A PALAVRA DO EDITOR

Não é brincadeira, não! Perder fábricas, nos tempos atuais, é de fazer chorar. Só em pensar que a recessão, durante o período de 2015 a 2018, foi a responsável pelo fechamento de mais de 20 mil plantas industriais no Brasil, é de cortar o coração.

Quem divulga esta dolorosa informação é a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O desaparecimento das unidades industriais, em virtude da cacetada recessiva, é resultado das perdas que o setor acumulou seguidamente entre os anos de 2014 e 2016.

As consequências para o Produto Interno Bruto foram devastadoras. O PIB caiu por onze trimestres. Fato anormal. O longo tempo de retração acabou classificado como a mais demorada fase de contração que o país enfrentou, desde 1992.

O caso foi tão feio que o Brasil só percebeu ter se livrado da recessão no mês de outubro de 2017. O baque foi generalizado. Da queda, só quem escapou foi o setor agropecuário. O restante entrou pelo cano. Não teve escapatória.

A área produtiva mais atingida foi justamente a das indústrias de transformação. Sem defesa, o jeito foi recuar na produção. Permanecer quase paralisada, aceitar o padrão de estagnada, sem respirar direito, operar abaixo do ritmo apresentado no ano de 2011.

Então, como não houve crescimento no tempo em foco, a única solução foi diversas fábricas encerrarem as atividades, senão o tombo seria bem maior.

Das 384.721 indústrias de transformação instaladas no país no ano de 2018, só restaram 359.345 unidades no ano seguinte. As 2.535 plantas encerraram as atividades. Sem a mínima condição de sobrevivência. São Paulo, foi o estado mais atingindo pela tormenta de fechamento, no espaço de quatro anos.

Ainda bem que nem tudo está perdido. Ainda resta um fio de esperança para o setor de transformação dar a volta por cima. As expectativas de mercado são boas. A economia dava sinais de recuperação. Mas, a pandemia só fez atrapalhar a jornada.

Pelo menos se vislumbrava a possibilidade da abertura de novas fábricas. O parque fabril demonstrava sinais de fortalecimento, mediante a redução da capacidade ociosa, algumas indústrias estão dando tempo ao tempo para cair em campo. Outras, se encontravam preparando o terreno para festejar a inauguração.

Na verdade, recessão é a cara de uma série de fatores negativos numa economia. Basta falar em recessão para surgir a imagem de muita coisa que não presta. Depressão, crise, estagnação, paralisação, retrocesso e atraso econômico.

Quando se constata a economia estar sob a bandeira da recessão é porque a atividade econômica entrou em parafuso. Retraiu-se. Desacelerou o ritmo de produção. A oferta de produtos cai, reduzindo automaticamente a demanda. O resultado é desemprego, redução da renda familiar, diminuição do lucro das empresas, popularização do quadro de falências e concordatas.

O ramo industrial mais atingido pela recessão geralmente é o de bens de capital. São as indústrias produtoras de ferramentas e as fornecedoras de matérias primas que perdem a movimentação por causa da escassez de pedidos.

Todavia, as que se dedicam a fabricar bens de consumo, é comum acontecer algumas escaparem pela tangente. O motivo é simples. O consumo cai, mais não some.

Nestas condições, o quadro que se apresenta é deflacionário que reacende a chama de reformas fiscais e estruturas, sem mais delongas.

Os primeiros sintomas de recessão surgiram nos Estados Unidos, no ano de 1974. Então, para reverter a situação, o governo, que reduz seus gastos com a indústria, recorre à política macroeconômica de efeito expansivo. Reduz tributos, volta a expandir os gastos para incentivar a produção e o parque industrial.

Em 2008, a crise econômica derrubou o PIB dos Estados Unidos, Japão e Europa Ocidental. Consequência repercutida também nas economias capitalistas desenvolvidas.

Entre abril e junho de 2019, a recessão fez o PIB do Brasil tomar na jaca, novamente. A economia nacional anda tão fragilizada que está difícil o país acionar a chave da recuperação. Quando liga, a chave dá sinal de fraqueza. Se desliga automaticamente.

Daí os registros de baixo índice de crescimento para tristeza da sociedade que, sem defesa, apenas se lamenta.

A arrecadação de impostos não cresce, os investimentos do Estados não correspondem à expectativa. O desânimo esmorece a geração de empregos, que enfraquece o consumo, perturba a confiança do cidadão que, desiludido, começa a bombardear a incompetência política do país.

De imediato, o investidor, pessoa física, também fica preocupado quanto a proteção que dá ao seu patrimônio, construído à base de muito sacrifício. O sobe e desce da Bolsa é outro fator que incomoda barbaridade. De repente, o investidor espera acender a luz para os investimentos de longo prazo, cujos preços de compra possam baixar.

A confusão de 2019 se generalizou. A repentina desaceleração atacou fortes economias. A China e a Alemanha estremeceram nas bases. Os Estados Unidos tiveram de baixar a taxa de juros, fato, que não acontecia há 12 anos.

A guerra comercial entre a China e os Estados Unidos plantou incertezas. Alimentou o temor de uma recessão global. No Brasil, dois registros impacientam. O consumo anda estagnado, o desemprego cresce e a capacidade ociosa permanece altíssima.

O que favorece o país é possuir um mercado consumidor imenso e uma abertura para investimentos e parcerias internacionais. O que está segurando a corrida para sair dessa, é a falta de ação travada pela pandemia e o legislativo ajudar o país a escapar dessa perigosa armadilha, que só entristece a sociedade, entristecida com a embaralhada e terrível onda de desarrumação.

Deixe uma resposta