FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

QUERO

Quero contigo casar
Ter uma prole numerosa
Quero ter filhos e netos
Quero criar cães e gatos
Pode não ser prazeroso
Mas deve ser um barato

OLHOS PRA QUE OS QUERO

Pra que olhos?
Se pra te enxergar
Tenho as mãos
Para te sentir
Tenho o tato
Para te seguir
Tenho o coração…
Só tomo cuidado
Coração acelerado
Aumenta a pressão

TATUAGEM

Tatue um verso
Na minha pele
Sele, chancele,
À noite, ao dia
No fim, será fim
Nada mais, enfim
Será só nós, a sós
Só tu, eu e a poesia.

A COR DA FOME

“A fome é negra”
Não creio que seja
Quem assim graceja
E a cor nunca viu
É pura maldade
Com sua leviandade
Alguém se feriu
Pois há controvérsia
E pode ser conversa
De primeiro de abril.

PECAMOS NÓS

Mudo o tratamento
Te chamo senhora
Somente agora
Quando estamos a sós
Desato os nós
Da língua pátria
Altero a gramática
Desrespeito as regras
No esfrega, esfrega
Te chamo de tu
Não estou nem aí
É cada qual por si
No quarto, na cama,
No jardim, na grama…
Depois do rala e rola
Ouço o que tu me diz:
Veja só o que tu fez.
O que tá feito, tá feito
Não tem outro jeito
Eu quero outra vez.

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