SONIA REGINA – SANTOS-SP

CADERNETA DO FIADO

No século passado, antes da era dos Supermercados muitos cidadãos brasileiros utilizavam as famosas “Cadernetas”, não as de “Poupança”, eram do “Fiado”. Funcionava assim: o estabelecimento fornecia uma caderneta que ficava com você onde o comerciante anotava suas compras. Ao final do mês a caderneta era entregue ao comerciante para apurar o valor total, quando o débito era quitado, as vezes no mesmo dia já estreava a nova. Não eram cobrados juros, nem que o freguês estivesse passando por maus momentos. O pequeno comerciante não pertence a classe alta, convive com seus vizinhos, não raro o filho do devedor ser amigo de seu próprio filho. Todos se conheciam no bairro e a maioria sabia que deviam cuidar uns dos outros.

Tivemos também as não menos famosas “Notas Promissórias” logo apelidadas de “Papagaio”. Essa modalidade era utilizada por grandes lojas e somente eram aceitos compradores que não tinham qualquer dívida em atraso na praça, ou seja, a frase “Nada Consta” na ficha cadastral era o ponto de partida. Em seguida, entra nas negociações os carnês que também necessitavam de um bom cadastro para serem aprovados.

A Empresa Brasileira de Comércio e Exportação ltda. proprietária das lojas Erontex, na década de 50/60 divulgava na TV a comercialização de seus tecidos para pagamento na modalidade de carnês acompanhados de cupons para sorteio de vários prêmios.

Vale destacar que a Erontex também inovou vendendo cortes de casimira tropical com preços bem baratos para a época pois, a metragem era adequada para uma calça comprida ou uma saia. Nos dias atuais a quantidade de pano talvez rendesse duas saias. Considero a saia a peça mais eclética do vestuário feminino, a saber: saia godê, envelope, evasê, pregueada comum, prega macho e a preferida “Justa”. A saia justa, com seu comprimento da época, era a mais utilizada afinal, delineava as curvas do corpo com uma abertura que podia ser lateral, dianteira ou traseira para melhor desempenho dos movimentos mas, o tamanho era sempre de acordo com a ousadia da sua dona sem essa neurose pelas medidas: 90 x 60 x90 o importante era cuidar da cintura para fazer jus ao modelo “Violão” e até saborear o não menos famoso “Fiu Fiu.

Nem tudo ficou no passado. Na mesma rua onde moro, tem uma pequena mercearia que até hoje fornece alimentos com anotações em cadernetas e tenho certeza, que essa é uma forma de venda em várias partes do Brasil.

Quanto as saias justas, perderam as aberturas traseiras. Elas ficaram curtíssimas, deram total liberdade de movimentos e para alguns, aboliram o exercício do imaginário.

* * *

Minha receita para serenar nosso Espírito com a beleza da música e dança através dos tempos.

Footloose

26 pensou em “SONIA REGINA – SANTOS-SP

  1. Vídeo espetacular, prezada Sonia Regina!!! Só a presença de Fred Astaire & Gene Kelly nos deixa deslumbrado com tanta arte e perfeição.

  2. Gostei tanto do seu texto que tomei a liberdade para publicá-lo no meu BLOG com uma pequena mudança na manchete, que ficou assim: COMPRAS À MODA ANTIGA: CADERNETA DO FIADO

  3. Parabéns pelo excelente texto, prezada colunista Sandra Regina! Adorei o tema e o vídeo.
    Nasci e me criei no interior do Estado do RN (Nova-Cruz) e meu Pai tinha um Armazém de Secos e Molhados. As Cadernetas do Fiado eram muito honradas. Os fregueses era incapazes de passar um calote…,

    Bom domingo!

    • Violante, é sempre bom ter um comentário que corrobora nosso texto e aproveito para colocar outro detalhe, o freguês raramente desconfiava do comerciante quando lhe apresentava o valor total das compras.

      Grata

      Um domingo de Paz e Saúde.

  4. Esses colunistas do JBF são danados!

    Nem um tratado de sociologia conseguiria mostrar com tanta perfeição esses aspectos de nossa sociedade com tanta perfeição, até porque muitas das situações narradas já se perderam no tempo.

    Parabéns, Da. Sônia!

    Continue nos brindando com textos maravilhosos como este.

    Bom domingo.

    • Adônis, com todo respeito aos sociólogos que tiveram um trabalhão para estudar, nós que já passamos dos 20 aninhos (faz tempo) temos obrigação de não deixar nossas boas lembranças num armário a 7 chaves.

      Grata pela gentileza de tuas palavras.

      Uma ótima semana com muita Paz e Saúde.

    • Sr. Jozinaldo, meu Pai falava a mesma coisa. Ele comprou uma pequena casa a prestação no bairro do Brás que foi toda paga com as tais notas promissórias e acredite, o vendedor que era amigo de Papai a muitos anos, preencheu todas somente com o vencimento, valor e ao invés do nome colocou o apelido. Nem precisa dizer que não foram registradas.

      Grata pelo seu comentário.

  5. Bem-vinda minha afilhada.

    Estavas fazendo muita falta – não só por teu toque feminino como, também, naturalmente, por teus textos muito inteligentes.

    Isso, no mínimo, servirá para reintroduzir “bons modos” – e, conseqüentemente, diminuir, nem que seja aos poucos e significantemente, a “macharização troglodita” – no JBF.

    Mais uma vez:

    SEJA MUITO BEM-VINDA!!!

    • O Padrinho Adail além de gentil é sempre um estimulo.

      Disseste bem, o Jornal está um pouco “macharizado”. É certo que os “Moçoilos” quando o assunto é política logo colocam a faca nos dentes, afora esse tema, todos os demais são sempre muito gentis e aos poucos acredito que vamos despertar interesse para outras “Comadres”. Temos no Jornal temas muito variados.

      Grata

      Um domingo de muita Paz e Saúde para toda família Agostini

  6. As famosas “Cadernetas”, não as de “Poupança”, eram do “Fiado”. Funcionava assim: o velho Nelson pegava sua lista de compras e entregava ao piá Sancho, que pés no chão, descia a empoeirada rua e ia ao “Seu Joca” “comprá” fiado. Tudo devidamente anotado na tal caderneta. Pelo caminho o menino olhava os “rabos de saia”. Mas (estranho mas), hoje – lembra Sonia, aboliram o exercício do imaginário.

    Agradecido estou à sempre brilhante Sonia Regina, fubânica das mais gabaritadas, que fez, neste domingo, o menino Sancho renascer (saudade danada de meu velho pai. Beijão, Nelson!!!)

    Beijo, agradecido, vosso coração.

    • Sancho, você lembrou de outro detalhe importante. Nossos Pais nos mandavam fazer as compras sem precisar denominar se era na quitanda, mercearia, padaria ou açougue, falavam simplesmente: “vai no Seu Guido buscar pão”, era só pegar a caderneta e ir num pé e voltar no outro pra trazer o pão ainda quente.

      Tenho certeza que Sr. Nelson ficou feliz com o beijão que lhe mandou.

      Agradeço seu preciosos comentário.

      Uma boa semana de Paz e Saúde pra toda família Pança.

  7. Noooossa … !!!!!

    Agora que percebemos o quanto sua falta fez falta ………

    Mas, e sempre existe um “mas”, a vida é sempre assim … Só damos valor ao que é bom, e quanto é bom, quando o perdemos ………..

    Bons tempos os da “caderneta do Armazem”, seu Josè e dona Lourdes….
    Palavra dada, integridade, honestidade e honra eram valores insuperáveis no ser humano e isto é a maior perda que temos nos tempos atuais …….

    E para finalizar, o texto não poderia ser encerrado sem um vídeo “arrasador”, principalmente para aqueles apreciadores da dança e especialmente pra mim, considerado um razoavel “pé de valsa”………….. rsrsrsrsrsrsrs….

    Obrigado por nos levar às lembranças dos bons tempos e das mais doces lembranças de nossa infância ……

    • Sr. Arthur, nosso passado tem raízes e fiz questão de colocar no texto a mercearia que temos na nossa rua e tenho certeza não é a única.

      Imagine nossos Pais, terem que consultar um “APP” modalidade muito utilizada pelos grandes Supermercados! Pior ainda é essa conversa muito usual de “os tempos são outros”. Essa solução tão utilizada mais parece uma singela aceitação para um comerciante que coloca preços menores somente para os tais “APPS” e na verdade está penalizando o menos abastado que na maioria das vezes paga em dinheiro na boca do caixa. A grande maioria dos cidadãos tem um celular somente para poder se comunicar.

      Pois é meu Amigo, somos um povo que tem duas modalidades de “Cadernetas”: uma para guardar dinheiro e outra para anotar as dívidas.

      Grata pelo seu preciosos comentário.

      Tenha uma semana de Paz e Saúde no aconchego de seus entes queridos.

  8. Mareavilhoso. espetacular, sensacional !!!!!

    Considero o melhor video já publicado nesta Gazeta Fubânica, sem
    dúvida, apesar de postagens maravilhosas já publicadas aqui.

    Tão espetacular e emocionante, que consegui apesar de algumas lágrimas de emoção, identificar talvez meia
    centena de filmes sensacionais da época de ouro do cinema, tempos gloriosos
    que não voltarão jamais, infelizmente.

    Caríssima Sonia, você voltou com toda a sua garra e inteligência,
    provando quanta falta nos sentimos da sua saudosa coluna,
    que para nossa alegria, esperamos, seja semanal.

    Obrigado pelo retorno . Ne nous quite pas.

    • Pô, Sonia, só não precisava quebra o vinil no final!!!!

      Caramba, quanta gente maravilhosa dançando…
      A edição do vídeo é extraordinária!!!!!! Encaixe perfeito!!!!

    • Prezado d.matt, esse vídeo caiu no meu colo. Uso computador de mesa e sempre que observo algo interessante nos vídeos que ficam do lado esquerdo, guardo para utilizar e muitas vezes até dão alguma inspiração.

      Quanto aos textos, vou tentar. Utilizo da internet somente os vídeos e pesquiso nomes e datas o resto é por minha conta e não sendo escritora tal-qual a maioria dos ótimos colunistas do Jornal, demora muito para concluir.

      Agradeço suas palavras incentivadoras e desejo que tenha uma ótima semana com muita Paz e Saúde.

      PS. Eu e o marido não chegamos nem perto de meia centena de filmes, talvez uns 20 e isso gerou uma boa conversa sobre a situação de nossa memória, decidimos que estava boa mas, depois do teu comentário, vamos rever essa decisão.

      • Muito feliz o teu marido por ter – em ti – uma companheira de tão grande quilate.

        Uma respeitoso beijão na bochecha de ambos.

  9. Estimadíssima colunista Sonia Regina:

    D.Matt. se antecipou e como a cartomante machadiana, adivinhou minha alegria por sua volta a esse espaço tão nobre do JBF, do qual a excelente colunista nunca se desapegou. Apenas deu um tempo.

    Li carinhosamente CADERNETA DO FIADO, e me lembrei do saudoso Antonio Tavares de Melo e sua cadernetinha escrevinhada a lápis com o nome de todos os devedores que zeravam religiosamente todo mês o débito sem falta. Era tempo de moral onde um fio de bigode valia a cena final do western spaghetti “Por um Dólares a Mais” do genial diretor Sergio Leone!

    Obrigado querida pela volta magistral.

    Todos que fazemos parte dessa confraria de desassombrado agradecemos

    • Cícero, você sempre gentil nos seus comentários.

      O interessante e mais que isso, gratificante foi o fato de quase todos nossos amigos que fizeram comentários lembraram dos Pais. Eu não esperava essa reação que valeu para enfrentar os problemas do dia-a-dia que alias, atualmente foram acrecidos pelos amigos que por telefone só fazem reclamar do problema de saúde que ao que parece pegou quase todos os habitantes do Planeta Terra de supetão.

      Não me afastei do Jornal, leio sempre. Sua experiência para elaborar textos sabe que escrever torna-se um habito e quando a gente para demora pra engrenar mas, acho que já conheço um pouco os amigos e sei que posso contar com a solidariedade da maioria.

      Agradeço e desejo a toda família Tavares uma semana cheia de Paz e Amor.

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