RECESSÃO À VISTA

Com a recessão não se brinca. A bicha é parada dura. Não entorta fácil. Contaminada pelo vírus da contração, se não for levada a sério, a recessão faz a economia recuar, lançar-se ladeira abaixo, rapidamente. Foi o que aconteceu no Brasil. Em 2014, o PIB caiu de maduro. O que derrubou o produto interno brasileiro foi a crise política, a alta do preço das commodities no mercado externo, que abalou as exportações do país, e a redução do capital estrangeiro, que desviou a rota dos investimentos para outros destinos. Longe do Brasil, que não oferece segurança.

Desprotegida, a economia, ao ser atingida pela recessão, foi a pique rápido. A estrela guia, de imediato perdeu a luminosidade e a robustez que exibia, enfraqueceu. Então, imprevidente e sem saída, o PIB brasileiro repetiu a dose em 2015 e também em 2016. A bordoada foi tão grande que o desemprego disparou. Atingiu a taxa de 13,7%, deixando mais de 14 milhões de brasileiros desamparados. Sem emprego.

O Brasil não aprende. Leva cacetada, mas não descobre o Norte. De tanto repetir os erros, vive desabando. Desde 2011, a pisada tem sido essa. Começou com a tal da nova matriz econômica que adotava as seguintes medidas. Pesada intromissão governamental na economia, redução da taxa de juros, aumento dos gastos estatais, concessão de subsídios e adoção de política de preços.

Quando o governo se mete em assuntos que devem ser geridos unicamente pela iniciativa privada, dar zebra. Sempre deu. Mas, descarados, os governos não tomam jeito. São intrometidos.

Como não demonstrou habilidade na questão, as medidas tomadas na década de 2010, geraram uma porrada de consequências negativas. Crise de sustentabilidade fiscal, elevação do risco-país e da taxa de juros a longo prazo. No entanto, a principal sequela foi a aterrisagem da incerteza, que enfraqueceu o consumo e os investimentos na economia.

Difícil esquecer as oito quedas trimestrais seguidas que a economia sofreu neste período. Também, não dá para ignorar a taxa de desemprego elevadíssima, especialmente depois da descoberta dos escândalos políticos, que trouxeram mais incertezas.

Houve governo que procurou tirar vantagem política da rápida melhoria econômica, gabando-se de ser o responsável pelo crescimento econômico, ocorrido na década de 2000 na economia brasileira. Porém, na época, fizeram questão cerrada de omitir as causas. O forte aumento do preço das commodities que a China importava em larga escala do Brasil. Os chineses compravam cada vez mais petróleo, minério de ferro e soja produzidos no país, despejando divisas na economia nacional. Favorecendo, então, os índices de crescimento.

Este desempenho, fez o Brasil esquecer, pelo menos, momentaneamente as reações negativas que a crise econômica global de 2008 espalhou pelo mundo, cujo início se deu nos Estados Unidos.

Essa crise, também conhecida como a crise financeira do capitalismo, vez que foi alimentada pela crise financeira internacional, foi eleita como a pior adversidade econômica do mundo, após o aperto provocado pela Grande Depressão de 1929. De triste lembrança, quando várias bolsas de valores do mundo quebraram.

Tudo começou com a bolha especulativa no mercado imobiliário. Não suportando a afoiteza do crédito bancário, que se ampliou extraordinariamente pelo mundo, e a recusa do banco central americano, o Federal Reserve (FED), em acudir o banco de investimentos Lehman Brothers, que passava por maus momentos, a bomba estourou, comprometendo a liquidez de muitos bancos comerciais.

O primeiro sinal veio com a certeza da quebra e falência do banco de investimentos dos Lehman Brothers, com sede em Nova Iorque.

Desde 1850, o tradicional banco atuava nos Estados Unidos, dando aquela força para o desenvolvimento norte-americano. Até que em 2008, não suportando os entraves da crise financeira internacional, deu adeus ao mercado. Despedindo-se para sempre do cenário norte-americano.

Caso se confirme de fato as previsões de nova fase de recessão no Brasil, especula-se com base em estudos do Banco Mundial, que essa será uma recessão de grande envergadura. Será, talvez, uma das piores da história brasileira.

Vale destacar as duas grandes crises que ocorreram no país. A de 1981, que estourou em consequência da dívida externa do país, e a de 1990, quando, na intenção de barrar a fúria da inflação que andava na casa de 84% ao mês, o governo Collor resolveu confiscar o dinheiro da poupança e das aplicações em overnight dos brasileiros. Os US$ 100 bilhões confiscados por 18 meses, cerca de 30% do PIB da época, deixou o cidadão puto da vida até hoje.

Todavia, alguns dados levam à possibilidade de nova recessão. O país caminha para registrar o sétimo rombo nas contas e a dívida bruta espanta ao atingir 76,5% do PIB.

Com a pandemia, muitas atividades produtivas foram paralisadas, eliminando diversas fontes de renda. Daí a necessidade de o país não parar com os programas sociais, tentar enfraquecer o rigoroso cordão da informalidade, lutar pela econômica, impedir a quebra de empresas, não esquecer que no primeiro trimestre de 2020, o país atravessou uma leve recessão, segundo a Fundação Getúlio Vargas, e torcer para que o desemprego não chegue aos 18% previstos.

Uma boa ação foi a adoção do auxílio emergencial, atualmente de R$ 600,00 que foi estendido até dezembro próximo.

Essas providências são as mínimas necessárias para o Brasil retornar aos trilhos, pular fogueiras, afastar-se do precipício à frente e “nem aceitar mais derrotas” conduzidas pelas politicagens ultrapassadas de governos anteriores.

Segundo os analistas, a economia brasileira será uma das últimas a entrar no eixo da recuperação, após a passagem do coronavírus.

Contudo, batalhando em tempo integral no combate ao desemprego e às desigualdades, centrar-se na retomada da atividade produtiva, trabalhar no saneamento dos gastos públicos e na recuperação da confiança perdida, já é meio caminho andado.

4 pensou em “RECESSÃO À VISTA

  1. Caríssimo Carlos Ivan:

    Você andou muito bem no que escreveu, mas eu acredito ser o Brasil o país com maior possibilidade do mundo de se sair dessa sem o caos econômico.

    Quem arrasa um país não é a guerra, a pandemia, a inflação… É a corrupção, e o PT e seu chefe-mor – LULA – não estão mais lá roubar o tacho.

    • Caro Cícero muito válida a sua argumentação. De fato, a corrupção é uma peste. Destrói tudo, enquanto enriquece os corruptos que ficam gozando dos abestados eternamente sofredores que não enxergam serem as vítimas da roubalheira infernal. . .

  2. Escreve “El Terrible”: Segundo os analistas, a economia brasileira será uma das últimas a entrar no eixo da recuperação, após a passagem do coronavírus.

    Pois não é o que se vê. Sancho tem por hábito percorrer diariamente jornais de Portugal, España e Estados Unidos e, pelo que lá observa, somos o país com melhor recuperação até o momento, perdendo apenas para os que estão em mãos ditatoriais, ou seja, sem qualquer credibilidade no que divulgam.

    Caríssimo Ivan, estamos melhor do que deseja que estivéssemos, os funéreos senhores do poder, também conhecidos por alguns como turma do contra.

    Abraço sanchiano no gigante e terrível amigo.

    • Caríssimo Sancho. Não discordo das previsões dos analistas portugueses, espanhóis e americanos. Tomara eles estejam certos. Mas, por aqui, que coiram as análises de fortes bancos, o caminho não é tão limpo como parece para o Brasil se assentar direito. Vamos esperar, afinal o mundo dá muitas voltas.Torço para que vc com seu olhar penetrante, enxergue mais luminosidade neste sofrido país. . .

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