A PALAVRA DO EDITOR

Foi a industrialização, iniciada na Inglaterra no século 18, que apresentou o sindicato para a classe trabalhadora. A finalidade da corporação era defender o trabalhador, dentro de suas especialidades nos campos profissional, econômico, social e político. Desde então, compete ao sindicato responder diretamente pelos acordos coletivos, entrar com ações na Justiça, quando necessário, na defesa do associado, orientar e acompanhar os associados nas dúvidas trabalhistas, trabalhar no lado social, promovendo a interação das classes, montar plantão permanente no acompanhamento do salário e horário de expediente. Para se manter ativo, o sindicato é mantido pelas contribuições dos associados. No entanto, depois que tornaram a contribuição sindical facultativa, o sindicalista paga se quiser, os associados eram felizes e não sabiam porque a tendência do enfraqueceram.

No Brasil, o sindicato foi regulamentado em 1930. Entrou em vigor o imposto sindical. No ano de 1964, o sindicato perdeu força. Sofreu repressão. Com a ditadura, a associação sofreu dois duros golpes. A Lei de Greve apertou as manifestações, trocaram a estabilidade pelo FGTS. Mas, apesar das limitações, estourou uma greve de arrombar em Osasco, São Paulo. Os comandos sindicais eram corajosos, enfrentavam a barra pesada. Não tinham medo de cara feia e nem de fardas. Todavia, com o passar do tempo, as coisas mudaram. Depois da extinção da obrigatoriedade do imposto sindical, em 2017, os sindicatos enfraqueceram. Perderam a ousadia e a autonomia. A lei força os dirigentes sindicais a se curvarem diante das circunstancias atuais, especialmente após entrar em vigor a terceirização nas empresas que obriga o terceirizado a usar uniforme e se submeter as ordens do chefe imediato. Quem é desse tempo, lembra da garra do Sindicato Solidariedade, uma federação sindical que, que, sob a liderança do eletricista do estaleiro, Lech Walesa, Prêmio Nobel da Paz, em 1983, e Presidente da Polônia em 1990, representava 9,5 milhões de associados. A federação polaca nasceu nos Estaleiros de Gdansk, Polônia, em 1979. Nas manifestações de protesto, o Solidariedade não abria nem pro trem. Enquanto pode, o objetivo do Solidariedade era conseguir conquistas trabalhistas. Obter melhores condições de vida.

O que enfraqueceu o mundo sindicalista brasileiro foi o aparecimento de muitos sindicatos. A subdivisão de classes. A quantidade cresceu tanto que atualmente passa de 18 mil organizações representativas. O excesso de sindicatos enfraquece as lutas pelas categorias de trabalhadores. Realmente, o fim do imposto sindical foi uma paulada nos sindicatos. Doravante, com a queda na arrecadação e a elevação de custeio, a tendência dos sindicatos no Brasil é enfraquecer, amarelar nas lutas. Curvar-se diante da superioridade do empresariado e do reduzido poderio financeiro dos sindicatos.

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O brasileiro começa a se preocupar com os estragos provocados pelo avanço do mar. A cada ano, surgem novas áreas danificadas nas áreas costeiras. Tanto no Sudeste, quanto no Nordeste do país. No Rio de Janeiro, o desmoronamento do calçadão da Praia da Macumba, no Recreio dos Bandeirantes, mostra que falta empenho do poder público para evitar que a atuação da Natureza destrua pavimentos por causa de falhas estruturais. Os 600 metros derrubados do calçadão da praia que expulsaram ciclistas, demoliram quiosques e derrubaram coqueiros, aflige os moradores de casas e apartamentos do bairro. Na Praia do Tombo, no Guarujá, Baixada Santista, a ressaca derrubou um barranco, estragou parte da rua local. Por sua vez, o Norte e o Nordeste também não escapam da fúria do mar. A cada ano, toda vez que o mar avança, as regiões perdem cinco metros de praias por causa da erosão.

No Rio Grande do Norte, mais precisamente no litoral norte do Estado, os pescadores das praias de Muriú, Touros e Caiçara do Norte sofrem com a fúria do mar. Porém, no litoral Sul rio-grandense, o mar revolto também causa destruição. Em Barra de Cunhaú, na cidade de Canguaretama, distante 75 quilômetros de Natal, capital potiguar, exatamente no local onde o mar e o rio se encontram, o mar comeu 200 metros de faixa de areia. Na área, enquanto a aflição perturba 3 mil residentes, com medo de catástrofe, muitos moradores preferiram dar no pé. Foram procurar abrigo em local seguro. No Recife, Olinda e Paulista, três municípios do litoral pernambucano, o mar não perdoa. Tem engolido faixas de praias. Nem os sacos de areia, colocados estrategicamente, barram a fúria marinha.

O prejuízo para moradores e comerciantes potiguares e pernambucanos é enorme. As causas de tanta destruição são atribuídas ao acúmulo de sedimentos na beira de rios. Embora assustadoras, as cenas da ressaca marinha, avançando contra a praia e recuando em seguida, são impressionantes. Enfim, o fenômeno natural acontece em boa parte da costa brasileira, composta por 17 Estados banhados pelo oceano Atlântico. O que encabula é a alteração do mapa do litoral brasileiro depois que o mar avança e recua nas praias. Os estuários, os manguezais e a pequena formação da plataforma continental de Alagoas, por serem invadidos de sedimentos que, aliados ao crescimento de recifes, agitam o mar. Fragilizam a costa alagoana. O que amedronta é a redução de areia acabar com algumas praias do litoral brasileiro. As mudanças climáticas e a repetição de muitas tempestades são responsáveis pela agitação marítima. Resultado da destruição ambiental e do aquecimento global.

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De uns tempos pra cá, a violência urbana cresceu no território brasileiro. Parece estar acima da lei e da ordem pública. A frequência de assaltos, assassinatos, o tráfico de drogas e a violência doméstica enfurecem a sociedade. Os especialistas atribuem o crescimento da violência urbana à desorganização do crescimento urbano, causado principalmente pelo êxodo rural, o desemprego, a carência de moradia, a desqualificada educação, a precária infraestrutura e os eternos problemas sociais. Palpitantes assuntos para incentivar as crises e o desajuste familiar. Acentuar a marginalização. Outro fator quem não pode ser desconsiderado no caso é o fato de nos centros metropolitanos, o sujeito representar apenas um número. Significa mais um habitante desconhecido na longa lista de residentes a dificultar a aproximação, o relacionamento social, o respeito e a consideração.

As antigas crises econômicas, não resolvidas, mas, politicamente maquiadas e empurradas com a barriga pra frente, somadas às dificuldades financeiras e desigualdades, estimulam a corrupção, o vandalismo, os roubos, os homicídios e o vício das drogas. A pobreza tem de ser combatida com veemência. Não pode ser tratada apenas como ponto de apoio eleitoreiro. Garantindo reeleições. Embora não seja a principal causa da violência, mas a pobreza, a favelização e a segregação social estimulam a criminalidade. Segundo o IBGE, em 2010, existiam 6.329 favelas no país. Imagine a quantidade de favelas atualmente. Como resultado do abandono pelo Estado.

O que empurra a violência urbana para os intoleráveis índices é a crítica formação do povo brasileiro. Descendente direto dos regimes escravista e autoritário, desde pequena, a criança convive com os exemplos de desigualdade racial e econômica. Com a divisão de classes. Os ricos pra lá, vivendo no bem bom dos melhores bairros, os pobres pra cá, comprimidos na periferia, atordoados de problemas. Os dados são claros. A década de 80 foi o marco inicial para a explosão da violência. O disparo para a delinquência desenfreada. No entanto, a precariedade do sistema prisional que perdeu a função de ressocialização, contribuiu também para fomentar a violência urbana. Até o machismo elevou as agressões contra a mulher. A realidade está expressa nas ocorrências. Em 2017, 2,4 milhões de mulheres sofreram um tipo de agressão. Situação que nem a Lei Maria da Penha consegue barrar, reduzir a fúria doméstica, que assusta, impressiona, atormenta. Deixa a sociedade em polvorosa. Temendo alguém próximo ser vítima da raiva urbana.

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