CARLOS BRICKMANN – CHUMBO GORDO

Chegou a hora: quatro meses de trabalho e alguns bilhões de dólares de investimentos estão a ponto de colocar a Covid 19 nas cordas. As vacinas da Pfizer, da China e do Imperial College de Oxford já entraram no teste final: são seguras, não apresentam efeitos colaterais significativos, provocam a criação de anticorpos em seres humanos; outra vacina chinesa, a SinoVac, desenvolvida em cooperação com o Instituto Butantan, entra hoje na fase final, com nove mil pessoas testadas no Brasil. Todas, até agora, demonstram eficácia semelhante, por volta de 96%. Correndo tudo bem, a vacinação em massa pode começar em novembro. Se houver contratempos, em janeiro.

Qual vacina? Tanto faz: a poliomielite é combatida por duas vacinas, a pioneira Salk, com injeção, e a Sabin, com a gotinha. Boa parte do mundo optou pela praticidade da Sabin. A Suécia optou pela Salk. Uma curiosidade: na pesquisa de duas das quatro vacinas, há brasileiros. A SinoVac coopera com o Butantan; o Imperial College tem, entre os líderes, o brasileiro Pedro Folegatti, responsável pela segurança de quem recebe a vacina no teste.

Haverá vacinação pública em seguida, pois a fase industrial está pronta para começar. A Pfizer promete um bilhão de doses – mais ou menos o mesmo que a AstraZeneca deve produzir da vacina do Imperial College. O Butantan já fez a venda de cem milhões de doses para o Governo paulista, que também negocia a compra da vacina inglesa em quantidade semelhante.

Degrau em degrau

Claro que não chegarão bilhões de doses ao mercado ao mesmo tempo. É de se esperar que a vacinação comece pelo pessoal da Saúde, mais exposto. Depois, os grupos de risco. A partir de certo ponto da vacinação, o risco de contágio irá se reduzindo, cada vez com menos espaço para a reprodução do vírus. E teremos mais duas pesquisas: uma, dos vacinados, para descobrir se a imunização é ou não permanente; outra, se o novo coronavírus é mutante o suficiente para, como no caso da influenza, exigir vacinas modificadas ano a ano, acompanhando as mutações do vírus. Mas, perto do que temos hoje, é moleza. Pense em como será bom sair de casa e abraçar de novo os amigos!

Calma no Brasil

Existe mundo além da política. O título da coluna, por exemplo, nada tem com política. E que ninguém fique imaginando que as vacinas chinesas vêm carregadas com substâncias que, daqui a alguns anos, provocarão doenças. As vacinas ou serão aprovadas pela respeitadíssima FDA americana ou serão rejeitadas pela maior parte do mundo. E, sejam de qual nacionalidade forem, só entram no Brasil após aprovadas pela Anvisa, órgão federal presidido pelo contra-almirante Antonio Barra Torres, nomeado por Bolsonaro, formado em Medicina, com residência em Cirurgia Vascular no Hospital Naval Marcílio Dias e trabalho na Santa Casa do Rio, Centro de Perícias Médicas e Centro Médico Assistencial da Marinha. Chega de teorias conspiratórias.

Ministério da Saúde

O General Cloroquina continua ministro e continua cloroquinando. Sabe aquele presente de Trump, dois milhões de doses de hidroxicloroquina? A Novartis, uma das maiores indústrias farmacêuticas do mundo, enviou um milhão a mais, outro presente. As três milhões de doses de hidroxicloroquina vieram em frascos de cem comprimidos, e a ideia do general é dividi-la em caixas com seis comprimidos de 400 mg ou 12 de 200 mg. É a dose que, sem trocadilho, será generalizadamente entregue às pessoas em tratamento, seja qual for sua idade, sexo ou peso. Dividir doses de remédio é mais complexo do que parece: a quantidade tem de ser embalada em caixas específicas e sem contato com o ambiente externo, tudo supervisionado por farmacêuticos.

Isso tem custo, que o General Cloroquina quer repassar aos Estados. Só?

Não! Tanto as doses doadas pela Novartis como pela Casa Branca são de fabricação da Novartis. E a Hidroxicloroquina Novartis não tem registro no Brasil. Que diz a empresa? Que “não endossa” o uso de nenhum de seus produtos fora do que está previsto na bula. Só que a bula não toca nisso. Quem sugere a hidroxicloroquina é o protocolo baixado no Ministério da Saúde pelo ministro, general Eduardo Pazuello, por ordem do presidente.

A História se repete

Lembra de “Caixinha, Obrigado”, sucesso de Juca Chaves há 60 anos? Tinha um versinho ótimo, “e até da bola nós já temos general”, referindo-se a Paulo Machado de Carvalho, o Marechal da Vitória. O Brasil progride: hoje, “até da bula nós já temos general”.

Serra na mira

A denúncia da Polícia Federal tem muito caminho pela frente, pode ser ou não aceita, mas impressiona a dureza da acusação: “no topo da cadeia criminosa”. E liga Serra a José Seripieri Jr., fundador da Qualicorp, de planos de saúde coletivos, que tem histórico de favores a quaisquer governantes. Se a turma do “deixa-disso” demorar a agir, o ataque a Serra vai seguir pesado.

5 pensou em “SAI, PESTE!

  1. Sr. Carlos, Veja este estudo científico apresentado pelo sito 4 MEDIC, especializado em medicina em 13/07/2020:

    https://noticias.4medic.com.br/ciencia-prova-eficacia-da-hidroxicloroquina-no-tratamento-inicial-de-covid-19/

    “O tratamento com hidroxicloroquina reduziu significativamente a taxa de mortalidade em pacientes hospitalizados com COVID-19 – sem efeitos colaterais relacionados ao coração, de acordo com um novo estudo publicado pelo Henry Ford Health System.”

    Este estudo acaba com a falácia argumentativa de que a Cloroquina é uma invenção do JB junto com o Trump.

    O Sr. Carlos, de forma jocosa já usa até um apelido para o General Pazuello, que vem fazendo um trabalho exemplar no MS: general cloroquina.

    Quando não se pode atacar o argumento ou o trabalho da pessoa usa-se o argumento ad hominem, contra a pessoa. Chamar de general cloroquina é um exemplo desta baixaria.

    Quanto à vacina, as notícias dão conta que a aplicação da mesma seria logo. Outra fake news. Não será aplicada massivamente antes de 2021.

    Sr. Carlos, já dissestes que já fostes processado pelo PSDB e pelo PT lá atrás. Isso não me interessa. Para mim o item “Serra na Mira”, parece uma passada de pano tremenda para o Serra. Foram descobertos 40 milhões de reais depositados na conta do mesmo e sua filha no exterior. O dinheiro está lá, o banco da Suíça confirmou o dono da conta. Isso é grave e o Serra terá que explicar isso na justiça.

    Serra foi denunciado pela Odebrescht (apelido vizinho), pelo Paulo Preto e estava sim no topo da organização. Gilmar Mendes deve estar preocupado, ontem já deve ter movido os pauzinhos para o Tóffoli desautorizar mandato da PF do TSE- SP no senado.

    Mais uma vez com relação à hidroxicloroquina. Não é JB ou o Gen Pazuello que estão indicando o uso da medicação. A Associação Médica Brasileira disse que é atribuição do Médico decidir isso, junto com o paciente, que terá que tomar ciência de se tratar de uma medicação experimental. É óbvio que em sendo experimental não virá na bula a indicação para o tratamento da Covid-10 que é uma doença nova.

    • Veja os números. No meio de uma pandemia que matou mais de 80 mil brasileiros (pelo menos vocês, fundamentalistas bolsonários, pararam de dizer que estavam enterrando caixões vazios), o General Cloroquina não liberou nem 1/3 das verbas disponíveis. E liberar verbas não quer dizer roubar: basta liberá-las e acompanhar sua utilização. E por que General Cloroquina? Porque assinou um protocolo que seus antecessores médicos se recusaram a assinar.
      Mas, se por acaso, que o Senhor não o permita, você ficar doente – resfriado, gripezinha, dor no ciático, unha encravada que infeccionou – é livre para tomar cloroquina, hidroxicloroquina, quinino (tem na Água Tônica da Antarctica). Se o seu médico for contra, procure o general, uai.
      Quanto ao Serra, a denúncia foi feita, mas ainda não aceita. E já quer fuzilá-lo? Ou prefere, fundamentalisticamente, decapitá-lo? Mas o Queiroz você defende com unhas e dentes? Pois é. O Queiroz já disse que comandou a rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro. O que é preciso saber agora é: a) isso é crime ou não? b) caso isso seja considerado crime, Flávio Bolsonaro sabia ou não?
      Que houve a rachadinha, ele mesmo disse. O Serra falou alguma coisa sobre o dinheiro citado pelo Ministério Público? No momento em que ficar provado que o dinheiro era dele, aí a questão muda de aspecto: passa a ser como é que o dinheiro foi adquirido, se legal ou ilegalmente, e como foi transferido para o Exterior.
      Mas já entendi: quem viola o Terceiro Mandamento e usa o nome do Senhor em vão, para fazer propaganda partidária, deve ser perdoado por tudo o mais de que for acusado. Para os adversários, nem Sérgio Moro é suficiente.

  2. Gostaria de ver essa mesma valentia do colunista, demonstrada semanalmente contra o governo e seus integrantes, em relação o presidente do stf. Aquele que foi citado duas vezes na delação da odebreche, senda a última ha uns 15 dias. É um valente de picadeiro!!!

  3. Sr. Carlos,

    O General Pazuello liberou um protocolo que deixa nas mãos dos Médicos e a critério destes receitar ou não o uso do coquetel de hidroxicloroquina em pacientes com princípio de sintomas da gripe chinesa. Detalhe, com esclarecimento ao paciente de que é uma remediação ainda não 100% testada para uma doença nova e que tem apresentado resultados promissores onde foi aplicado o protocolo. A AMB – Associação Médica Brasileira aprovou tal protocolo.

    Não vou mais falar sobre o uso do Coquetel HCQ, pois de todos os meus argumentos, nenhum foi contestado. Reconheço que a bula do remédio não diz que o mesmo pode ser usado para o combate ao Covid (a doença tem cerca de 1 ano), como também sei que há resultados práticos positivos do seu uso. As redes hospitalares particulares que aplicaram o protocolo praticamente zeraram seus leitos de UTI.

    Eu sou fundamentalista bolsonarista fanático? Acho que sim, pois luto pelo direito À liberdade antes de tudo, da vida e da igualdade e dos direitos dos cidadãos.

    Gosto de ler e analisar opiniões contrárias as minhas e apresentar minhas divergências. Hoje entendo que alguns jornalistas de opinião aceitam debater, desde que que seja a favor das suas ideias.

    Tenho preferências, é claro, vou para o lado dos jornalistas de opinião “fundamentalistas como o “gagá” A. Garcia, o JR Guzzo, A Nunes, G Fiúza, C. Coppolla, E. Lacombe, P. Pugginna, Cláudio Lessa, dentre outros. Porém, gosto de entrar na opinião dos “isentos”, como V. Sa., M. Pereira, a V. Magalhães, E. Cantanhede, G Camarotti, G. Morroni (a que acha o A. Garcia gagá), M. Leitão, R. Noblat, R. Azevedo, C. Lobo, dentre outros.

    Entendo que jornalista de opinião precisa ter lado e estes que citei o tem, inclusive V. Sa.. Portanto quando os chamo de “isentos” é porque entendo que os Srs. se definem como tal, mas estão longe de serem imparciais.

    Ah, e falar do Queirós já cansou. Ele disse que fez sim rachadinha entre os seus pares no gabinete da ALERJ, que Flávio não sabia de nada e arrecadou cerca de 600 mil reais, o que entre entrada e saída deu 1,2 mi. É isso o que temos para hoje, Sra. Queirós teve prisão decretada por depositar os cheques na conta do marido.

    Tem mais alguma coisa aí ou meu “fundamentalismo” não me permite ver?

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