SONETO DE ALFA E ÔMEGA

O teu amor é todo o meu conforto,
o cais a que recolho as minhas velas,
eu — capitão de rotas caravelas,
tu — senhora da noite, enseada e porto.

E, quando irrompe o sol e, rumo ao pego,
ao abismo da vaga ondeante e amarga,
enfuna as velas o meu barco, e larga,
é teu amor o mar em que navego.

Por cinco lustros já teu sol amigo
e tua noite —de outros sóis povoada—
vêm-me dando a jornada e dando o abrigo.

Assim tens sido para mim, querida,
o ponto de partida e o de chegada,
o amor que circunscreve a minha vida.

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