PERCIVAL PUGGINA

Os números divulgados por pesquisas eleitorais influenciam a realidade. Saber em que proporção representam a posição dos cidadãos poderia, muito bem, ser uma das 12 penitências de Hércules. Requer esforço sobre-humano do qual me declaro incapaz. No entanto, sinto-me habilitado a afirmar que se as pesquisas mais recentes expressarem algo próximo da realidade, temos duas opções :

1ª) a maioria do eleitorado brasileiro é um fenômeno parapsicológico, cuja opinião e cujo querer só pode ser captado por pesquisadores dotados de poderes supranormais; ou

2ª) esses eleitores viraram argentinos (que é a hipótese menos absurda).

Os brasileiros conservadores já deveriam estar acostumados ao fato de que as pesquisas erram e erram feio. Até quando colhidas em boca de urna. Já deveriam saber que muitas delas são a própria campanha eleitoral fora do período eleitoral.

Os números anunciados pelas emissoras de TV são o palanque, e os comentários são os comícios nestes meses que antecedem o início das campanhas propriamente ditas. Em alguns casos, como nas análises da Globo em relação às avaliações do governo Bolsonaro, quase se ouve o espocar dos foguetes.

É absurdo imaginar que essa maioria identificada pelas pesquisas, outrora formada por ruidosos militantes, tenha emudecido, cravado facão no toco, decidido votar em Lula e quer, literalmente, que tudo mais vá para o inferno. Esse notável movimento de massa faz, em silêncio, aquilo que os argentinos fizeram com mais ruído, encaminhando a nação vizinha para acelerada venezuelização.

O sujeito oculto dessa revolução ou o objeto oculto de sinistra manipulação vestiu terno, colocou gravata, ajeitou o cabelo e isso, em nada contribuiu para dar-lhe um ar de gente séria. Na Europa, Lula tem sido paparicado pela esquerda que vê nele a possibilidade de retomar o poder e restaurar a hegemonia que tão caro custou e continua custando ao Brasil.

A maioria do eleitorado não pode votar em Lula e, ao mesmo tempo, querer liberdade, defender princípios e valores morais, proteger a instituição familiar e a inocência da infância, desejar o combate à corrupção e o fim da impunidade…

5 pensou em “SEGUNDO AS PESQUISAS ELEITORAIS, OS BRASILEIROS VIRARAM ARGENTINOS.

  1. Puggina mais uma vez certeiro em sua análise. A depender das pesquisas teríamos Haddad no governo. Estaríamos um passo à frente da Argentina rumo ao caos total.

    Realmente 2022 será para quem coração forte.

    O Sistema deve estar pensando: se nos EUA conseguimos com um velho gagá, aqui será com um velho ladrão.

  2. Tenho dificuldade para compreender pesquisas. Perdoem-me, sou de humanas, tenho dificuldades com números.
    Mas, quando vejo gráfico de pesquisas, em plena campanha, com um candidato saindo de 8 ou 10% da preferência do eleitorado, e subindo a mais de 30% até a eleição, enquanto outro toma o sentido contrário, pergunto-me: foram entrevistadas as mesmas pessoas em cada coleta de dados?
    Porque, na minha imaginação de leigo (e de humanas), se colho a opinião de 1.000 pessoas hoje, e a opinião de outras 1.000 pessoas amanhã, a respeito dos candidatos A e B, é perfeitamente possível que A tenha a simpatia de 400 do primeiro dia e de 600 no segundo dia.
    Tal resultado significaria uma mudança de opinião das pessoas? Parece-me que não.
    Sim, eu sei que há toda uma técnica, amostragem, etc.
    Mas isso não muda um fato: se as pessoas entrevistadas são outras, alterações de resultado não significam mudança de opinião; nem tampouco resultados idênticos significam que as opiniões foram mantidas.
    A partir desse meu raciocínio tosco (de um sujeito de humanas, que nada sabe de estatística), posso concluir que as pesquisas estão erradas? Não posso, não devo e não chego a tal conclusão.
    Mas daí a crer que os eleitores ficam mudando de opinião durante uma campanha vai uma distância.
    No microcosmo do meu círculo de amigos e familiares, nunca vi ninguém terminar julho dizendo que votará em um candidato e chegar a outubro defendendo a candidatura de outro. Salvo casos em que a pessoa recebeu alguma vantagem ou promessa pessoal, mas essas são exceções que confirmam a regra.
    Acho que sou um tanto negacionista de pesquisas eleitorais. Independentemente, repito, independentemente da tendência que elas apontam.

  3. Eu acredito em Papai Noel, mas não acredito em pesquisas do “consórcio” GROBO/FÔIA/ESTADÃO e demais jornais de TODO o Brasil. Lembro das pesquisas deste institutos que diziam que o Capitão em 2018 perderia em um “provável” segundo turno, até para o Darciolo, agora o ladrão de nove dedos, ganha no primeiro turno, afirmo, apesar das urnas “invioláveis”, Bolsonaro ganha fácil. Pesquisa feita em porta de cadeia, com certeza, só dá Lula.

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