ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

A situação que vivemos atualmente foi magistralmente descrita por Charles Dickens, já na abertura da sua obra prima, “Um Conto de Duas Cidades”. É uma visão altamente premonitória! Dizia ele: “Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos, era uma época de sabedoria, era uma época de loucuras, era uma época de crenças, era uma época de incredulidades, era uma época de luzes, era uma época de escuridão, era uma primavera de esperanças, era um inverno de desespero, tínhamos tudo diante de nós, não tínhamos nada diante de nós, estávamos todos indo diretamente para o céu, estávamos todos indo na direção contrária”.

Estamos presenciando uma época em que questionar está sendo equiparado à traição. Emissão a opinião de que alguns atos são abomináveis aos mandamentos do Deus em quem acreditamos, mandamentos estes que serviram de base à nossa civilização já por alguns milhares de anos, foi transformado em blasfêmia e punível, portanto, com os maiores rigores possíveis da nova “Lei”. É uma época em que a simples declaração de que não concorda com atos e comportamentos altamente abomináveis, transformou-se em infração gravíssima, sujeitando o infrator a penalidades severas. Para isso, é inapelavelmente enquadrado em algum tipo de fobia.

Assim, antecipando-me a este frenesi fiscalizatório do comportamento e das crenças das pessoas, venho sugerir algumas novas formas de “Fobia” a serem definidas no código penal. Desde já, declaro-me altamente culpado de todas elas.

Resta apenas saber qual deverá ser a penalidade a que serei condenado.

1. Fobia de Imbecilidades;

2. Fobia de Estupidez;

3. Fobia de Ignorância;

4. Fobia de Canalhices;

5. Fobia de Ladroagens;

6. Fobia de Patifarias;

7. Fobia de Escrotidão;

8. Fobia de Boçalidades;

9. Fobia de Grossuras;

10. Fobia de Todos os Anteriores juntos, e ainda com explicação peremptória sobre tudo no mundo (Retrato perfeito dos políticos brasileiros, especialmente quando só tem 9 dedos).

11. Fobia de Viadagem escandalosa;

12. Fobia de Feminazis;

13. Fobia de Suvacos cabeludos (e outras partes assemelhadas);

14. Fobia de Assassinato de Fetos praticados pelas próprias mães;

15. Fobia de Tatuagens e piercings;

16. Fobia de Brincos em homem(?);

17. Fobia de Cabelo “Ninja” (aquele com coque no cocuruto, que é para o cara que estiver comendo-lhe o toba ter onde segurar durante o ato);

18. Fobia de Vulgaridades;

19. Fobia de Fanatismos;

20. Fobia de Arrogância;

21. Fobia de Prepotência;

22. Fobia de Indigência Mental;

23. Fobia de Infantilismo;

24. Fobia de Paternalismo Governamental;

25. Fobia de Extorsão Econômica Governamental;

26. Fobia dos nababos governamentais, eternamente mamando nas gordíssimas tetas que nós sustentamos;

27. Fobia de Demagogia;

28. Fobia de Cinismo Jornalístico;

29. Fobia de Cara de Pau;

30. Fobia de Roubalheiras;

31. Fobia de Impunidades;

32. Fobia de Políticos ladrões;

33. Fobia de Baba Ovos de Político Ladrão;

34. Fobia de Juiz Coiteiro de Político Ladrão (Especialmente se tiver boca de buceta);

35. Fobia de juiz estilo “Mad Dog”! Especialmente se tiver a cabeça de pica. Deveria ser “sacrificado”!

36. Fobia de Coitadismo;

37. Fobia de Vitimismo;

38. Fobia de Padre Comunista;

39. Fobia de Pedófilos e de quem defende pedófilos;

40. Fobia de Isentão;

41. Fobia de Analfabeto;

42. Fobia de Funk;

43. Fobia de Sertanejo Universitário;

44. Fobia de Forró Cearense;

45. Fobia de Controladores eletrônicos de Velocidade (Big Brother is Watching you!);

46. Fobia de Funcionário público que se acha o dono do país (Especialmente certos juízes carecas);

47. Fobia de Bolsa Qualquer Coisa (Agora, até para pano de boi);

48. Fobia de Cotas (de qualquer espécie)! Querem moleza? Peguem no pau de um velho!

49. Fobia de Petistas (esquerdistas em geral e comunistas em particular);

50. Fobia de Papo de Futebol;

51. Fobia de Discussão Sobre Políticos Ladrões de Preferência;

52. Fobia de Propaganda de comportamento sexual bizarro e aberrante em revistas, sites e programas de TV;

53. Fobia de “Movimentos” e “Coletivos” de qualquer espécie e natureza;

54. Fobia de Gente com Complexo de “Vira-Lata” e acusando os outros de preconceito;

55. Fobia de “Espíritos de porco” que torcem para o Brasil fracassar, só porque prejudica Bolsonaro;

56. Fobia de “Traidores da Pátria” que fazem questão de falar mal do Brasil pelo mundo afora;

57. Fobia da “Pedagogia do Oprimido, do Fudido, do Arrombado, do Chorão e do Lascado Invejoso;

58. Fobia de “Som de Carro nas Alturas, tocando músicas especiais para débil mental;

59. Fobia de Imbecis discutindo aos berros e em lugar público as questões mais imbecis imagináveis;

60. Fobia de Imbecil falando ao telefone sobre questões íntimas, em altos brados e em local público;

61. Fobia de Prostituta disfarçada de atriz, escancarando sua intimidade só para “causar” e aparecer;

62. Fobia de linguajar “politicamente correto”;

63. Fobia de perguntas retóricas, sinal indelével de estupidez. (Aí, o que é que acontece?)

64. Fobia do “dialeto” de chavões e lugares comuns esquerdistas (a nível de, enquanto tal, no âmbito de, “atores” em lugar de participantes, esferas governamentais, segmentos da sociedade…)

65. Fobia de pessoas que costumam se besuntar abundantemente com perfumes baratos e de cheiro fortíssimo;

66. Fobia de pessoas que se alimentam vorazmente e mastigando de boca aberta;

67. Fobia de crianças mal-educadas, que se intrometem do jeito que lhes dá na telha nas conversas dos adultos. Com licença, por favor e muito obrigado passou bem longe da sua educação;

68. Fobia de pessoas que falam dando frequentes “LAG” de maconheiro entre as frases. Aquelas paradinhas ehhhhhhh, hannnnnn, ahhhhhhhhhh entre as palavras e as frases, sinal inequívoco de pobreza de espírito;

69. Fobia de pessoas que falam “Tipo Assim” a cada minuto;

70. Fobia de viciados em celular que não conseguem sentar em uma mesa e ter uma conversa normal, sem que estejam constantemente consultando esta maquininha infernal;

3 pensou em “RÉU CONFESSO

  1. Dom Adônis Oliveira:

    HOMOFOBIA x HETEROMISIA

    Desculpe-me se escrevo algumas grosserias – e que (fique claro!!!) não me dirijo ao senhor, de quem (reconhecendo o seu vasto conhecimento) espero, humildemente, a sua abalizada opinião já que – pensando ter criado um beija-flor – posso ter criado um urubu.

    Portanto – se eu estiver errado – por favor, me corrija!!!

    É que não agüento mais essa “estória” de “homofobia” ser sinônimo de “ódio/raiva” dos “xibungos”, “sapatões” e “LGBTXYZs”.

    Digo isso, pois sou do tempo (iiiiiih, e como faz!!!) em que – por razões óbvias – se estudava (e como se estudava!!!), também, o grego antigo, nos 3 anos do chamado “Curso Científico” (que junto com o “Clássico” e “Normal”) era, a escolher, um dos oferecidos aos/às que iam fazer vestibular.

    Se não, vejamos:

    Fobos (em grego: φόβος (fóbos), MEDO, TEMOR) – Timor, na mitologia romana – é o deus do medo na mitologia grega, filho de Ares (Marte, na mitologia romana) e Afrodite (Vênus, também, na mitologia romana) e irmão gêmeo de Deimos (em grego: δαίμων (daimon), TERROR, PÂNICO)) e de Harmonia;

    Portanto, Fobos simbolizava o temor e acompanhava o pai nos campos de batalha, injetando nos corações dos combatentes inimigos a covardia e o medo que os fazia fugir, como se estivessem diante de um fantasma.

    Daí a palavra FOBIA, que os ignorantes – por não conhecerem a origem da palavra, nem um pingo de grego antigo – insistem na mentira (e que os “papagaios intiliquitualis” insistem em papagaiar ad nauseam atribuíndo-lhe o significado de ÓDIO, RAIVA.

    Homo (prefixo – do grego antigo ὁμός (homos)) significa “IGUAL”.

    Hétero (prefixo – também, do grego antigo έτερος (héteros)) significa “DIFERENTE, NÃO IGUAL”.

    A propósito a sua pronúncia é “hétero” e não “hetero” – que se conserva mesmo nos derivados.

    Logo, “homossexo” (“sexus” (sexo) do latim), significa o sexo entre iguais (homem com homem, mulher com mulher), e “heterossexo” é o sexo entre diferentes (homem com mulher).

    Daí os adjetivos/substantivos “homossexual” e “heterossexual”, e outros derivados afins.

    Por isso, querer que “homofobia” seja “raiva, ódio aos homossexuais” é uma idiotice descomunal e uma ignorância sem paralelo, que – como já disse – é papagaiada ad infinitum pelos “papagaios intiliquitualis”, que não têm noção da influência do grego (e nem sabem de grego antigo) nas mais diversas línguas do mundo, inclusive na nossa.

    Então – dirão os/as que estão achando que eu me “acho” como “o único com o passo certo” – “homofobia” quer dizer o quê?

    Simples: “homo” (igual) e “fobia” (medo, temor), isto é o “medo/temor dos/das iguais” (a ele/à ela) seja no que for, inclusive no sexo.

    Nunca, jamais “raiva/ódio aos/às diferentes”, também, seja no que for, inclusive no sexo.

    “Raiva/ódio” no grego antigo é “μισώ” (misó).

    E “mulher” é “γυνή” (gyné).

    Daí o porquê de “misogenia”, ou seja, “ódio/raiva das mulheres”.

    Como “hétero” é “diferente/não igual”, a totalmente mal empregada palavra “homofobia” tem que ser “HETEROMISIA”, isto é, a/o “raiva/ódio dos/das diferentes” e nunca, jamais isso que andam “papagaiando” ad nauseam et infinitum os “peritos”, “estudiosos” e toda a “mala suerte” de “sábios da Grécia”, inclusive do judiciário – que pululam por aí.

    Se eu estiver errado, repito, por favor, faço questão que me corrija.

    Se não, acredito que os/as homossexuais – pelo menos!!! – merecem que o crime que cometem contra eles/elas tenha o nome certo.

    Para finalizar (e para os/as que têm curiosidade e/ou querem criar palavras novas (“neologismos”), em português) – já que tanto falei em ódio, raiva, temor, medo – a palavra “AMOR”, no grego antigo, tem 3 traduções:

    ÁGAPE (“ἀγάπη” (agápē)) que quer dizer “amor incondicional” – de Deus para a humanidade, da mãe ou do pai para o filho, entre irmãos, enfim um amor desde o mais humano até o maior, o divino;

    ÉROS (“ἔρως”(érōs)): “amor, desde o romântico ao sexual”;

    PHILIA (“φιλία” (philía/filia)): “amor-afeto/amizade”.

    Tenha uma ótima semana,

    E um baita abraço,

    Desde o Alegrete – RS,

    Adail Augusto Agostini.

  2. Caro Adail,

    Muito obrigado pela brilhante explanação.

    Considero fundamental que pessoas com o teu embasamento cultural tentem manter um pouco de racionalidade nos debates(?) tão imbecilizantes dos tempos atuais.

    Quanto a mim, utilizei o temo fobia na acepção vulgar atualmente adotada, ou seja: de raiva, ódio, nojo, e por aí vai…de modo a facilitar a compreensão da mensagem que desejava passar, sem entrar nesta análise etiológica da mesma, já que este processo de transmutação do sentido das palavras ao longo dos tempos é algo que considero natural e até saudável.

    Digamos que escrevi o texto em português “Vulgata”. ahahahahahah

  3. Texto de Adônis com aula de Adail. Por essas e outras que Sancho não perde nenhuma postagem que BERTO manda ao ar nesta gazeta muito mais do que escrota.

    Ah, JBF, se todos no mundo fossem iguais a VOCÊ.

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