamado Plataforma + Brasil, totalmente informatizado que vai centralizar os tipos de transferências que são feitas, em todos os níveis. Hoje, o governo conta com um sistema, chamado Siconv, pelo qual transitam transferências de diversas naturezas, mas que registra menos de 3% do total de transferências do governo, ou seja, algo em torno de R$ 10 bilhões. O que ocorre com os outros 97%? Fica claro que esse montante é objeto de desvios, de fortalecimento de contas privadas com recursos próprios, porque não há rastreamento.

De acordo com o cronograma divulgado, o Siconv atenderá 500 mil usuários, isto é, vai crescer 270%. Os Termos de descentralização de crédito serão feitos por essa plataforma. Todas as informações estarão disponíveis para qualquer cidadão. Isso significa que a evaporação do dinheiro público tende a diminuir porque o acompanhamento da execução será melhor e ao alcance de qualquer um. Tal feito era para ser divulgado com mais ênfase. Que Bolsonaro fosse ao twietter explicar este alcance e deixasse que a população julgasse a dimensão, a funcionalidade, os efeitos. Mas, perde tempo com picuinha, com bobagem digna de quem, de fato, não sabe a extensão do cargo que ocupa.

No meu entender, esse clima de terceiro turno precisa acabar e as pessoas buscarem soluções para os problemas do país. Quem foi eleito, deve satisfações do voto recebido e seria muito bom que demonstrasse afinidade com os interesses da população. Pensar em eleição presidencial, agora, é olhar para o próprio umbigo e desprezar as necessidades da população, principalmente dessa gama de desempregados construída nos últimos governos. É acreditar que é uma pessoa insubstituível em qualquer processo e cabe lembrar que “o cemitério está cheio de insubstituíveis”. Simples assim.

A eleição acabou. Temos um presidente eleito pela maioria e temos a necessidade de fazer o Brasil voltar a crescer. O convencimento da população pode ser feito através de propostas. Então, coloque-as à mesa e vamos discutir. Propostas, discutir propostas.!!!!

Deixe uma resposta