CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Trabalhar na roça é tarefa prazerosa. Saber explorar a terra no braço, executar um trabalho rural, plantar e colher alimentos com qualidade, não é uma labuta simples.

Para ser de fato um agricultor de verdade, o caboco tem que ter sustança no corpo e na mente e manjar de outros detalhes modernos para executar importante atividade no campo. Sem contar com tecnologia, tendo que executar a atividade na base do principal equipamento rural, a enxada.

Foi-se o tempo em que trabalhar na agricultura não necessitava de conhecimentos. Hoje, está provado que manejar a terra com fins de colheita produtiva, sustentável, requer um pouco de técnica. Um certo grau de procedimentos, pelo menos.

Então, para se dar bem, não sofrer prejuízos, o agricultor tem de ter noções da característica do solo. Conhecer o tipo de solo com relação à estrutura, existência de substâncias minerais, húmus, microrganismos, lençol freático, e clima. Esses detalhes são superimportantes para identificar qual o tipo de agricultura se adapta melhor ao local escolhido para plantar.

Atualmente, duas particularidades alteraram as atividades dos agricultores modernos. A agricultura familiar e a agricultura de subsistência.

A agricultura familiar é quando a família se dedica a cultivar a terra da pequena propriedade rural precariamente, a fim de garantir a alimentação dos filhos, pelos menos. Já na agricultura de subsistência, o agricultor tem em vista colher o seu alimento, da família e de vizinhos.

Afinal, os tempos mudaram e por conta de mudanças, a agricultura modernizou-se. Desapareceu a agricultura de subsistência, executada por famílias de camponeses que se apegavam aos métodos tradicionais para cultivar apenas arroz, feijão, milho, mandioca, batata, frutas e hortaliças para dar de comer á mulher e aos filhos. .

Com à chegada do modelo econômico capitalista, apareceu o trator, a colheitadeira, o pulverizador, a plantadeira de plantio direto, o fertilizante e os drones que introduziram boas inovações na roça. Os equipamentos trouxeram novos conceitos sobre mecanização, uso de defensivos agrícolas e sementes geneticamente modificadas.

Os novos métodos de agricultura obrigaram o homem a acrescentar aos seus antigos instrumentos de trabalho, enxada, machado, foice e arado, a tecnologia inovadora do momento. O uso de maquinário e implementos agrícolas é a base, tecnicamente fundamental.

Além das máquinas, o agricultor se familiarizou também com os métodos de logística. Preparo do solo, controle de pragas, irrigação, drenagem, transporte, armazenamento e, sobrtudo comercialização.

Por ser um país de clima tropical, com pouca chuva, o agricultor do Nordeste e do cerrado, é apegado à agricultura de sequeiro. A agricultura de sequeiro é a técnica agrícola recomenda para terrenos castigados pela estiagem. Com escassas chuvas.

Aliás, o nome sequeiro se refere a terreno seco. Além do sertão nordestino e do cerrado do Brasil, os africanos e os fronteiriços entre os Estados Unidos e México, também costumam explorar a agricultura de sequeiro. Agricultura abundante, frágil, temporária e com pouca rotatividade de culturas e uso de estrume.

Longe de rios, esquema que dificulta o sistema de irrigação artificial, muitas regiões do Nordeste sofrem para manter uma agricultura saudável e rentável. Ao contrário da agricultura de brejo, muito comum no estado de Santa Catarina e nos países asiáticos.

Com a agricultura de brejo é comum o uso de técnicas de produção, produtividade e, especialmente, diversidade de plantio. O motivo, são as áreas úmidas e subúmidas.

Mas, apesar de não contar com irrigação, a cultura de sequeiro satisfaz, especialmente no cerrado. Dá pro gasto.

Minas Gerais descobriu a mina de ouro com o plantio de trigo, depois que passou a empregar o manuseio de novos conhecimentos e pesquisa. Com a expansão da área de trigo, a projeção de tempos melhores, incentiva a classe.

A inovação de tecnologia para o produtor e assistência técnica é outro fator encorajador. Segundo estimativas, calculam que em 2027 o estado mineiro possa estar utilizando 232 mil hectares, somente com o plantio de trigo.

Um dos maiores problemas do agricultor permanece no esquema água. A crise hídrica vem se agravando a cada ano. A amargura do homem do campo é ver rios e barragens secando. Na opinião de especialistas, o caso é normal. Faz parte do ciclo hidrológico. Um ano é tempo de seca. No outro, o inverno é pesado. Com chuvas intensas.

Na verdade, houve um tempo que a seca foi uma constante no interior do Ceará, cujo reflexo foi a redução de área plantada. Em 2010, por exemplo, a estiagem no solo cearense prejudicou bastante a safra de grãos de sequeiro.

Porém, a Agência Nacional de Águas (ANA) nutre boas perspectivas para agricultura, especialmente a irrigada. Pelo menos, um dado é comprovado. Em termos de irrigação, o Brasil se encontra na fila de países em destaque.

Em 2017, os 6,95 milhões de hectares de área produtiva, mais o excelente potencial de crescimento, apontam que o país segue no mesmo caminho de monstros sagrados da agricultura mundial, como Estados Unidos, Paquistão e Irã.

O estudo se baseia em alguns comprovados fatores: a disponibilidade hídrica e o aumento de áreas desmatadas para suportar a agricultura de sequeiro e de pastagens.

O arroz é cultivado em todo o Nordeste, particularmente no ecossistema de sequeiro ou em terras altas. O problema é justamente a baixa produtividade e a baixa qualidade dos grãos plantados, embora o arroz seja o cereal mais presente na dieta alimentar de metade da população mundial.

Nesse ponto, o Brasil tem obtido honrada posição, depois da China, Índia, Indonésia, Bangladesch, Vietnam, Tailândia e Myanmar. Internamente, a cultura do arroz ocupa o terceiro lugar no volume da produção de grãos. Só perde para o milho e a soja. A glória, deve-se ao melhoramento genético do grão.

Outro grão em evidencia é o amendoim. A fama da leguminosa centraliza-se na sua importância socioeconômica e alimentar nordestina. Por isso, e muito consumido na América Latina, África e Ásia. A cultura é bastante indicada para as áreas de sequeiro e de irrigação.

E pensar que a agricultura no início do povoamento nordestino não passava de uma atividade voltada exclusivamente para o lado alimentar, energético e econômico da Região.

No semiárido, então, as terras eram divididas com culturas sazonais. Um período era dedicado ao cultivo de grãos e no outro a preferência era para as pastagens. Alternando plantio de grãos e pastagens, o agricultor sabia se virar.

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