FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

POESIA DO CUME

Pimenta no cume arde
Quem tem cume tem medo
Não passe no cume o dedo
Cume ardendo faz parte
Trate seu cume com arte
No cume um fio de cabelo
Pode estragar o tapume
No cume não ponha roupa
E não passe a mão na boca
Depois de passar no cume

FIM DE MUNDO

Nossa floresta queimando
Pouca semente a plantar
O mundo desmoronando
E pouca esperança há
O diabo está comandando
Tem pouca gente orando
Muita gente pra pecar
Nossa fauna se acabando
“Muitos socós se coçando
Pra um socó só coçar”

A VIDA

A vida é essa estrada reta
As curvas fui eu que fiz
Com os dias que não vivi
Quando segui errada a seta
Não cumpri minha meta
Deus, tantos erros repeti
Quando só pensei em mim
Alguns aclives não subi
Tarde demais, descobri
Que já estou quase no fim

CORAÇÃO AVARIADO

Trago cerzido
Dentro do pito
Coração com defeito
É só o que tenho
Livre, pra te dar
Procure arrumar
Quem sabe ainda
Coração tenha jeito

Se por ventura
Meu coração
Avariado, ferido
Imperfeito, cerzido
Não tiver conserto
Não amar direito
Evite desperdiço
Atire no lixo
Quem sabe
Uma catadora
Leve pra casa
E o reaproveite

DO CHORO

O pranto sincero
Não se seca
Com lenço
Pra não parecer
Encenação
Seca-se sim
Com o dorso
Da mão
Para em contato
Com a pele
Encontrar
O caminho do peito
Habitat do coração
É isso que penso.

Deixe uma resposta