CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Realmente, o que sobra neste Brasil despedaçado pela roubalheira são as sinecuras. É mamata demais nos órgãos dos governos, seja federal, estadual e municipal. São benesses em excesso na vida pública, sem mostrar competente serviço. Como as vantagens estão mal distribuídas pelos 26 estados, Distrito Federal e 5.570 municípios brasileiros, imagine o volume de despesas públicas, algumas desnecessárias, a emperrar a economia. Afastar a prosperidade, tão almejada.

As sinecuras brasileiras são balaio cheio. Segundo dados do Atlas do Estado Brasileiro, o país em 2017 registrava a quantidade de 11,5 milhões de servidores públicos. Com exceção das estatais, o número de servidores nas estruturas de governos, nas três esferas, cresceu demais em 20 anos. Em 1995, existiam 6.264 milhões, porém em 2016, o quadro de funcionalismo público pulou para 11.492 milhões. O aumento de agentes públicos foi de 83%.

A exagerada quantidade de cargos de confiança, que passava de 600 mil em 2014, contribui para desequilibrar as contas públicas. Constata-se a má distribuição de servidor entre as áreas de governo. Umas tem menos, outras, acumulam além das necessidades. Burocratizando o serviço.

As despesas com o funcionalismo público chegaram a R$ 725 bilhões no ano. O valor correspondeu a 10,7 do PIB-Produto Interno Bruto do país. O problema é o salário. Enquanto o servidor do Executivo ganhava R$ 3.763,48, em 2017, o do Judiciário, considerado a elite do funcionalismo oficial, recebia R$ 12.157,88 e o do Legislativo, abiscoitava R$ 5.992,46. Comparado ao setor privado, o empregado recebia uma merreca. Míseros R$ 2.271,91 mensal, em média, naquele ano.

A corrupção institucionalizada na administração pública brasileira é antiga. Dentre 53 países analisados pelo Banco Mundial, o Brasil lidera em bondade, particularmente no nível federal. São apadrinhadas políticos agraciados com duas boas vantagens. Altos salários e nadica de trabalho. Por isso, exibem excelente status social e nenhuma marca de cansaço na face. Muitos sequer fizeram concurso público.

Este é o quadro nas repartições governamentais, principalmente no Legislativo, Executivo e Judiciário do país inteiro. Como se não bastassem as mordomias, é fácil constatar duas adversidades estampadas na cara do cidadão.

Enquanto os afilhados políticos, verdadeiros vermes sociais, gozam do bom e do melhor às custas da sociedade, o povo, não pode reclamar. Apenas se contenta em viver esquecido nos centros urbanos pelos homens do poder. Sem emprego, salário decente, saúde, escolas, transporte, lazer, segurança pública, planos de saúde a preços módicos, remédios baratos, infraestrutura adequada nos municípios, filas quilométricas nos hospitais, pacientes jogados em macas pelos corredores hospitalares.

Um fato é verídico. Não precisa ser técnico ou ter formação universitária para exercer um cargo de sinecura. Tem gente competente no cargo, mas, também tem muitos apadrinhados despreparados para a função. Daí a comprovação da presença de facínoras, preparados para executar até maldosos tipos de serviço para o protetor.

Livres dessas sequelas, países como Portugal, França, Austrália e Estados Unidos se esforçam ao máximo para os gastos de governo com o funcionalismo não ultrapassar os 9% do Produto Interno Bruto. Como não se toca, o Brasil gasta em média 13,1% do PIB com o servidor público.

Até o Chile, atualmente passando por dias de terríveis protestos por causa do aumento nas passagens do metrô, gasta menos do que o Brasil na folha salarial do servidor público. Segundo dados de 2015, a despesa do governo chileno com pessoal ficou apenas em 6,4%.

Contudo, um fato curioso chama a atenção. Comparado ao restante do mundo, o Brasil tem um quadro de pessoal público bem menor. O que extrapola são os altos salários. Segundo as estatísticas, cerca de 83% do funcionalismo público ocupa a cumeeira da lista de renda.

Como somam outros benefícios como o auxílio moradia, transporte, creche, educação, funeral, plano de saúde, reembolso de despesas médicas, odontológicas e bônus eficiência e vale refeição, a renda mensal engrossa. O acúmulo de vantagens descontrola as contas públicas, enverga as costas do contribuinte que, calado, sustenta um cabedal de anormalidades no serviço público.

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