ROTEIRO

É como diz o ditado popular. “Uma andorinha só não faz verão”. Então, tá na cara. Pensou em desenvolvimento, de jeito algum pode-se ignorar dois itens básicos. Investimentos e infraestrutura.

Investimento e infraestrutura são semelhantes a duas passadas que devem seguir unidas, grudadas, cadenciadas, como dois irmãos siameses. Uma complementando a outra porque se uma falhar, automaticamente a outra balança.

Pode desmoronar. Derrubar o mano, prostrar, travar tudo. No campo econômico, isoladamente, atividade produtiva nenhuma consegue seguir adiante, caso haja falta ou bloqueio em investimentos e em infraestrutura. Dois itens essenciais.

Investimento é um desembolso financeiro de terceiros, visando obter benefícios futuros. Pode ser injetado em pesquisa, tecnologia e em educação.

Infraestrutura é um suporte construído para suportar a base do progresso. Enquanto investimento pressupõe dinheiro, infraestrutura engloba estradas, portos, aeroportos, ferrovias, telecomunicações, centros de distribuição de produtos, de água, esgoto e de energia.

Cada país define o tipo de característica que deve focar nos investimentos. Os Estados Unidos são o país que mais investe no mundo. Em 2013, os americanos aplicaram US$ 450 bilhões, algo em torno de 2,8% do PIB americano, em pesquisa e desenvolvimento. Em seguida, vem a China, que se dedicou durante dez anos a investir pesado em desenvolvimento, priorizando a educação como ponto inicial.

De acordo com os planos chineses, está previsto a China aplicar quase metade dos investimentos na ciência básica. Área destinada a desvendar o interesse pelo conhecimento e respectiva aplicação no setor produtivo.

Com característica definida, o Japão especializou-se em investir na microinformática. A França na tecnologia da informática. Por isso possui um dos seis supercomputadores mais potentes do planeta.

Todavia, nem todos os países tem a sorte de saber investir com eficiência e determinação nas áreas de maior projeção de desenvolvimento. O Brasil é uma dessas desafortunadas nações que se perde no emaranhado de melhorias.

Por falta de atitudes, condições financeiras e reduzido conhecimento no campo científico a economia brasileira, muitas vezes, fica à deriva. Ao sabor dos ventos. Embora invista até bem em educação, mas o investimento é mal feito. Pessimamente aplicado. Por isso, obtém pouca repercussão. O impacto é quase despercebido.

O baixíssimo nível técnico brasileiro começa pela fragilidade do sistema educacional. Prossegue no nanico investimento no campo das pesquisas cientificas. Atualmente, em processo de bloqueio em algumas áreas. A negligência passa, inclusive passa pela falta de regulamentação da profissão de cientista. Aí, é evidente que a consequência natural da apatia em investimentos resulta obrigatoriamente em atraso tecnológico.

Aliás, em matéria de investimentos, a decisão praticamente fica restrita ao setor público. Até a década de 90, em função da pobreza da iniciativa privada, competia ao Estado, como o senhor do dinheiro, o direito de investir. Posteriormente, depois que surgiram as privatizações e as parcerias pública e privadas, as conhecidas parcerias PPP, os aportes de investimentos começaram a rolar com maior intensidade na parte das empresas.

No início, pintaram os primeiros indicativos de investimentos, derivados de contratos de concessões. Todavia, o balde esfriou em virtude das universidades públicas, consideradas os principais centros de pesquisa e produção cientifica nacionais virem se arrastando nos projetos por falta de recursos. Decorrentes de cortes no orçamento.

Por esta razão, o país anda super devagar na luta pelo progresso. Não tem qualidade no ensino, as empresas, atrasadas, somente agora pensam em descobrir o segredo da logística, como produzir melhor, de que forma produzir e distribuir com agilidade, utilizando a avançada tecnologia na fabricação. Patamar que os países mais industrializados, como Estados Unidos, China e Japão, dominam a técnica de produção há tempo. Via tecnologia de ponta.

Apesar de ter uma população superior a 200 milhões de habitantes, o Brasil segue em marcha lenta. Por causa de sofrível nível de produtividade, o país tem pouca participação no contexto produtivo mundial.

O incrível é que, embora detenha boas qualificações, possua extensa base territorial, tenha expressivo mercado consumidor, diversidade de recursos naturais, o país sente dois atropelos na caminhada do desenvolvimento.

Capital pouco utilizado e quando utilizado, é mal-empregado. Recursos humanos com péssimo nível de qualificação profissional. Por falta, justamente de investimentos no campo educacional. Na preparação de mão de obra.

Impressionante observar o desemprenho de três países. No século 19, o Brasil era um país rico. Competia em termos de riqueza com a Austrália e a Suécia. A causa da perda de desenvolvimento bate em dois pontos fundamentais.

Por falta de visão futurística, o Brasil preferiu especializar-se apenas na produção de produtos básicos. Esquecendo a formação do capital humano. Uma prova são os latifúndios dispensarem atenção somente na mineração e na agricultura.

E agora, arrependido, paga o pato pela insensata decisão. Resolução que varou anos e anos. Sem o povo se tocar no crime econômico cometido.

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