PERCIVAL PUGGINA

Como não consegui ligar para o ministro Luiz Fux para saber se era verdadeira a farta informação sobre recados enviados à Câmara dos Deputados e ao Palácio do Planalto, tenho que ficar com o que, com pequenas variações e sem serem desmentidos, relataram os grandes meios de comunicação. Segundo eles, os ministros teriam avisado que a confirmação da deputada Bia Kicis na presidência da CCJ da Câmara era uma declaração de guerra e que a interlocução com a Comissão seria interrompida.

Por quanto sei, a deputada tem sobre a conduta do STF, sua composição, e alguns dos membros da Corte, uma opinião em tudo semelhante à da maior parte da sociedade brasileira. A atual composição do Supremo é uma sequela dos longos governos anteriores, em completa dissintonia com as posições políticas vencedoras da eleição de 2018, o que era previsível. O que não era previsível é que a maior parte dos ministros, desde o início, visse o novo governo como um antagonista a ser contido e tratado como tal. Sobram exemplos de uma “guerra” que já vai longa, não declarada e nunca revidada.

Manifestações de rejeição a ministros quando expostos ao público se tornaram frequentes em aeroportos ou no exterior, e isso os deixou com os nervos à flor da pele. Passaram a tratar os demais poderes e toda divergência com autoritarismo e arrogância, como se todos fossem casca grossa.

Sei que não é novidade haver facções políticas que não sabem perder eleições. Aliás, que não admitem derrotas. Quando perdem, não admitem as consequentes mudanças. Querem que tudo permaneça como está, ou seja, como fizeram ou desfizeram. A novidade, na minha perspectiva, são recados ameaçadores do STF aos demais poderes. Lembrei-me da indignação que causou, com razão, a frase grosseira do senador Bolsonaro quando disse que para fechar o STF bastaria um cabo e um soldado.

No caso, amplificada pelo fato de ser filho do presidente o senador que a proferiu, era uma opinião pessoal. Agora, estamos diante de recados de um poder aos outros dois. Veto a um nome de parlamentar é um pé na porta do Parlamento e do Palácio do Planalto. É conduta audaciosa.

Como poder cuidador da Constituição, o STF, há dois anos, vem enguiçando o sistema de “freios e contrapesos” inerentes à operação dos três poderes de Estado. O STF atua como poder “peso pesado” com freio desregulado e conduta intimidatória.

4 pensou em “RECADOS AMEAÇADORES DO STF

  1. Puggina em sua análise errou de Zero.

    Quem falou a frase sobre o cabo e o soldado não foi o senador Flávio, o 01 e sim o Deputado Federal Eduardo, o 03.

    Disse em uma palestra entre conservadores, como um modo de dizer que quem garante o poder em um país são as FFAA. Não o fez como uma ameaça, mesmo porque ele não teria este poder.

  2. Se o STF estiver temeroso da Deputada na CCJ intui-se que realmente existe culpa intrínseca na consciência dos ministros, em decorrência de seus atos invadindo outros Poderes e também, por interpretações arbitrárias da Constituição.
    Quem está liberando bandidos perigosos como notórios narcotraficantes e ladrões do erário poderá estar preocupado com seus atos nefastos à cidadania e ao povo brasileiro.

  3. O Brasil é uma terra generosa, principalmente com delinquentes de toda ordem. É a terra onde o crime compensa e há criminosos de várias espécies: o bandido pé de chinelo (esse é presa fácil das “otoridades”), o bandido perigoso (geralmente usa armas privativas das forças armadas), o bandido de colarinho branco e punho de rendas (é aquele que não se contenta com pouco, rouba em escala industrial) e agora surgiu mais uma categoria, o bandido togado. Esse é phoda porque supremo.

  4. Só pra entender .
    Interlocução da CCJ com o STF ou vice-versa por que ? Pra que ?
    A CCJ pode opinar sobre julgamentos no STF ?
    O STF quer inferir em análises da CCJ ?

Deixe uma resposta