MARCOS ANDRÉ - DADO & TRAÇADO

O título acima, carregada de metafórica e barata analogia às avessas da magistral e premiada obra cinematográfica Sociedade dos Poetas Mortos, escrita por Tom Schulman e dirigido por Peter Weir. Em que o novo professor de Inglês John Keating é introduzido a uma escola preparatória de meninos que é conhecida por suas antigas tradições e alto padrão. Ele usa métodos pouco ortodoxos para atingir seus alunos, que enfrentam enormes pressões de seus pais e da escola, onde aprendem como não serem tão tímidos, seguir seus sonhos e aproveitar cada dia.

E por aqui, nesta gazeta escrota, o que mais se vê são métodos pouquíssimos ortodoxos de se noticiar e comentar um pouco sobre tudo. Por isso o título sociedade dos poetas que se fingem de mortos.

2010

Há uns dez anos, eu andava fuçando pela internet, alguma página que fugisse dos padrões enfadonhos de se apresentar e da mesmice incrustada nos sites de notícias. Que levasse a informação de um modo diferente, criativo, com sarcasmo mas, sem perder o originalidade. Com humor bem debochado e excrachado, mas que permanecesse fiel e verdadeiro. Que atingisse o sacana e a sacanagem perpetrada, bem nas fuças. Que os comentários também fossem do mesmo nível.

Começava navegando pelas páginas dos grandes jornais, de norte a sul do país: Globo, Folha, JB, Correio Braziliense, O Dia, Correio do Povo, etc. Para se inteirar de alguma coisa, tinha-se que coser uma verdadeira colcha de retalhos do noticiário.

EURECA

Qual não foi minha surpresa quando, pesquisando no google sobre o escritor Mario Vargas Llosa, nobel de literatura de 2010, algo me chamou atenção: “Mario Vargas Llosa – Jornal da Besta Fubana”. Cliquei. Eis que me deparo com o Besta Fubana. Foi uma baita surpresa. Lá estavam notícias, criticas e comentários sobre as principais “chamadas” dos grandes jornais do país. Um balaio de notícias pinçadas da mídia de todo país. Onde os temas eram expostos e debulhados com as criticas pertinentes. Podia-se (e pode) descer a lenha. Salvei a página “nos favoritos” para acessá-la com frequencia.

Sou leitor assíduo do JBF desde 2010, ou seja, do tempo em que o Berto dizia na prímeira página que era editor de “uma gazeta da bixiga lixa! Especialista em generalidades, extremista de centro, peruador sem compromisso, dono de um currículo sem qualquer saliência digna de nota, autor de uma obra perfeitamente dispensável, azeitador do eixo do sol… ensacador de fumaça, fiscal de feiras, carnavalesco e… “A esquerda garante que o JBF é de direita. A direita afirma que o JBF é de esquerda. Os moderados dizem que o JBF é radical. Os radicais reclamam que o JBF é moderado. Bem-vindos a informação e a esculhambação”…

Era exatamente o tipo de página que eu procurava. Quando participei com comentários houve repercussão. Enviei charges e sugestões… idem. Notei que os colunistas mantinham um certo diálogo com as críticas ou elogios.

PREOCUPAÇÃO E LOUCURA

De tanto ler e participar do JBF, minhas filhas, preocupadas, vieram me dizer: “Pai, este editor é meio maluco. Andei pesquisando e vi que Besta Fubana era uma figura folclórica e lendária… um vulgo da besta fera. Espécie de aberração que “pune ou punia” os cristãos hereges, mais tarde apelidados de bestas humanas. Pra aliviar e parecer menos ofensivo às pessoas passaram chamar de besta fubana. E virou jargão. Quando alguma coisa fosse comentada sutilmente fala-se: EITA BESTA FUBANA!!.

“E esse editor doido, tem vários livros, entre eles tem esse tal de O Romance da Besta Fubana”

Parti para advogar em defesa de Berto o quanto pude. Expliquei pra elas que tratava-se de um escritor premiado, com excelentes obras publicadas, com ótima aceitação pela crítica literária nacional. Além do blog ser acessado diariamente por centenas de usuários, etc.

De tanto participar comentando, dando pitacos, narrando alguns “causos”, o Berto acabou jogando por terra toda defesa fundamentada que fiz a respeito da sanidade dele. Pois o danado me convidou, via e-amil, a assumir uma coluna no JBF. PQP!!! O cara é maluco, mesmo!

Imaginei: E agora? O editor só me conhece pelos comentários… O trabalho toma todo meu tempo (advogado operário).

Para aumentar minha aflição, decidi perguntar ao editor:

– Berto, o colunista fubânico Mario Vargas Llosa, é o grande Jorge Mario Vargas Llosa, peruano, ganhador do Nobel de literatura 2010?

– O próprio. Autor de um dos meus livros de cabeceira: “A Guerra do Fim do Mundo”

Deus do céu! Quanto mais repassava a vista nos nomes dos colunista, mais desespero me dava.

Fui tranquilizado. Disse-me que escrevesse temas livres. Semanalmente ou por quinzena. Quando farrapo, ele me “puxa as orelhas”.

UM JORNAL NA LINHA DE FOGO

Um jornal que já contabilizou 650 tentativas de invasão e bloqueios na sua página internética (média de mais de 100 por dia), por conta da liberdade e conteúdo das suas matérias, é sinal que incomoda tanto ou mais que 30 elefantes. O saco desses ataques é acabam causando quedas temporárias por conta do intenso tráfego.

Os pseudos democratas usam desta estranha forma de “contra-argumentar” a liberdade de expressão/pensamento inseridas nas páginas do JBF.

Pela covarde sabotagem, todos, (conforme a praga rogada pelo editor) serão condenados à espera do espeto polodoriano.

SOCIEDADE DOS COLUNISTAS/POETAS QUE SE FINGEM DE MORTOS

Nesta “gazeta escrota”, o editor, colunistas, colaboradores e leitores atuam, cada qual a seu modo, como os protagonistas do referido filme. Um professor (Berto) que chegou para balançar o coreto. Pra bagunçar a lerdeza e a falsa moral da referida “unidade de ensino” (grande mídia). Opinando e comentando com liberdade, como alunos rebeldes, sem medo e usando métodos pouco ortodoxos, confrontando o “politicamente correto” e o incorreto… o caraca a quatro. A liberdade aqui é plena!

E esta Sociedade tem incomodado bastante muita gente. De forma que, aos trancos e barrancos, a caravana JBF vai passando, sabendo que, as opiniões ali contidas, tais como as batatas, vão se ajeitando com o chacoalhar da carroça.

Acautelai-vos, tolhedores e coveiros da liberdade de expressão. Os bestasfubenenses estão por aí… vivinhos da silva, se fingindo de mortos.

16 pensou em “SOCIEDADE DOS POETAS QUE SE FINGEM DE MORTOS

  1. Meu caro Marcos André, a metáfora de barata não tem nada. O texto é rico, cheio de ótimos detalhes que prende o leitor até o fim. E tem mais, só não se apaixona pelo JBF quem não tem argumentos. Abraço.

  2. Exatamente, professor Tavares.
    O JBF é viciante.

    Imensamente lisonjeado fico com vossa participação.

    Pra falar a verdade, até seus antagonistas acompanham as postagens, por isso os sistemáticos ataques que anda sofrendo.

    • Diga simplesmente: nada a declarar!
      Você deve arguir suspeição.

      Pois é um pouco da história daquilo que você pariu.

      Resta patenteado a historia de uma luta, e que a “criança” não foi feita nas coxas.
      Mesmo sem fazer a devida revisão do texto (erros pontuais), o recado foi dado.
      Aliás, dado & traçado.

    • Meu caro Mestre Ivo Pedro. Sempre vigilante das boas causas.
      Você é que é nobre e enobrece este modesto escriba com seu tocante comentário.

      Deus abençoe este mais novo papai do pedaço.
      Parabéns pela linda filhinha!

  3. Marcos André nos levando aos primórdios da nossa amada gazeta…Acautelai-vos, tolhedores e coveiros da liberdade de expressão. Os bestasfubenenses estão por aí… Por aí, por aqui e acolá…
    Como dizem os corintianos: É nóis, mano!!!!!! 90% de nós poderiam estar trancados em um hospício, mas (lôco mas), estamos aqui, atazanando quem se descuida e entra na gazeta mais escrota do universo…
    Sancho ficou o dia inteiro sem comentar, pois foi para Penedo-RJ fazer entrega de coco, pois os comerciantes voltaram a receber clientes e a fazer pedidos para Sancho. O clima no Sul-Fluminense tá de sol de rachar o quengo e com isso o Quixote Véi di Guerra volta a se encher de cocos. Amanhã Baixada Santista. Que venham mais fretes e mais grana para encher Sanchinho de alegria… Vai uma aguinha de coco aí?

    Brigaduuuuuuuuuu, Marcão!!!!!!

    • Bons lucros para o estimado colunista, Sancho Pança.

      E que nunca nos esqueça de escrever suas magníficas histórias de tudo!!!

    • A simpatia de Sancho o leva a empatia com os leitores/admiradores.

      É um dos “poetas”, como falei no texto, que contribui para chacoalhar ainda mais a gazeta escrota (nesse chacoalhar é que as batatas se ajeitam… (No caso, os cocos) UI!

      Minha reverência ao confrade.

      Bom trabalho, rapaz!
      Bons negócios!
      Boa sorte!

  4. Sim, verdade, eu também, desde há muito tempo, virei mais um “FUBÂNICO”. Graças a Deus existe o JBF e um Papa Berto a se espelhar. Eu que também descobri, O Jornal da Besta Fubana, vasculhando por toda a mídia escrita. Tamos juntos!

    • Juntos e misturados, Sr. Deco.

      Seu testemunho confirma o real sentimento dos sortudos e racionais leitores que este magnífico jornal angaria.

      Não tem como Berto deixar de ficar ancho…

      E todos nós.

  5. Estimado Marcos André,

    Suas crônicas e comentários são excelentes. Enriquecem e muito o debate no Jornal da Besta Fubana, que considero a obra-prima de Luiz Berto.

    Também sofri o pão que o diabo amassou quando o Luiz Berto me teve a coragem de convidar para escrever algumas bobagem para o JBF. Depois de vários comentários e correspondências sem futuro e pornográficas.

    Luiz Berto foi um bólide: queres escrever uma coluna semanal? Mande o título e escolha o dia da publicação.

    Fiquei suando de dúvidas! Eu, um simples corretor de imóvel, escrevendo uma coluna no JBF, jornal internético de alta catilogência e arrudiado de feras!! Meus deus, que privilegio!

    Mas Mestre Berto, eu nunca escrevi para jornal!!! E Berto na sua sutileza genial me mandou outro e-mail: mande o título e avise quando começa!!!

    Perdi o medo. Me policiei nos palavrões graças aos sábios conselhos e assessoria do mestre, estou no JBF desde início de 2017 sem interrupção.

    Luiz Berto – e o tempo só me vem ratificar essa assertiva – é o Gordinho mais honrado, simples, honesto, tolerante, humano, solidário, que já conheci neste mundo, vasto mundo dos mortais.

    Tudo que aprendi escrevendo lhe devo a sapiência!

    • Correto, Mestre Cícero. O berto pode ter aprontado pra cima da gente, mas foi para o nosso bem.

      Cuidado, confrade, o patrulhamento dos “tabacudinhos” classificaria isto de bullying.

      Mas Cícero é apadrinhado de Dom Corleone, protegido de Maria Bago Mole e abençoado por Berto.

      Mas não é por isso que seus escritos são admirados e comentado pelos leitores.
      São os temas sempre cativantes, onde se mistura com muita sutileza e maestria o sonho com a realidade.
      E estamos viajando nesta mesma carruagem comandada por Berto, em que os choacoalhos das postagens vão ajustando a carga e dando o devido recado.

      OBS: Sempre quando vou na Confraria do Lelo, lá no mercado da encruzilhada, fico a imaginar as ancas das deusas de lá, que o Mestre tão bem retratou nos textos e nas fotos, nos induzindo a sonhar.

      Forte abraço!

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