RODRIGO BUENAVENTURA DE LÉON - LIVRE PENSADOR

Há muito tempo cremos ser o Brasil o país do futebol. E, em que pese nossas atuações erráticas nas últimas competições relevantes e a própria CBF, o esporte bretão ainda é uma grande paixão nacional.

Por isso mesmo muitos comentaristas das cenas política e esportiva relatam, com surpresa, o fato da maioria dos brasileiros ter mais familiaridade com a “escalação” do STF do que com a escalação do escrete canarinho.

Um dos fatos é que na era Neymar, onde imprensa, “entendidos” de futebol e supostos ex-craques enxergam apenas o dito cujo como único craque e jogador da seleção, não resta muito pelo que torcer. Neymar é bom jogador, não mais que isto, não figura nem no terceiro time dos melhores jogadores brasileiros de todos os tempos, divulgado pela revista placar neste mês. O craque em firulas, quedas cenográficas e festa afastou o brasileiro da paixão nacional.

Futebol é esporte coletivo e não de uma estrela só, ainda mais quando a estrela não é tão estrela assim. A esperança de um milagre ainda existe, mas os 200 e poucos milhões de técnicos do futebol brasileiros, levaram sua torcida, esperanças, raiva e etc. para outra arena “esportiva”, onde o jogo é catimbado, os jogadores parecem sérios e o uniforme é preto.

Convenhamos que o Plenário do Excelso é tão zoado quanto um Estádio de Futebol de Várzea e, registre-se que na Várzea o jogo tem mínimas regras.
Analisemos então a atuação do nosso Supremo Time de Futebol Club (o S.T.F.C.) para não confundirmos com outro STF e não corrermos o risco de prisão.

O time tem onze jogadores, todos metidos a craque e celebridades. Como celebridades adoram farra, festa, holofotes, entrevistas, adoram estar com a bola. Festas são notórias regadas a Champanhe, Vinhos finos e lagosta, pagas pela torcida dedicada.

Seu palavrório é ininteligível, como discurso de jogador de futebol após o jogo, pensem e comparem:

– Nóis fez o que professor pediu e joguemos para dentro deles, tivemos a felicidade de fazer o gol e ganharmos a partida.
Do outro lado:

– O Pretório Excelso, esta colenda Corte, há que considerar que o paciente não pode ser submetido a demasiada e excepcionante interpretação da Carta Magna…E, é gol do “paciente”.

As vezes nossos Pretórios Excelsos (bom termo para designar o escrete, eu sou áreo-cerúleo (torcedor do E.C. Pelotas), eles jogam no Pretório Excelso) se perdem nas palavras, tal qual o craque Valdomiro do S.C. Internacional que agradeceu a Antárctica pelas Brahma que lhe enviou após o jogo. E, que se emocionou ao chegar em Belém do Pará para jogo contra o Paysandú, segundo suas palavras era muita emoção estar na terra onde nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo.

O time tem onze jogadores, uniforme, assessoria de imprensa, torcida e cartolas. Tem até mascote. Claro que não unanimidade sobre qual mascote, mas vamos convir que entre Rato, Urubu e Abutre, qualquer um dos animais é a cara do time.

Tem também celebridades na torcida e na Diretoria. Lula é o Presidente de Honra, Zé Dirceu nas finanças e celebridades do Congresso, da Mídia e das artes no rol de torcedores. Você pode encontrar um rol de torcedor célebres da equipe nas listagens de contemplados da lei Rouanet, nos prontuários da Lava-jato e no Jornais e Noticiários cotidianos.

Patrocinadores não faltam, mas dizem que a Odebrecht foi por muito tempo o patrocinador Master, mas há muitos outros, tudo bem guardado…segredo de estado, como dizem.

Ah! Os Cartolas! Eles decidem tudo, junto com os homens da mala preta. Lendários homens da mala preta, que traziam o “bicho” complementar pelo esforço de um resultado interessantes a outros times, seja este positivo ou negativo.

A diferença é que o S.T.F.C. acaba por substituir um dos times, após a devida reunião com os “patrocinadores” dos times e homens da mala preta.

E aí nossos craques esmerilham a bola. Defendem as togas, quero dizer as camisetas com muito afinco. Normalmente o jogo está ganho e de goleada. Claro que não é um jogo jogado, digamos, assim, dentro da regar do…jogo. Nosso time faz as regras, afinal eles são os donos da bola. Aliás é na bola que começa a vitória afinal cada um tem a sua bola e o jogo ocorre com onze bolas em campo e, como cada um é dono da sua bola, não vale para o adversário tentar ou sequer pensar em pegar a bola, senão é falta.

E falta eles marcam mesmo, afinal o dono da bola também é o juiz, não lembra dos jogos de sua infância na várzea, onde o dono da bola escolhia o time e quando estava perdendo pegava a bola e ia embora. Aqui o dono da bola é jogador, bandeirinha, reserva, treinador e juiz. Bate o escanteio, cabeceia, faz gol de mão impedido, verifica o VAR e marca o Gol. Ora bolas quem é este VAR para saber mais do jogo que nossos jogadores.

Claro que com onze bolas, onze estrelas , onze treinadores e onze juízes a coisa fica meio confusa as vezes. Confusa para você que não entende nada deste futebol, é claro. As vezes o time sofre um gol, marcado contra por um jogador do time. Gols marcados pelo adversário são sempre anulados por impedimento. Mas ao final tudo se resolve, seja numa goleada de onze a zero, seja num singelo 6 a 5.

Ultimamente, nossos craques têm tido problemas com a torcida. Ah, este povo ignorante que não entende nada de futebol e fica aí protestando, dizendo que foi impedimento, que o jogo ou o jogador estava vendido. Que afronta! Nosso time pugna pela legalidade, afirmam.

Resta a torcida fazer o que faz no campo, vaiar o time e xingar o juiz. Embora façam ouvidos moucos, qualquer reclamação mais acintosa é punida na hora, em campo cartão vermelho. E para a torcida prisão, afinal o dono da bola não pode ser contestado.

Vamos então, por fim, a escalação primorosa dos nossos Excelsos, que vão, hoje em qualquer campinho de várzea ou plenário defender os seus, os nossos interesses, ou serão os deles? Tanto faz, o que vale é a vontade do dono da bola.

Adentra o Campinho o escrete togado, os Excelsos, a frente o mascote “Urubulino” e, o homem da mala. O Presidente de Honra, Técnico, ex-ladrão (temporariamente), ex-presidiário (temporariamente…esperamos!) e escroque Molusco, escalou os seguintes craques para defender os togas pretas.

No gol Boca de Veludo, o homem é um fenômeno, dizem que não deixa passar nenhuma bola. Estava contundido, tinha levado uma bolada na cara, mas já está de volta.

Roqueiro na lateral direita, com seu penteado tipo Elvis, o Capitão do time não deixa barato, mas dizem que gosta mesmo de jogar é pelo lado esquerdo.

Na zaga Carmen Miranda (nosso time é inclusivo e misto) outro que é firme nas bolas. Diziam que andava prendendo muito a bola, mas agora soltou geral e qualquer um, inclusive o Molusco.

O Zagueirão Central e líbero do time é o Decano, mais antigo jogador. Em geral tem a mania de jogar contra o resto do time, dizem que é a idade. Controverso, ultimamente ao jogar contra o time tem angariado a simpatia da torcida. Mas de vez em quando dá uma bola fora.

Na lateral esquerda Vampirinho, com cara de assombração joga o jogo, mas as vezes assusta o adversário com uma saída incomum.

No meio campo temos 3 craques. Meia direita caindo pela esquerda (é aquele meia direita canhoto, sabem!?), Rôrrô. Jogador caladão nunca se sabe o que vai fazer com a bola, o que gera preocupação de todos os lados. O Técnico do time quando quer que faça uma jogada específica manda tirar o tubo do mentor espiritual do jogador e, dizem que este dá o recado.

No meio, bem ao centro, equilibrando-se no muro Piauí. Jogador novo no time, substituiu o Pavão de Tatuí. Foi contratado pelo novo Dono do time, dono que o time ainda não engoliu muito bem. Não se sabe ainda como joga o Piauí, resta esperar, mas os prognósticos não são muito animadores.

Na meia esquerda Tofinho, este não é craque, dizem que joga uma bola meia quadrada, mas como era amigo do antigo do dono do time e do treinador acabou contratado e escalado. Joga sempre de canhota e geralmente chuta a bola em rosca.

Mas é no ataque que o time se destaca. Na Ponta esquerda Leva. Ponta radical, daqueles que joga enfiado, na extrema esquerda. Também foi contratado e escalado por ser amigo do antigo dono do time. Dizem que já devia ter se aposentado, mas continua infernizando seus adversários na extrema esquerda do campo.

Na posta direita Beiçola, outro ponta enfiado. Ultimamente tem jogado mais a esquerda. Mas este é craque em segurar a bola e passar só para os amigos. Dizem que costuma soltar muito (pum!), por isso ninguém gosta de jogar perto, vá que o homem solte mais um.

E o centroavante é o cabeça de Ovo, cracaço, centroavante matador, uma das últimas aquisições do time, já mostrou a que veio. O homem não tem pena, sobrou na área mete no gol. Parece que estão querendo marcar um impedimento dele no VAR. Vai ser difícil.

Este é nosso timaço. Montado na medida para atender aos interesses dos outros donos da bola. E, para nós, a torcida, resta xingar o juiz e vaiar o time. Pelo menos enquanto pudermos fazer isto. Vá que os carques se incomodem e chamem o Uber Black para nós.

Mas um recadinho, mesmo na Várzea, Futebol tem princípios e regras, E, principalmente na Várzea, quando a torcida se revolta invade o campo e a porrada come, literalmente!

4 pensou em “S.T.F.UTEBOL CLUB

  1. Time de filho da puta. Só decepciona a torcida. Os caras não figuram nem na loteca porque só sabem vender o jogo. Essa porra é pior do que o Íbis, que já foi considerado o pior time do mundo.

  2. SENADOR DANIEL WEBSTER – (1782 – 1852) – Suas últimas palavras no Senado americano se transformaram em seu EPITÁFIO:

    “Manter-me-ei do lado da União (…) com total indiferença às consequências pessoais. O que são consequências pessoais (…) em comparação ao bem ou ao mal que pode recair sobre um grande país numa crise como essa? (…) Que as consequências venham do jeito que vierem, não me importo. Nenhum homem sofreu demais, e nenhum homem caiu cedo demais, caso ele tenha sofrido ou caído defendendo as liberdades e a Constituição de seu país.”

    SENADOR DANIEL WEBSTER – (1782 – 1852) – Suas últimas palavras no Senado americano se transformaram em seu EPITÁFIO:
    “Manter-me-ei do lado da União (…) com total indiferença às consequências pessoais. O que são consequências pessoais (…) em comparação ao bem ou ao mal que pode recair sobre um grande país numa crise como essa? (…) Que as consequências venham do jeito que vierem, não me importo. Nenhum homem sofreu demais, e nenhum homem caiu cedo demais, caso ele tenha sofrido ou caído defendendo as liberdades e a Constituição de seu país.”
    Daniel Webster foi um político estadunidense e senador por Massachusetts durante o período que antecedeu a Guerra Civil. Os pontos de vista cada vez mais nacionalista de Webster, e sua eficácia como um orador, fez dele um dos mais famosos e influentes líderes do Partido Whig do Segundo Sistema Partidário dos Estados Unidos, daquela época (1828-1854).
    Ele foi um dos conservadores mais proeminentes do país. Daniel Webster queria ver a União preservada e a Guerra Civil (Guerra de Secessão ou Guerra Civil dos Estados Unidos) evitada. Trabalhou intensamente para evitar que o regionalismo causasse uma guerra entre os estados do Norte e o Sul. Daniel Webster tentou três vezes sem sucesso ser eleito presidente dos Estados Unidos. Em 1957, uma Comissão do Senado escolheu Daniel Webster como um dos cinco maiores senadores do país com Henry Clay, John C. Calhoun, Robert La Follette, e Robert Taft.
    Daniel Webster morreu com os olhos fixos na bandeira tremulando no mastro do veleiro ancorado diante a janela de seu quarto.

  3. Eu morri de gargalhada com a narração! Nada como aquele velho estilo cifrado de escrita, zombeteiro, ácido, mordaz… Típico de um Gregório de Matos, de um “boca do inferno”.

    Texto épico e primoroso, excelentíssimo Léon.

Deixe uma resposta