A PALAVRA DO EDITOR

MINHA ULTIMA CARTA

Minha última carta
Perdeu-se, não chegou
Se chegou, ela não leu
Se leu, nem percebeu
Que ela era tão singela
Que minha última carta
Não era minha era dela
Pois assim estava escrito:
Última carta, pra uma estrela.

SEM GRAÇA I
A graça de envelhecer
É poder contar estórias
Fantasiosas, acontecidas
De uma infância vivida
Se algum erro cometer
E ninguém poder dizer
O que tu fala é mentira

MINHA LÍNGUA

Você já não me atrai
Falta visgo na saliva
O sujeito está oculto
Creio, sem motivo algum
Ou por não concordar
Do verbo vir primeiro
E naquele desespero
A frase morreu a míngua
Sem concordância alguma
Maldita essa minha língua

PRIMAVERA
Certa vez um ancião
Disse para uma flor
Ainda temos primavera
Inteira de vida e de cor
Pare então, de reclamar
Da efemeridade da vida
Viva alegre e contente
Torne-se fruto e semente
E prepare-se para partida

AMOR A TERRA

Uma casa antiga
Um batente alto
Piso de chão batido
Rua sem asfalto
Um poema escrito
Com letras de fogo
Onde o amor à terra
Não estava em jogo
Havia paz, harmonia
Vivi cheio de alegria
E escrevi meu poema
Prenhe de verso e poesia

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