REFLEXÕES INDISPENSÁVEIS

Diante de dois livros iguais recebidos de uma editora paulista, resolvi dar um deles à Roseane, amiga muito querida da Casa dos Humildes, Recife-PE, onde sou trabalhador soldado raso. E li numa tarde o exemplar que permaneceu comigo, amando mais o maior educador que a humanidade já viu, o Homão da Galileia, Jesus de Nazaré, cujas mensagens até hoje alicerçam condutas de cristãos e não-cristãos mundo afora. Transmitidas há mais de dois mil anos, elas persistem em responder indagações do tempo presente, facilitando imensamente a compreensão da Boa Nova.

O livro Parábolas Evangélicas: à luz do Espiritismo é de autoria de Rodolfo Calligaris (1913-1975), nascido na cidade de Americana, SP, um dos fundador do Lar Espírita Esperidião Prado, em 1964, ocupando posto de diretor até sua desencarnação.

Editado pela FEB em 2016, 11ª. edição, com 119 páginas, o livro traz as seguintes parábolas: Do semeador, do joio e do trigo, do grão de mostarda e do fermento, do tesouro escondido e da pérola, da rede, do credor incompassivo, dos trabalhadores e das diversas horas de trabalho, dos dois filhos, dos lavradores maus, das bodas, das dez virgens, dos talentos, da candeia, do bom samaritano, do amigo importuno, do avarento, do servo vigilante, da figueira estéril, dos primeiros lugares, da previdência, da ovelha e da dracma, do filho pródigo, do mordomo infiel, do rico e Lázaro, dos servos inúteis, do juiz iníquo, do fariseu e do publicano, e da semente. Todas elas são riquíssimas mensagens para os tempos atuais, onde o planeta sofre com uma má distribuição de renda, com perversos individualismos e com múltiplos preconceitos de etnia, região, crença, gênero e ideologia, consequências das desatenções às mensagens do Divino Mestre.

Das parábolas lidas no livro do Rodolfo Calligaris, algumas delas, quando lidas pela vez primeira em tempos pretéritos, produziram fortes efeitos em meu comportamento social. Uma delas, a dos talentos, eu a reproduzo abaixo para todos os educadores brasileiros, responsáveis diretos pela cidadania de jovens e adultos que necessitando estão de ampla capacitação técnica e social.

Seguinte: um proprietário, necessitando ficar afastado de seus empreendimentos por longos meses, chamou três dos seus servidores para uma conversa sobre seus negócios. A um entregou cinco talentos, a outro dois e ao terceiro apenas um.

Na sua volta constatou que o primeiro deles, o que recebera cinco talentos, fizera bons negócios e ganhou outros cinco talentos. O segundo, tendo recebido dois, devolveu os dois e mais dois, fruto de suas iniciativas empreendedoras. O que tinha recebido apenas um, devolveu o mesmo talento, posto que, amedrontado, o tinha enterrado para não ser mal sucedido.

Elogiando os dois primeiros, o proprietário recriminou o terceiro: “- Servidor mau e preguiçoso, se sabias que ceifo onde não semeei e que colho onde nada pus, deverias pôr meu dinheiro nas mãos dos banqueiros, a fim de que, no meu regresso, eu pudesse retirar os juros que me pertenciam!”

Para os que não ainda leram a parábola dos talentos, Mateus 25, 14-30, uma explicação de Calligaris: “a distribuição de talentos desiguais, ao contrário do que pode parecer, nada tem de arbitrária nem de injusta: baseia-se na capacidade de cada um, adquirida antes da presente reencarnação, em outras jornadas evolutivas.” Os servos que fizeram os talentos se multiplicarem são aqueles que souberam efetivamente cumprir a vontade de Deus, empregando bem a fortuna, a cultura, o poder, os dons que foram acumulado.

E o Rodolfo Calligaris expõe ainda duas advertências. A primeira diz que desconhecemos por completo quando o Senhor nos chamará para prestar contas. A segunda indaga sobre o nível de preparação nossa para o dia da chamada. No atual mundo em crise profunda, inúmeros dirigentes empresariais e homens públicos encobrem suas faltas e fraquezas cinicamente atribuindo a culpa a terceiros, muitos deles sem uma mínima responsabilidade, sendo apenas vítimas de um sistema injusto e nada compensador.

Relendo no livro a parábola do juiz iníquo, lembrei-me dos tribunais brasileiros de todas as instâncias, onde a justiça muitas vezes é praticada de acordo com interesses políticos espúrios e conveniências de classe, havendo até magistrado que entrou armado para eliminar um colega, imaginando suicidar-se em seguida. Não praticando os atos programados por frouxidão repentina.

E Calligaris questiona: “Se, malgrado todas as deficiências e fraquezas dos que, na Terra, presidem os serviços judiciais, as causas têm que ser solucionadas um dia, ainda que com grande demora, por que duvidar ou desesperançar das providências do Juiz celestial?”

Que cada um de nós saiba levantar bem alto a candeia, para que todos vejam a luz mensageira. A parábola da candeia, contada por Marcos 4,21-25 e também por Lucas 8, 16-18) incentiva a transmissão das lições notáveis do Homão da Galileia, de modo a dissipar as trevas da ignorância que envolvem almas desprovidas de esclarecimentos que favoreçam a erradicação dos egoísmos e egolatrias, das corrupções e preconceitos, favorecendo a participação efetiva de todos nos serviços missionários a cada um atribuído.

O livro do Calligaris me proporcionou uma dupla alegria. A primeira, reler parábolas do Homão da Galileia, nosso Irmão Libertador, seguidas de agudas reflexões. A segunda, a de presentear Roseane, amiga querida, na certeza da aplicação das mensagens no desempenho das suas atividades profissionais.

Para os que necessitam de mais esclarecimentos, recomendo Para viver a grande mensagem, Richard Simonetti (1935-2018), 10ª. edição, Brasília, FEB, 2018, 178 p. E o testemunho do prefaciador Geraldo Campetti Sobrinho, Vice-presidente da FEB, é terminal por derradeiro: “Estou certo de que a leitura desta obra e as reflexões dela decorrentes propiciarão a você, amigo leitor, inesquecível aprendizado e o despertar para vivência cotidiana da grande mensagem do Evangelho de Jesus, revivido integralmente pela Doutrina Espírita nos tempos atuais.”

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