CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Transcorria o ano de 1940, e insatisfeito com a falta de mão de obra qualificada, o país vivia procurando em cada esquina, um profissional capaz de desempenhar determinada função no setor produtivo. Na maioria das vezes, não achava o técnico pretendido. Aí, tinha de improvisar, preparando o futuro profissional na própria empresa.

Sem bem que com menor consequência. O problema é que na qualificação, perdia-se tempo para deixar o profissional habilitado. A carência de pessoa capacitada, era um dos piores quebra-cabeças do mercado de trabalho brasileiro do passado. Inconveniente, ainda persistente na atualidade, embora o Sistema S tenha contribuído para amenizar os impasses.

Preocupado com a dor de cabeça das empresas que passavam vexames, um cidadão iluminado teve a feliz ideia de criar o Sistema S. O Sistema S é um grupo de organizações, constitucionalmente definidas, com a finalidade de preencher lacunas. Formar, capacitar e requalificar pessoas no campo profissional para atender aos interesses da indústria, comércio e do setor de serviços.

Além da formação profissional e promover o trabalhador a nível pessoal, o Sistema S se estende em outros campos. Presta assistência técnica e social, faz consultoria e também oferece assistência na educação básica, no lazer, cultura e dar alguns passos no campo da saúde.

Existem nove organizações das entidades corporativas, dedicadas no treinamento profissional.

Tem o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), Sesi (Serviço Social da Indústria), Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio), Sesc (Serviço Social do Comércio), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), Senat (Serviço Nacional de Apredizagem de Transporte), Senar (Serviço Social do Transporte), Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo).

As cinco principais instituições surgiram em 1940, porém as quatro restantes, Senar, Senat, Sest e Sescoop só aparecerem com a Constituição de 1988.

O Sistema é autônomo, e embora mantido pela iniciativa privada, o valor mensal é obtido da folha de salário dos funcionários das empresas. O recolhimento segue junto com os tributos do INSS. Compete ao Ministério da Previdência fazer a distribuição para as respectivas Confederações Nacionais.

O repasse mensal pelas empresas é fabuloso. Em 2018, a arrecadação fechou em R$ 17 bilhões. Então, insatisfeitos, diversos governos tentaram mexer no montante das contribuições, sob a desconfiança se de fato o total recebido pelo Sistema S chegava a financiar também alguns serviços essenciais da maioria da população.

O Sistema S deu uma bobeira. Passou a cobrar mensalidade em alguns cursos, que deveriam por lei serem gratuitos. A primeira investida ocorreu em 2008, quando o governo central tentou comer uma bolada dos recursos do Sistema S para aplicar em outros fins.

A saída foi o Sistema se comprometer em investir mais da metade dos recursos recebidos em cursos de formação, gratuitos, para a população. Em 2015, o governo do PT voltou a sonhar com alguma fatia do gordo repasse mensal do Sistema para equilibrar as contas públicas, totalmente desequilibradas. Os empresários chiaram, rejeitando qualquer tipo de acordo com o governo, que temendo rebordosas, calou-se.

Como todo serviço destinado ao público, o Sistema S também tem virtudes e defeitos. Uma das virtudes é a promoção de atividades de aprendizagem e sociais. Porém, o Sistema não escapa das constantes cantadas para financiar campanhas políticas e garantir apoio na aprovação de leis favoráveis a determinados grupos no Congresso.

Por outro lado, surgiram críticas sobre o empreguismo (cabide de empregos) de parentes de políticos em altos cargos e os gordos salários pagos aos seus servidores nessas organizações. Alegam os críticos, alguns salários ultrapassam o de governadores, especialmente do Nordeste.

Por isso, o Congresso recebeu propostas para reformular o Sistema S que virou vítima dos ataques de partidos políticos. Em vez de profissionalizar mão de obra, prestar assistência social nos campos da saúde, do ensino, da técnica e da pesquisa, as organizações S passaram a financiar campanhas e comprar prédios, alguns inclusive já abandonados, e sofrer desvios de milhares de reais para outros fins.

Então, para acabar com a farra com os recursos do S, as propostas querem dar transparência no orçamento e na distribuição dos recursos. Obter, especialmente critérios de governança e de arrecadação.

Na proposta da reforma tributária consta a ideia da desoneração da folha de pagamento, mediante a redução da contribuição das empresas para essas instituições. Aí, o bicho vai pegar.

Resta saber se algum iluminado apresente uma proposta decente para acabar com a malversação do dinheiro público. A ganãncia em comer sempre mais.

7 pensou em “SISTEMA S

  1. O sistema tem um papel importante na formação de jovens. O que existe de ruim é a perpetuação de pessoas no comando e algumas delas envolvidas com corrupção.

  2. Essa enganação gigantesca foi fruto da mente de ADOLF HITLER.

    Com essa estrutura, o cara conseguiu enganar a população de duas maneiras:

    1o – Controlando parte substancial da renda que seria dirigida aos trabalhadores. Com as imensas fortunas arrecadadas, conseguiu financiar o esforço de preparação para a guerra alemão.

    2o – Trouxe a imensa massa de trabalhadores para o seu lado, através de programas de férias entremeados com intensa doutrinação nazista.

    Getúlio Vargas quis imitar e fazer o mesmo. Só conseguiu criar um imenso cabide de empregos para os apaniguados dos políticos e mais um centro de roubalheiras com dinheiro dos otários.

    Minha conclusão:

    QUEREM CURSOS PARA OS TRABALHADORES? PAGUEM!

    Parem de cobrar 36,5% de IMPOSTOS sobre a folha de salários e depositem em uma conta de poupança para a aposentadoria de cada um deles.

    ENCERREM ESSA PUTARIA JÁÁÁÁÁÁÁÁ !!!!!

  3. Ivan, o Sistema S foi e sempre será importantíssimo na formação de jovens trabalhadores. Na minha modesta opinião, falta transparência na direção e um necessário revezamento no comando.

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