ROQUE NUNES – CAMPO GRANDE-MS

ELEIÇÕES E DESCONFIANÇA

Eu sempre digo que, em época de eleição, desconfiar primeiro do falatório de um político, é o caminho mais seguro para depois o cidadão não ficar chamando aquele sujeito que ele votou e foi eleito, de ladrão, corrupto e vagabundo. Digo isso pra “vassunces” como abertura daquilo que quero discutir: a caridade com chapéu alheio.

Aqui, na gloriosa Campo Grande/MS, a última vez que andei de ônibus a passagem estava em torno de R$ 4,25. Isso para fazer um trajeto que, em linha reta, dá, no máximo, 5 quilômetros. E ficava me perguntando porque era tão cara a passagem? Vamos igual a Jack, o estripador. Por partes

Há um conjunto de encargos, tributos, impostos e contribuições que incidem sobre a passagem e que elevam o valor da passagem, mas também há um conjunto de benesses que foi prometido e cumprido pelos políticos que elevam esse valor nos cornos da lua. Além da gratuidade para o idoso, temos aqui, a gratuidade para o estudante, não importando se este seja da Educação Básica, ou da Superior, se de escola pública, ou privada. A gratuidade é ampla. Além disso, não pagam passagem as pessoas com deficiência, policiais fardados, funcionários dos correios, presidentes de associações de moradores, e por aí vai.

As pessoas ainda não aprenderam que patrão, só é patrão em função de um detalhe simples: eles sabem fazer conta. E ao fazer essa conta, mandam a fatura para os demais botocudos que, não sendo organizados acabam pagando uma exorbitância, por uma caridade que não é caridade.

E aí, os curibocas ficam falando que é necessário dar acesso às pessoas à cultura, ao teatro, a eventos musicais, artísticos. Também concordo. Mas, não concordo quando esses mesmos curibocas veem com a lorota de que, para dar acesso, é necessário que alguns paguem apenas meia entrada. Ora, se tem alguém pagando a metade da entrada de um evento, certamente tem outro alguém pagando uma inteira e mais a outra metade que deixou de ser paga.

Ora, se considerarmos que a maioria das pessoas que vão a esses eventos podem pagar uma entrada inteira, por que essa “tara” pela meia entrada, pela gratuidade, pelo boca livre? Ora, não existe almoço grátis. Se eu estou comendo de graça, alguém está pagando pela minha boca livre.

E, o que mais me irrita é que aqueles que defendem a gratuidade, a meia isso, meia aquilo, são justamente aqueles que podem pagar uma inteira, mas como defender o bom, o belo e o justo é algo que não se contradiz, o privilégio vai se acumulando. E, o “seu” mané Preá, pedreiro, semi-alfabetizado, com uma renca de dez filhos, favelados, acaba pagando, quando sobra dinheiro para isso, uma inteira para si e para os filhos, para que aqueles que podem pagar uma inteira, só paguem a metade. E você argumentar que, se não houvesse esse tipo de safadeza de gratuidade, de meia isso, meia aquilo, o preço seria mais baixo para todos, não convence esse “exército de Brancaleone” do belo, bom e justo.

E essa minha cisma vale também para a passagem de ônibus. Tire essas gratuidades todas e o preço cai drasticamente. Deixe o poder público de ser guloso com essa infinidade de impostos e garanto que todos poderiam andar de ônibus, sem pesar no bolso de ninguém.

Mas voltando à vaca fria do primeiro parágrafo, tudo isso é resultado das ditas campanhas eleitorais, quando políticos saem prometendo gratuidade para isso, para aquilo e meio preço para isso e para aquilo. Lembrem-se: não existe almoço grátis. Quando alguém chegar até você e fazer esse tipo de promessa, desconfie sempre. Será o melhor caminho para você não desperdiçar palavras belas como ladrão, corrupto e vagabundo, para uma gentinha que não merece esses elogios.

2 pensou em “ROQUE NUNES – CAMPO GRANDE-MS

  1. Caro Roque, não tem como tirar sua razão e sua indignação. Cabe lembrar que o transporte público é uma concessão do estado e que se o empresário aceita é porque ele fez conta.

    • Então meu caro Maurício Assuero…. daí dá para ver que a safadeza está enraizada no cerne, não somente de político esperto e empresário que sabe fazer o “noves fora”, mas também na alma do populacho que não pode ver uma boquinha livre..

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