CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

A humanidade é submissa a diversas formas de ideologia. A pessoa costuma se manter agarrada a alguns lances de ideias e de pensamentos para desenrolar atividades. Seja na política, no campo econômico ou social. Na opinião de Karl Marx, o homem não pode se desvincular de ideais que defendam os interesses coletivos, durante a gestão de cargos públicos. Estudioso, o filosofo alemão logo percebeu as mudanças sociais que aconteciam nos bastidores da Revolução Industrial, mais precisamente no bojo da Revolução Francesa. Enquanto as fábricas e a produção cresciam, as desigualdades sociais foram aparecendo, como reflexo abrangente do aperfeiçoamento do capitalismo. Forçado a abandonar a sua produção pessoal para garantir a própria subsistência, o trabalhador teve de vender a sua mão de obra para o setor produtivo, em troca de salário. Com a ação, evidenciou-se de imediato, a divisão de duas classes. De um lado o capitalista, o dono do dinheiro e da produção, e do outro, a classe dominada ou simplesmente o proletário. Era o início da zona de conflitos entre as duas classes trabalhadoras. Indiferenças que existem até o momento.

A corrente política que adota o radicalismo como forma de expressão e de ação revolucionária, tem a intensão de impor mudanças instantâneas na sociedade. Foi o deputado Charles James, da Câmara dos Comuns Britânico, que em 1797, se insurgiu contra a dominância do sufrágio defendido pelos monarcas da época, os proprietários que mandavam em tudo na cidade. Irritados, os radicais ingleses formaram a ala esquerdista, defensora de ideais sociais-democratas, igualitários e revolucionários. Aí, começaram as discordâncias, as desavenças. Resistentes às influências contrárias, os radicais desaprovam o conservadorismo.

No Brasil, o radicalismo é levado a sério. A intolerância de opiniões, afastam as pessoas com posições de pensamentos contrários. O brasileiro, conservador por natureza, dificilmente engole diferenças políticos partidárias. Faz questão é de, nos debates políticos, atacar o adversário, descer a lenha no interlocutor. As discordâncias esquentadas não acontecem somente no meio político. Estouram também no trabalho, na escola e até mesmo dentro de casa. É fácil cortar relações só por causa de divergências sobre a política. Tornar irmãos e parentes inimigos políticos de carne e osso. Pouco importa se o nível educacional é avançado. As pessoas tenham escolridade média ou superior. No passado, os debates nas campanhas eleitorais versavam apenas sobre programas de governo. Os diálogos geralmente eram construtivos. Atualmente, os candidatos se agridem moralmente. Debocham do adversário. Xingam, agridem moral e até fisicamente, se possível for. Durante campanha, o candidato Bolsonaro levou até facada em plena rua. Por conta do radicalismo político tão aceso, o Brasil ultrapassa a média internacional.

Faz deduzir que o menos importante no caso, são os debatedores mostrar preocupação com o futuro do país. Muito pelo contrário, nas discussões político partidária, os debatedores lutam somente para manter o nome em evidência, como se fosse realmente o único dono do país. E o resto, no caso, a população, não perca o grau de submissão. Não ultrapasse a ignorância política que só faz bem de fato aos eternos e enganadores políticos. Por isso, reina no país, o ódio intenso, desarforado, o destrutivo e inaceitável clima de instabilidade, os xingamentos de lado a lado e a constante selvageria nas lides políticas, dando ênfase ao grupo de esquerda, de oposição, achar que é uma classe perseguida. Inocente. Sem ter cometido nenhum crime. O antagonismo desenfreado causa insatisfação porque afasta a democracia que, na verdade, é o único pilar capaz de sustentar o mérito do poder definido para eliminar as injustiças.

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País algum pode esquecer as obras públicas. É obrigação do governo realizar projetos de infraestrutura para estimular o avanço da economia. Não importa o fim que a obra pública vise, meios empregatícios, de saúde, segurança ou de fins recreativos, o fundamental é mexer em todos os setores, escolas, transporte, hospitais, espaços públicos ou de saneamento, destinados ao bem coletivo. Desde que não gerem contestações e agressão ao meio ambiente, cumpram apenas a finalidade de servir à população de algum modo e sejam regradas por três critérios básicos. Obedeçam às normas da técnica, sejam construídas com material de boa qualidade, tenham preço e prazo convincente para evitar, justamente, o que é comum no Brasil, a lentidão.

Qualquer obra pública brasileira de importância demora mais de dez anos para ser concluída. Geralmente, as obras ocasionam conflitos fundiários por incapacidade técnica do Estado e estão cheias de irregularidades. Afinal, quanto mais tempo demorar, enseja novos planejamentos, licitações e total responsabilidade pelo o que pode acontecer no futuro. O exemplo da Transnordestina, projetada para escoar a produção de dezenas de municípios do Nordeste, inclusive a produção de gesso do Araripe, acabou em decepção. As causas da paralisação da ferrovia, alegam ser provenientes de ordem técnica e financeira. Quando foi iniciada, em 2006, a obra estava calculada em R$ 4,5 bilhões. Atualmente, o total passa de R$ 11 bilhões.

Todavia, de todos os critérios adotado para a execução de uma obra pública, o essencial é a presença da fiscalização. Situação que raramente acontece. Cabe ao fiscal responder pelo que observa acontece no canteiro de obras, de modo a corrigir as falhas na hora, ter o perfeito controle da construção da obra e, sobretudo, de modo transparente, notar, não somente a questão financeira, como a eficiência e agilidade no andamento do projeto. Como o serviço público não costuma utilizar software nos serviços, a tendência é os trabalhos públicos tornar-se precário. Deficiente. Gastar muito dinheiro na obra, estender a construção para além do estabelecido no contrato, atrasar a obra, desperdiçar dinheiro, complicar o desenvolvimento do país. Segundo os últimos levantamentos, os órgãos competentes analisaram 39 mil obras públicas em construção. Do total, 14 mil estão paradas. Abandonadas. A paralisação custou ao país, o montante de R$ 10,8 bilhões que estão jogados no lixo. Valor que devia ser investido em muitas outras utilidades. Num país repleto de necessidades públicas.

Por ser montanhoso, o Japão construiu a Ponte Akashi-Kaikyo, próximo ao município de Kobe, uma das cidades japonesas mais valorizadas pelo turismo, para ligar algumas ilhas ao redor. A ponte tem 3.911 metros de comprimento. O tamanho do vão central é de 1.991 metros de extensão, o que faz a ponte ter o maior pavimento de engenharia suspenso. Outra exigência na construção foi construir o vão central com uma altura de 1.500 metros para permitir a passagem de mil barcos que diariamente passam por debaixo da gigantesca ponte. A construção foi demorada. Demorou 10 anos, mas foi concluída em 1998. É a construção pública mais cara do mundo. Custou na época o valor de 4,3 bilhões de dólares. Mas, como obedeceu a critérios de seriedade, a vaidade política não atrapalhou a obra. Sério, o Japão não enrola. Ignora as licitações, os embargos, prima pela organização para não impactar principalmente os custos de construção. Infelizmente, fato corriqueiro no Brasil.

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