ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

No meu primeiro texto “República do Lumpesinato” eu busquei demonstrar como em 2003 instalou-se um estamento de lúmpens que governou o país por quase catorze anos. Criou-se a lorota de que havia se chegado a vez da classe trabalhadora assumir o poder e criar uma república utópica fundamentada na ideologia marxista. Vendia-se a ideia de que se recuperaria o “paraíso perdido” para o capitalismo, e se voltaria a gozar as benesses da vida. O resultado foi roubalheira generalizada, rebaixamento moral do cidadão, desestabilização das instituições, criação e multiplicação de mendigos estatais, ataques à família, à religião e uma cupidez, uma tara insana em erotizar e perverter as crianças nas escolas.

Hoje eu quero discutir com vocês como essa república de lúmpens buscou destruir os fundamentos produtivos e econômicos do país, como uma estratégia de se sequestrar a sociedade, principalmente os mais pobres, dando em troca migalhas e farelos estatais. A estratégia em si não era de toda boba. E, se não fosse as lambanças do boneco de mamulengo que atende pelo nome de Dilma Rousseff, possivelmente teriam conseguido, e estaríamos vivendo em uma Venezuela em um país continental.

O caso dos ditos programas sociais é um exemplo cristalino dessa estratégia. O Bolsa Família – nome fantasia de programa de transferência de renda -, não foi concebido pela república lúmpen. Em verdade, foi a aglutinação de diversos programas de transferência que eram fragmentados em diversos ministérios: Bolsa Escola do Ministério da Educação, Vale Leite do Ministério da Saúde, Vale Gás do Ministério de Minas e Energia, entre outros.

Quando o presidente Lula assumiu em 2003, sua ideia, ao lançar o Programa Fome Zero era garantir uma segurança alimentar para uma parcela significativa da população que tinha restrição calórica. O mérito da ideia era muito bom, mas a estratégia era absurda e a intenção por trás dela era velhaca – se alguém tiver um pouco de paciência verá que o termo lúmpen também significa velhaco, como apontei no meu texto anterior -, pois não se buscava garantir comida na mesa de famílias vulneráveis, mas sim criar o mendigo estatal.

Lembro-me que, nessa época eu trabalhava dentro de uma secretaria estadual e era responsável por articular esses programas com a educação a fim de se garantir o cumprimento das condicionantes para que uma família pudesse permanecer nos programas. Quando participamos do desenho desse programa, vimos, desde o início que não daria certo, a forma como o presidente e seu ministro, o sinistro José Dirceu – o olhar desse sujeito dá medo, pois transpira rancor e ódio contra tudo aquilo que ele não pode tomar para si-, queriam. O governo federal desenhou uma estratégia de se arrecadar comida, fazer cestas básicas, que aqui na gloriosa Campo Grande chamamos de “sacolão”, e sair com caminhões distribuindo nas cidades, principalmente nas mais pobres do Norte e Nordeste. A estratégia era levar a imprensa para registrar o ato da entrega, com famintos carregando as sacolas com comida, nos ombros, enquanto a figura do Lula, estampada nos caminhões, se agigantaria sobre a pobreza.

A logística para executar o programa daquela forma era tão absurda que os custos só para mobilizar pessoal, transporte e coordenação tornariam o programa inviável. Lula queria reproduzir a estratégia utilizada por Hugo Chaves e Fidel Castro que mostravam na televisão um bando de famélicos carregando sacos de comida para casa, a fim de matar a fome. O mais interessante na Venezuela e em Cuba é que, aqueles que distribuem essa comida, são os mesmos que provocaram a fome e a pobreza de seu povo.

A república do lumpesinato, ao atacar a problemática social da população brasileira, em nenhum momento queria sanar o problema da fome e da carência nutricional. Sua intenção era capturar os famintos, miseráveis e pobres, pelo estômago e criarem uma situação política semelhante ao que o Partido Republicano Institucional (PRI) fez no México durante setenta anos: o resultado naquele país foi multiplicação da pobreza, aumento da violência, explosão do narcotráfico, organizações criminosas expulsando o Estado de diversas províncias, e por aí vai.

A estratégia do lumpesinato quase deu certo, como disse. As lambanças da presidANTA jogaram água fria naquela fervura. Mas, deixou sinais claros do enraizamento e reprodução do lumpesinato na sociedade. Lembro-me que quando voltei para a sala de aula tive alunos entre oito e dez anos que eram beneficiários do Bolsa Família. Neste ano de 2021, na mesma escola me deparei com aqueles meus antigos alunos voltando à escola para pegar declaração de matrícula dos filhos a fim de pleitear o mesmo benefício. Ou seja, o programa que, em tese, deveria ser temporal para que o cidadão vulnerável pudesse se reorganizar e voltasse a ser produtivo, tornou-se geracional.

Mas, uma coisa é certa, essa república do lumpesinato sabia muito bem o que estava fazendo. Quando eu pensava naquela estratégia evocava-me Napoleão Bonaparte na Campanha da Rússia quando dizia “Os exércitos marcham sobre seus estômagos”. Nada mais verdadeiro. Ao capturar os estômagos dos miseráveis e pobres do Brasil, a república lúmpen não queria que o cidadão buscasse sua autossuficiência em relação ao Estado, mas sim transformar outros cidadãos em lúmpens iguais a eles.

A estratégia de uso do Bolsa Família aliou-se a uma “satanização” de quem produzia, a uma “inveja destrutiva” daqueles que se construíram pelo próprio trabalho e pelo financiamento de “empresários parasitas” que, dada à sua incompetência oceânica, não sobreviveriam em um mercado aberto e competitivo, mas isso vai ser matéria de um terceiro texto.

No campo social a estratégia da república lúmpen deu certo durante catorze anos, pois se utilizava de mentiras e chantagens para se perpetuar no poder. Não intentavam tirar o pobre da pobreza. Era justo o seu contrário. Enquanto cevavam a miséria, buscavam destruir aquele que produz, gera emprego, renda e imposto, empurrando mais pessoas para a pobreza e para a miséria. Chegando lá, rapidamente buscavam agrupar dentro do programa social e incutiam a ideia de que seriam sustentadas pelo trabalho alheio para o resto de suas vidas e demais gerações: a quintessência do lumpesinato.

Todavia, como Napoleão, quebraram as fuças. O boneco de mamulengo do Lula tocou fora de compasso, expôs a roubalheira institucionalizada em diversas, ou quase todas estatais, e foi demitida a tempo, antes que pudesse completar a destruição do país. Mas, seus efeitos ainda perduram e demorarão a passar. Mas, se a história for mesmo pedagógica, torço para que o amargo aprendizado tenha sido absorvido, e que o Brasil não queira repetir a experiência pelos próximos dez mil anos.

11 pensou em “REPÚBLICA DO LUMPESINATO II

  1. Caro Roque,

    Ledo engano… Mas, se a história for mesmo pedagógica, torço para que o amargo aprendizado tenha sido absorvido, e que o Brasil não queira repetir a experiência pelos próximos dez mil anos.

    Recorro à Argentina, que sofreu com a viúva K e a recolocou no poder. O povo não aprende jamais, pois são os ratinhos do Flautista de Hamelin.

    Povo adora uma flauta mágica, um político prometendo mundos e fundos.

    Todo brasileiro sempre sonhou morar na propaganda do PT. De novo, novamente e outra vez seguirão a estrela vermelha, que prometerá, como na música:
    “eu te darei o céu, meu bem e o meu amor também.”
    Lula prometerá “botar” só a cabecinha para depois de eleito enfiar a pajaraca inteira no rabo do povaréu.
    Vida que segue.

      • Já que de puteiro a gente entende, caríssimo Assuero, fica fácil entender esses caras, pois no Brasil, “timmaiamente” falando, prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre vota no PT pra tomá no furico.

  2. prezado colunista roque nunes , seu texto foi a melhor leitura deste dia , ainda bem que estes malditos perderam a eleição , minha tristeza é que estão conspirando para eles voltarem ão poder..

  3. É isso grande Roque. Eu defendo, exaustivamente, a construção da cidadania pela via normal da renda laboral. Emprego, não esmola. Claro que há situações nas quais a ação social será necessário, mas ela não pode ser o foco da nação. Dez estados brasileiros tem mais beneficiários do bolsa família do que trabalhadores formais e deles 6 são nordestinos e 4 nortista. No Maranhão, terra onde o babaçu abunda, há 2,15 vezes mais beneficiários do PBF do que trabalhadores. O nordeste é dominado pela esquerda e a região está se lascando, mas vão te chamar de gado se você disser isso.

    • Esta sua visão é de um liberal á direita, coisa que a esquerda abomina, pois o que querem é fazer dos programas sociais a argola da escravidão em que prenderão todos os brasileiros. A sonho socialista sempre será igualar na miséria para que se erga da multidão o ditador e seu grupelho para escravizar a população.

      Cuba, Nicarágua e Venezuela já atingiram o status de ditaturas e são lacaios de China e/ou Rússia. A Argentina está quase atingindo tal patamar.

  4. Caro Roque,

    Seus artigos estão cada dia mais fantásticos. São dignos de uma divulgação ampla por esse nosso país, que é pra ver se não caímos na mesma esparrela de novo.

    Se isso vier a acontecer (toc, toc, toc) , minha modesta sugestão para as hostes fubânicas é a rebelião armada pura e simples. Tratemos de comprar armamentos com as nossas economias e nos prepararmos. Neto poderá ser de grande ajuda neste projeto.

  5. Roque é foda, tá sempre enfiando o dedo nesta ferida chamada Brasil, nosso problema não são os pobres e sim os vagabundos que querem manter os “pobres na pobreza”, para controla-los e nisto, o PT é mestre, nossa única saída é o CAPITALISMO LITERAL, este sim, cria empregos, salário. cidadania, honradez e consciência política, fora isso, nos resta apenas o tal “socialismo de cooptação”, este sim, a desgraça do mundo, como bem descreve nosso grande Prof. Adonis.

  6. Parabéns pelo coerente texto, Roque.

    O Brasil não pode e não deve voltar ao estado petralha que o mergulhou nesse esgoto público que está sendo recuperado pelo presidente Jair Bolsonaro.

    Meus parabéns!

  7. O texto de Roque Nunes é irretocável. Esse assunto foi bastante explorado aqui no JBF, na época uma página contra essa estratégia de dominação petista com objetivo de permanecer se beneficiando do poder sem pensar na Nação.
    Mas, lembrar o passado não resolve tudo, importante pensarmos nesse presente caótico e principalmente num futuro melhor para os brasileiros.
    Não será nem com Lulla nem com Bolsonaro que poderemos sonhar com uma democracia forte e economia progredindo.
    Só para dar números, que facilitam a avalição, eu trago o valor de mercado de bancos e empresas de finanças negociados na Bolsa de Valores, em bilhões de reais:
    XP = 130 (corretora)
    Santander = 156
    BTG = 140
    Bradesco 250
    Inter = 54
    Itaú = 312
    BB = 96
    Vocês acham mesmo que o B do Brasil pode valer 38% do Bradesco, 31% do Itaú, menos do que a corretora XP. O Banco Inter, um banco digital, que não tem agência vale mais da metade do BB. Vocês sabem porque essa desvalorização absurda? Porque o retrógrado Presidente Bolsonaro, não permite que o banco faça ajustes necessários para concorrer nesse ambiente moderno. Intervém, demite presidente, coloca militares na gestão da empresa, etc. Esse é um exemplo numérico, é um fato, não é achismo.
    Se Lulla era corrupto e era mesmo, Bolsonaro é de uma incompetência a toda prova. Não posso garantir que não é corrupto também, denúncias abundam.

    Eu tenho confiança, quase certeza, que nenhum dos dois ocupará o Palácio do Planalto a partir de 2023.

  8. “Agora vem a eleição? Nós vamos para o ataque. Vai ter Bolsa Família melhorado, BIP, BIQ” – Paulo Guedes

    E agora?

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