CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

A Rua da Guia, local do Cabaré de Zulmira, maior puteiro do Recife

Fico sempre a matutar com a capacidade que algumas pessoas possuem de dar respostas precisas. Durante algum tempo selecionei algumas, num caderno para mais adiante escrever sobre o assunto.

E, novamente, graças ao Ibope que minhas crônicas têm merecido de generosos leitores, volto ao tema que enfoca respostas na bucha, capacidade rara de alguns.

Nos idos de 1940 as famílias ainda tinham direito a ter Secretárias Domésticas, às quais eram conhecidas por “Empregadas”. Mamãe era rigorosa nas admissões e não lhe escapava a entrevista prévia.

Certa feita se apresentou, sem recomendação, uma sacripanta ainda nova, de uns 20 anos mais ou menos. D. Alice já não gostou da cara da sujeita. Descabelada, de chinela de vaqueiro, bico do peito quase à mostra.

Mas mandou-a sentar-se no terraço e soltou os verbos indagativos.

D. Alice – Minha filha, você ainda é moça?

Judite – Olhe dona, já perdi meu cabaço há tempos!

Continuando o “questionário”, que era exigido pra começo de conversa, mamãe entrou de sola, na segunda fase. Já com um pé atrás.

D. Alice – Moça, você já teve gonorreia?

Judite – Que eu me lembre não!…

Mamãe, muito ladina, desejou fazer um exame superficial na “camarada”. Pediu que levantasse um pouco o vestido a fim de verificar as pernas, pois notara que havia sinais de “pereba recolhida”, várias manchas escuras.

Tais lesões indicavam claramente sinais de alguma “4ª. Venérea”, a doença infernal que fizera o Recife ter a fama de se tornar conhecida como: “Recifilis, a Venérea Brasileira”. Lá veio a pergunta-bomba:

D. Alice – E essas manchas, o que são mesmo?…

Edite – Ah, minha dona, os “home diz” que é “medalha de bom comportamento”.

D. Alice – Quem lhe deu tanta “medalha” minha filha?

Edite – Trabalhando como “quenga”, lá em Zulmira.

4 pensou em “RESPOSTAS EM CIMA DA BUCHA

  1. Esses colunistas fubânicos maravilhos (como o señor Carlos Eduardo) nos fazem cair no diz-que-diz da história, nos textos apócrifos que autores como Sancho nunca sonharam escrever, na vida que passa e a gente nem V.
    O Quixote Véi di Guerra já deixou, num passado bem distante, marcas de pneu na “famosíssima rua da Guia e no bem frequentado e respeitabilíssimo Cabaré de Zulmira. Sancho ia lá “caçar mariposas”, mas, (bendita cumplicidade masculina e prazeroso mas), entre uma quenga e outra, esbarrava em alguns fubânicos amigos desta gazeta (nem às paredes confesso). A gente era jovem, muito jovem e jovens mancebos não sabem administrar muito bem suas “duas” cabeças. (“Tudo o que os jovens podem fazer pelos velhos é escandalizá-los e mantê-los atualizados.”George Bernard Shaw)

  2. Sancho amigo. Na verdade, quando comecei a trabalhar no City Bank, tinha apenas 15 anos e era donzelo de carteirinha. Quando o Banco fechava, às 18h20 as mariposas começavam a exibir seus dotes, como legítimas garotas-propagandas do farto material disponível na Zona. Foram-se os anos e continuei selado até o casamento. Mas, de putaria entendo, porque muito vi e ouvi falar, pois ali, praticamente na Zona da Rua da Guia vivi 30 anos de Bancos. Do único cabaré que conheci – o Chamntecler – só fui uma vez e pra dançar, para putejar, nada. Vou publicar uma crônica que já está pronta, que você irá se deliciar. Onde você reside, amigo? Informe pelo e-mail: santosce@hotmail.com

  3. Naturalmente ela temia que papai e eu, nas caladas da noite, nos “ajeitássemos” com a talzinha… Brigado pelo comentário.

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