ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

Tem dias que a gente acorda cismada com alguns assuntos que o assoalho da língua fica tentado a comentar, a falar, ou, até mesmo a mandar as pessoas irem coçar as virilhas, por falta de palavra mais polida. E, dentro desse meu educativismo polido em escola de frade, a dez tostões ao mês, resolvo escrever, mas com outra toada, essa mesma inquietação que parece bicho carpinteiro espadanando os gorgomilhos.

Em Pindorama, depois da tal da CPI da COVID – essa pantomima desengraçada e que vai sair caro para o bolso dos palhaços, digo, pagadores de impostos -, em que prontuários policiais dão uma de xerife, quando deviam estar era atrás das grades, o tema que mais a gente ouve é a tal das reformas estruturantes que o país necessita. De fato, precisa sim. Mas, é preciso o resto da taba avisar aos caetés que mandam, que as reformas precisam ser feitas para agora. O contrário disso é apenas balangandãs e espelhinhos que os araribórias tentam empurrar goela abaixo da “malta ignara”.

Veja-se o caso da dita previdência. Reclama-se que ela é deficitária, e que a reforma iria economizar a baba de um trilhão de reais em 10 anos, mas no futuro. Confesso que fiquei tentado a calcular quanto de dinheiro é isso. E, de fato, é uma “ruma” de dinheiro. Para se ter uma ideia, é o mesmo que encher uma carreta com 40 toneladas de notas de cem reais.. É de lamber os beiços até do caeté vegetariano. Esse coxão mole do Sardinha levanta muitos olhos cúpidos.

A safadeza dessa história reside nesse fato. A economia é para o futuro, já que a dita reforma só vale para os que um dia chegarão à condição de aposentado, se um vírus, um asteroide, um invasor extraterrestre não nos exterminar antes. Ora, o prejuízo é presente e cresce ano após ano. Quando essa dita economia chegar, vai virar pó, porque o passivo que se acumulou vai torrar toda a economia “putativa”, aquela que é igual à Inês de Castro: foi sem nunca ter sido.

E o problema deficitário é hoje que tenho até dois exemplos. Exemplo 1: aqui no glorioso Mato Grosso do Sul a previdência dos funcionários também passou por reforma, aumentou-se o percentual de contribuição dos segurados, mas não se mexeu na raiz do problema, as superaposentadorias que consomem a maior parte dos recursos existentes, hoje, na previdência. Há desembargadores aposentados, aqui, que recebem a baba de 240 mil reais por mês de aposentadoria. Isso mesmo, não é por ano. É por mês. Há, alguns funcionários do executivo e do judiciário, no estado, cuja aposentadoria passa facim, facim, dos cem mil reais ao mês. Não há sistema que resista, no curto prazo.

Evidente que, se pegarmos o grosso das aposentadorias, a média fica em torno de dois mil reais ao mês. Porém, existe uma casta, isso mesmo, uma casta de privilegiados cujos salários “arrebentam a tabaca da Xolinha”. E isso todo mês. Ai eu se me pergunto: precisaremos chegar à mesma condição de Portugal e da Grécia para que um tribunal constitucional diga que esse negócio de “direito adquirido” é lorota de vagabundo, para que se possa fazer uma reforma necessária, séria e que valha para hoje, para agora?

Outra excrescência bananeira é a tal “pensão”. Tem direito a ela a esposa, filhos menores e filhas de funcionários aposentados que vier a falecer. Só que em Pindorama virou balbúrdia. E, na atual conjuntura, uma estranheza. Criada para dar amparo à viúva e a filhas, lá no começo do século XX, quando a mulher era proibida de trabalhar fora de casa, de exercer uma atividade remunerada, hoje não é mais necessária. Pensão paga a filhas é tão equivocada na atualidade quanto o conceito de proletário que muitos alunos de universidades federais, com a gola da camisa sebenta de sujeira e um bodum de espantar gambá garganteiam, sem saber o que significa, e muito menos saber o que é força de trabalho.

Mas eu tenho lá minha proposta de reformas que gostaria de compartilhar com vassuncês aqui do jornal da Besta Fubana. São ideias minhas. Não precisa ser do agrado de todos. Mas, como dizia seu Creysson, eu agarantxo que nos daria uma perspectiva menos argentinizada de futuro:

1 – Previdência – estabeleceria uma idade unificada para homens e mulheres, seja trabalhador da iniciativa privada, ou funcionário público, com um teto máximo de recebimento do maior valor pago pelo INSS. Hoje está, se não me falha o quengo, em cerca de R$ 5.960,00. Esse valor iria vigorar de imediato, tanto para os já aposentados, quanto para aqueles que irão se aposentar em breve e para o futuro. O déficit, se ao menos não desaparecesse, diminuiria para valores mais civilizados do que aquele que existe hoje. A pensão vigoraria apenas para os filhos menores de idade, restrito a 50% do valor que o segurado recebia. Acabaria com algumas farras de mulheres super bem sucedidas não casar para continuar mamando na previdência sem ter contribuído com um centavo, e homens safados que buscam esse tipo de mulher para viver do suor dos “descamisados”, como dizia certo coronel alagoano.

2 – Dívida Pública – privatizaria todas as estatais, inclusive os bancos, e venderia os imóveis em nome da União. Aceitaria para isso os títulos da dívida pública que estão voando. Também não pagaria toda a dívida, mas deixá-la-ia bem menor. Além do mais proporia uma norma proibindo gestores públicos de fazer dívida que ultrapasse o tempo da geração que a fez, para ser paga. Não tem lógica para o país uma geração fazer dívida, para que a próxima pague por ela. Isso compromete o futuro, pois quem ainda não nasceu, já está devendo.

3 – Impostos – simplificaria o cipoal de normas. Faria igual ao Trumpão. Para cada norma nova editada, dez normas velhas teriam que ser extintas. Tributaria, de forma racional o consumo, não a produção. Reduzir a carga tributária pela eliminação de diversos impostos e contribuições seria algo lógico a fazer, desde que se ampliasse a base de tributação. Mais gente pagando significa menor carga tributária para todo mundo. Não tem o menor sentido, em um país com 216 milhões de habitantes, somente 87milhões arcar com a maior fatia da carga tributária.

4 – Saúde – uma das minhas quizílias mais antigas é essa excrescência chamado SUS, em que há maior quantidade de pessoas movimentando papel, do que pessoas atendendo doente na ponta final do sistema. O SUS é de uma aberração tão grande que cobre os custos para um xibungo cortar as bolas e botar uma tabaca no lugar, mas não tem dinheiro para o tratamento de um câncer raro em crianças. Uma alternativa seria plano de saúde privado, com o estado fornecendo planos para quem não pode pagar, mas impondo a ele uma contribuição simbólica para o plano. Quando você tem uma coisa que é totalmente “de grátis”, essa coisa não tem valor.

5 – Educação – esse é outro sistema que precisa de uma reforma urgente, principalmente porque o país precisa se libertar da condição de refém do sistema público brasileiro. Já escrevi um texto sobre isso. O sistema educacional público transformou os alunos de clientes cativos em reféns, com o intuito de produzir um analfabeto funcional que sabe tudo, por ouvir dizer, de Marx e Gramsci, mas não consegue fazer uma prova dos nove utilizando lápis e borracha.

Mas, vou parando por aqui, pois quero me estender em cada um desses temas, “se a tanto me ajudar o engenho e a arte” em outros textos. No entanto, fica dado meu recado sobre as reformas necessárias. Mas, dentre todas elas, comece com uma essencial, dita por Martinho Lutero: Queres reformar o mundo? Comece então pelo teu interior!

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  1. Vossuncê a cada crônica está mais afiado que fio de navalha que capa cabra safado. Mil arre-éguas para o “roque do rei” no tabuleiro político do JBF (blog predileto de 99 entre 100, com certeza o melhor do Brasil. E só é tudo isso porque Berto acertou em cheio ao convidar esses “endiabrados” colunistas que riscam,ciscam, beliscam e pregam fogo nesta escrota gazeta).

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