A PALAVRA DO EDITOR

O maior desafio da saúde pública é estar preparada para prestar um bom serviço à sociedade. O Objetivo é prevenir doenças, prolongar a vida, garantir a saúde física e mental ao indivíduo.

Neste aspecto, a Organização Mundial de Saúde é enfática. Compete ao Estado promover o bem-estar físico, psíquico e social da população, estruturando um serviço médico capaz de evitar a propagação de doenças.

Infelizmente, só quem não percebe o fio da meada, quem não pescou a ideia da OMS é a classe política. Essa, gosta de ser merecedora da melhor assistência médico/hospitalar para si e familiares, mas se esquece do povo que lhe consagrou o voto nas urnas. Concedeu-lhe outro mandato por mais um período para não fazer nada de proveitoso em retribuição ao eleitor.

Com a Constituição de 1988, surgiu o Sistema Único de Saúde (SUS). A finalidade do órgão é melhorar a assistência médica nacional. A ideia do SUS apareceu com o movimento da Revolução Sanitária, elaborado no ano de 1970.

Trintão, pois completou 30 anos em 2018, o SUS veio preencher uma lacuna no sistema de saúde brasileiro. Mas, apesar da boa vontade, é cheio de falhas por conta da inexpressividade de gestões.

Quando a ditadura tomou conta do Brasil, em 1964, rolava nas ruas, muitas manifestações exigindo uma série de reformas que as classes dominantes rejeitavam. Faziam questão cerrada de neutralizar os protestos. Não queriam de forma alguma fossem feitas as reformas sonhadas pela sociedade. O medo de enfrentar as possíveis consequências negativas das reformas, deixava os gestores temerosos. Acovardados.

Indisposta com a negatividade reinante no país de então, a sociedade tomava as ruas para gritar, reclamar contra o desânimo, o abatimento econômico, a carência de progresso e a falta de iniciativas para desgarrar as atividades da lama em que se encontrava afundada.

Para os manifestantes, o país precisava garantir um futuro melhor para a população, faminta de desenvolvimento, de evolução, inclusive de melhor situação social. Mas, para sair do marasmo, o melhor caminho era através de reformas.

As mais solicitadas eram a reforma agrária, a tributária, a urbana e, especialmente a reforma sanitária. Pro brasileiro de hoje constatar que as reformas tributária, urbana e sanitária não são novidades, são projetos antigos. Sempre empurrados com a barriga para depois. E assim, permanecem até o momento. Cheios de deslizes, desde a década de 80.

Anseios antigos do brasileiro que presidente algum do pós regime militar teve peito de encarar. Teve coragem de mexer os pauzinhos. Muito pelo contrário, todos, sem exceção, preferiram empurrar o problemão para o substituto, que por sua vez, passava o caso à frente. Por isso, ainda hoje a sociedade clama por essas mesmas reformas que, parece, agora vão rolar.

No campo da saúde, então, o panorama era de desigualdades. O lado ruim da história registra que em 1973, a mortalidade infantil barbarizou. Em 1961, corriam 60 óbitos dentre mil nascimentos. Doze anos depois, o número de mortes de crianças pulou para 90 no quadro de mil crianças nascidas vivas.

Um dos motivos do crescimento do registro de crianças mortas devia-se à desarrumação dos serviços de saúde do país. Enquanto as classes de pessoas de maior poder aquisitivo usufruíam de maior assistência, as das camadas mais pobres sobravam. Eram vítimas diretas de doenças infecciosas. Situação quase parecida com a atualidade, onde as filas nos hospitais e postos de saúde são quilométricas. Retrato das filas do SUS, da atualidade.

Um fato é claro. A partir de 1920, umas poucas categorias de trabalhadores eram privilegiadas. Os ferroviários e os marítimos recebiam dois bons benefícios. Assistência à saúde e aposentadorias.

Tempos depois, outras categorias foram inseridas nesse contexto. Em 1966, surgiu o INPS-Instituto Nacional de Previdência Social, que foi substituído em 1974 pelo INAMPS-Instituto de Assistência Médica da Previdência Social. Foi a partir do funcionamento desses dois órgãos que o trabalhador, com carteira assinada, passou a ter acesso a consultas, exames e cirurgias.

Mas, como a assistência era precária, nesse período, começou a surgir os planos de saúde. A classe média, então, teve de pagar para ter direito a uma assistência hospitalar prestada pelas unidades universitárias. Essas unidades, atendiam indiscriminadamente as pessoas doentes, mas como indigentes.

Num ponto, o regime militar funcionou muito bem. Estimulou a privatização. Os médicos começaram a se capitalizar para constituir as suas empresas de saúde, melhor aparelhadas para dar assistência geral à sociedade. Embora nessa época, mais da metade do trabalhador brasileiro recebia apenas o salário mínimo, e quando muito não passava de dois salários mínimos.

Como a contribuição pública é diminuta, a assistência médico-hospitalar fatura os tubos. Daí sobrar muito pouco para o lado da assistência prestada pelo governo, particularmente o federal. Tido com péssimo administrador dos interesses coletivos.

Embora o SUS tenha surgido a partir da imitação do sistema europeu de assistência médica pública, no Brasil, o Sistema Único de Saúde vive atrapalhado. Rastejando. Desagradando a quem dele necessita. Impondo filas intermináveis aos necessitados. Aumentando o sofrimento do povo com as doenças. Embora, a duras penas, resolva metade dos diversos problemas da saúde pública brasileira.