A PALAVRA DO EDITOR

Para quem deseja se fascinar com a caminhada pessoal e científica da bioquímica e bióloga molecular Jennifer Doudna, professora da Universidade da Califórnia, Berkeley, laureada em 2020 com o Prêmio Nobel de Química, pelo desenvolvimento de um método de edição do genoma Crispr, busque ler sua vida através no fascinante livro A Decodificadora, de Walter Isaacson, Rio de Janeiro, Intrínseca, 2021, 576 p.

O autor, também biógrafo de Leonardo da Vinci, Steve Jobs, Benjamin Franklin e Albert Einstein, apresenta uma consagrada heroína que entrou para a história da Ciência. Uma leitura de tirar o fôlego, comprovando o talento feminino de uma cientista, nascida em 1964, na busca de uma melhor compreensão sobre o funcionamento da vida.

As opiniões são amplamente favoráveis ao autor e à biografada. Uma amostra:

A Decodificadora é uma leitura obrigatória, onde o autor apresenta uma heroína que entrará para a história, um grupo de cientistas aguerridos e competitivos do mundo todo e uma gama de descobertas que mudará mais as nossas vidas do que o iPhone. A história é fascinante, as implicações de tirar o fôlego.”

“Um livro extraordinário que examina umas das tecnologias biológicas mais disruptivas do nosso tempo e os personagens que ajudaram a criá-la. Este livro brilhante é uma leitura absolutamente necessária para nossa época.”

“Este livro e a carreira de Jennifer Doudna mostram o quanto a busca para compreender o funcionamento da vida pode ser emocionante.”

“Este trabalho essencial e impactante, escritos nos moldes de A dupla hélice, nos possibilita não só acompanhar a trajetória de uma cientista brilhante e inspirada enquanto se dedica a uma corrida competitiva e dura, mas também vivenciar as maravilhas da natureza e as alegrias de uma descoberta.”

Para quem ainda não leu, A dupla hélice conta uma história vivenciada em 1953, quando Francis Crick e James Watson, à época com apenas 24 anos, revolucionaram a bioquímica ao decifrar a estrutura do DNA, que fez compreender a própria base da vida, valendo para os dois o Prêmio Nobel daquele ano. Uma história contada de forma direta que ressalta as rivalidades, as ambições e controvérsias, favorecendo a continuidade da luta por novas ideias revolucionárias, agora complementadas pelo talento científico de uma mulher de apenas 57 anos de idade, narradas por um biógrafo de muita notoriedade.

Neste século XXI, apesar de todas as formas de imbecilidades reinantes, uma nova consciência científica emerge dos cenários infectos negativistas, dos populismos excludentes, dos planos que apenas tentam reproduzir mágicas bolorentas para inglês ver. Percebe-se, aos trancos e barrancos, que uma nova cidadania política mundial se avoluma, onde os mitos não mais serão vistos como indispensáveis salvadores, cada grupo se associando sem perder as suas características ideacionais.

Entretanto não se pode esconder o sol com a peneira, na vã tentativa de encobrir algumas verdades. O pedido de demissão da presidente do IBGE pode ter sido solicitada por não querer camuflar um Censo que mostrará a realidade social dramática de um Brasil pandêmico.

Uma parábola judaica exemplifica bem como se poderia sair do atual bulício mundial. Servirá para as autoridades portadoras de diplomas que se encontram tonteadas, sem saber por onde começar. Mais ou menos é essa a versão: um homem de classe média, profissional liberal, remediado, temente a Deus mais por covardia que por princípio, saiu para uma caminhada na floresta e nela se perdeu. Vagueou horas sem fio, tentando encontrar a saída para o seu sufoco. Para onde se dirigia nada encontrava. De repente, deparou-se com outro ser humano. E perguntou de bate-pronto: “Você pode me mostrar o caminho de volta à cidade, pois tenho que receber uns aluguéis ainda hoje, depositando-os de imediato para render alguns porcentos?“. A resposta do outro o intrigou: “Também estou perdido. Mas podemos juntos ajudar um ao outro”. Diante do abismamento provocado, a conclusão recheada de muita esperança: “Vamos agir em conjunto. Cada um pode dizer ao outro os rumos que já tentou e que não deram certo. Certamente isto nos ajudará a encontrar o caminho correto”.

É chegada a hora de juntar as nossas migalhas de esperança. Que todos, sem distinção, desarmadamente, sem cinismos nem incompetências alucinatórias, vejam os caminhos já percorridos e que a ninguém já não mais satisfazem. E verifiquem quais as forças que ainda restam, mormente as que fundeiam a dignidade da pesquisa básica nacional, para que possam ingressar num novo ambiente pós pandêmico, sem humilhação de espécie alguma.

Vale a pena ler A Decoficadora, para entender melhor a diferença entre competição saudável e canalhice ideológica fascista.

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