ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Conforme observei em minha crônica anterior, o mundo ocidental caminha a passos largos para a total extinção de uma classe social que os comunas costumavam chamar de proletariado. Com a acelerada e brutal concentração de renda que temos observado no mundo, e cuja tendência é seguir impávida e inexorável, dentro de breve espaço tempo só teremos duas opções na vida: Ou seremos RIQUÉSIMOS, ou seremos miseráveis!

O que sobrou da classe média, principalmente no Brasil, foi a burocracia estatal. Ou você se pendura, da forma que puder e conseguir, nos ovos e nas tetas estatais, ou então, seguirá em marcha batida para a miséria, sempre em empregos provisórios, precários e mal remunerados. Essa precarização das relações de trabalho, que já vem de longe, é uma das principais causas que tem levado os adolescentes, principais vítimas deste processo, a adiarem indefinidamente a evolução para a fase adulta. Coisas como casamento, filhos e a responsabilidade de uma casa.

Foi exatamente na categoria dos apaniguados estatais que a esquerda passou a se apoiar majoritariamente para tocar a sua “Luta”, sempre esbravejando que o estado onipresente deve ser o dono de tudo e de todos. Defendem ferreamente esta opção pois são os principais beneficiários do esquartejamento da nação, qual abutres e hienas.

A luta de classes passou agora a ser entre quem está mamando nas gordas tetas estatais e multidões de deserdados que estão pagando a conta. Karl Marx, nos seus delírios mais pirados, nunca chegou nem a imaginar este “Admirável Mundo Novo” a que estamos sendo condenados no Brasil atual. Segundo me parece, Eu, Adônis Oliveira, sou o profeta do apocalipse brasileiro e desta nova “Luta de Classes”. O lema passou a ser: PARASITAS DE TODO O BRASIL, UNÍ-VOS! NADA TENDES A PERDER, A NÃO SER AS IMENSAS MAMATAS.

A esquerda, sempre desesperada e em busca de fomentar uma “LUTA”, qualquer luta, vem fomentando a guerra de mulheres contra os homens; de veados e sapatões contra qualquer um (ou uma) que tenha uma sexualidade minimamente tradicional e sadia; prostitutas, e bandidos de toda a espécie, contra a sociedade dita “burguesa”; empregados contra patrões, ensinando-os a morder a mão que os alimenta; e, muito especialmente, negros e índios, tradicionais auto alienados da modernidade, da cultura e do progresso econômico, por inabalável decisão própria, contra todo o restante da população que não esteja AINDA totalmente na miséria.

Para reforçar esta divisão entre os enjeitados e os demais, passaram a tentar insistentemente dividir a população brasileira entre supostas “RAÇAS”, como se este conceito se aplicasse, de alguma forma, aos seres humanos. Para isso, passaram a questionar, a cada contato com a burocracia estatal, qual seria a nossa auto definição quanto à raça a que pertenceríamos. Transformaram nosso país em uma imensa instalação do Kennel Clube.

Todas as vezes que me vejo agredido, ao insistirem em me perguntar qual a minha raça, respondo sempre que sou da “Raça” BRASILEIRA! Vou lhes detalhar melhor o que me leva a esta singela resposta.

Meu bisavô materno, português de origem, por passar parte do ano nas barrancas do rio Amazonas, comprando madeira; e parte em Recife, onde possuía uma madeireira, casou com uma “patrícia” em Recife e, ao mesmo tempo, com uma índia da floresta, lá no Amazonas. Tinha duas famílias. Era bígamo! Coisa bem portuguesa.

Da sua esposa amazonense, nasceram-lhes um filho e uma filha caçula. Essa seria minha avó materna. Ao morrer, seu filho rapaz, então estudando direito em Recife, vai ao Amazonas buscar a irmã de 14 anos.

Na viagem de volta ao Recife, este sofre um ferimento no navio e morre de gangrena. A jovem chega ao Recife sem ter ninguém no mundo. Seu último recurso é a outra família de seu pai, que trata logo de se livrar dela arranjando-lhe um casamento com um homem muito mais idoso que ela.

Aos 22 anos e já com 4 filhos, fica viúva e numa situação econômica bem crítica. Eis que surge um negrão que se apaixona pela bela viuvinha. Casa com ela e assume a criação da prole. Seria o meu avô materno. Ele era oriundo da Bahia. Fruto do casamento de um comerciante português com uma bela negra. Tiveram um filho e uma filha. Esta sua filha, caçula da minha avó, era a minha mãe, uma bela morena de traços bem brasileiros.

Do lado do meu pai, a minha avó tinha belíssimos olhos azuis, pele muito branca e cabelos ruivos, fruto de uma longínqua ancestralidade holandesa. Já o meu avô paterno era um típico descendente de portugueses, só que o seu sobrenome, oliveira, denunciava claramente uma origem de judeu sefardita, provavelmente vinda da Holanda. Afirmo isto com base em inúmeros registros onde consta que muitos dos primeiros comerciantes “Holandeses”, chegados ao Recife logo após a invasão, tinham este sobrenome.

A razão de haverem “holandeses” com o nome de oliveira é muito simples: Quando D. Manoel, rei de Portugal, decidiu casar com Da. Isabel, filha dos reis “católicos espanhóis, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, foi-lhe imposta a condição de expulsar todos os judeus que haviam fugido da Espanha para Portugal, quando da expulsão dos mouros em 1492. Estes judeus já haviam sido convertidos na marra (marranos), em 1496, e adotado nomes de bichos e de árvores, para se diferenciar da população original de Portugal. Foram eles que, com seus imensos recursos, realizaram boa parte da colonização da capitania de Pernambuco e implantaram os engenhos de açúcar, razão pela qual grande parte (+ de 50%) da nossa população, nesta época, era composta de “cristãos novos”.

Com a morte do neto de D. Manoel, o jovem rei D. Sebastião, em 1578, Portugal voltou a ser regido pelos reis espanhóis, já que não havia descendente real para assumir o trono. Instalou-se então a inquisição em Portugal de forma extremamente violenta, o que provocou um grande êxodo de judeus portugueses para a Holanda, então em guerra aberta contra a Espanha, nova controladora de Portugal e de todos os seus domínios.

O açúcar que vinha sendo produzido em Pernambuco, grande parte financiado por capitais judeus, era enviado para Portugal e, de lá, para Amsterdã, onde era refinado e vendido nas cidades europeias com excelentes ganhos.

Desde o início da colonização brasileira, todo o ciclo comercial do açúcar estava em mãos judias: Em Pernambuco, em Lisboa e em Amsterdã. Com a fuga dos judeus portugueses para a Holanda, estes viram-se privados de sua fonte produtora, já que a Espanha jamais deixaria que a produção pernambucana seguisse para aquele país inimigo. Foi quando estes reuniram capital suficiente para fundar a Companhia das Índias Ocidentais e financiaram a invasão holandesa do Nordeste brasileiro, já no início do século XVII, domínio este que perdurou até 1654. Durante todo este período, o açúcar pernambucano passou a seguir diretamente para Amsterdã, sem a intermediação portuguesa, mas isso é toda uma outra história. Voltemos ao nosso tema!

A mãe dos meus filhos é neta por parte de pai de um erudito português, senhor Luiz Ferreira de Carvalho, originário de Braga e descendente direto de Dona Adelaide Ferreira, figura mitológica portuguesa que inventou o vinho do Porto. O Senhor Luiz casou com uma bela morena originária de Serra Talhada e prima de um certo Virgolino Ferreira da Silva, também conhecido como Lampião. Miudinha, com pouco mais que um metro e meio, semianalfabeta, era valente que nem um siri na lata. Seu Luiz passou poucas e boas com a bela Da. Ester.

Já do lado materno, sua mãe era neta de Toinho Miranda, residente em Olinda. Dizem que era baixinho, do cabelo bem preto e liso, em formato de cuia e com a cabeça chata, típica dos índios cearenses de onde vinha parte da sua ancestralidade. O sobrenome Miranda denunciava uma ascendência tipicamente portuguesa também. Já a sua avó materna, segundo a lenda familiar, era descendente de uma família de barões cearenses da época do império. Coisa típica da nossa mestiçagem deslumbrada, mas, sendo cearense, também denota ascendência tipicamente portuguesa, considerando que foram bem poucos negros para o Ceará.

Ao final, meus três filhos são o que? E a minha linda neta, com seus cabelos ruivos e encaracolados, coisa única em todo o mundo e pela qual as mulheres dariam dez anos de suas vidas, qual seria a sua “raça”?

Apenas do meu lado, minha linda netinha possui ascendência de alguns índios, do Ceará e da Amazônia, de alguns negros da Bahia, de alguns holandeses, alguns judeus sefardita, e de alguns portugueses, oriundos de diferentes partes de Portugal, uns, com ascendência visigótica, outros com ascendência tipicamente Lusitana, ou até mesmo romana e, para completar, é prima em 5º grau de Lampião. Se formos pesquisar o lado da mãe dela, aí é que a coisa toda vai se complicar de vez.

Então para encerrar esta palhaçada promovida pelos esquerdinhas de todo o mundo, eu digo alto e bom som para todos os que quiserem ouvir. EU SOU DA RAÇA BRASILEIRA! Ou então, direi como Lenine:

Sou mameluco, sou de Casa Forte!
Sou de Pernambuco, sou do Leão do Norte!

8 pensou em “RAÇAS HUMANAS?

  1. Prezado Adonis,
    Lamento dizer que uma aula desta tão simples, ao mesmo tempo riquíssima em detalhes, sobre a raça brasileira, não será entendida pelos alienados de plantão, inclusive nas universidades brasileiras, nos centros acadêmicos, até mesmo na grande mídia. Vivemos num país de analfabetos, infelizmente. Parabéns pela aula. A pergunta que não quer calar: são fotos da sua mãe e neta? Cada uma mais linda que a outra. Abração.

    • Prezado Wagner,

      Muito obrigado pelas palavras de incentivo e elogio.

      Perdoe-me pela falha. Imaginei que o texto seria suficientemente explicativo. Infelizmente, parece que não foi e permaneceu a dúvida.

      São sim fotos da minha falecida mão, que Deus a tenha, e da minha linda netinha, razão da minha vida.

  2. Estimado Adonis,
    sou fã dos seus textos, das suas análises, mas desta vez você me emocionou com a abertura do seu baú familiar. Vi um pouco da minha história, pois meu bisavô materno, português, teve foi três mulheres, e na mesma cidade. E era bastante, conhecido pois foi o fundador da primeira fábrica de guaraná de Belém do Pará, que levava o seu nome, Guaraná Simões (https://fragmentosdebelem.tumblr.com/post/148424136335).
    Na verdade, histórias familiares como a sua, ou a minha, não são a exceção, mas representam a regra do “crescei-vos e multiplicai-vos” aqui por essas paragens tupiniquins.
    O lamentável é que, como bem colocou o Wagner Lopes, na sua mensagem acima, que essa gente maldita e farsante da esquerda, além de nunca compreender, continuarão trabalhando na distorção dos fatos e de tudo o mais que seja contrário aos seus dogmas alucinantes.
    Um excelente documento para você e sua família.

    • Caro Rômulo,

      Eu tenho um orgulho da gota serena de ter essa origem multifacetada, especialmente de portugueses que adoravam um xibio, fosse de que cor fosse.

      Não foi à toa que um país, com uma população de pouco mais de um milhão de habitantes, conseguiu dar origem a esta nossa nação, imensa e maravilhosa, com mais de duzentos milhões de criaturas, além de ter saído espalhando portuguezinhos nos cinco continentes.

      Eita povo danado!

  3. Valente que nem um siri na lata. Muita poesia na valentia, no siri, na lata e em Adônis, um desses cabras que mesmo tão distante geograficamente, sempre seus textos possuem o dom de o colocar a nosso lado, um mesa imaginária de bar.

    – Porra, garçom, traga mais uma “duas geladas” que Adônis tem história pra mais de metro.

    • Afagas minha vaidade, pois quem manda bem nesta gazeta é gente do naipe dos elencados adiante. Ei-los: E na ponta direita do jbf… Gente que dá show em forma de texto e imagem (uma pegada mais politizada): Ana Paula Henkel, Marcelo Bertoluci, Caio Copolla, Cláudio Lessa, Políbio Braga, Luiz Berto Filho, Percival Puggina, Augusto Nunes, Adônis Oliveira, Luis Ernesto Lacombe, Alexandre Garcia, Goiano Braga Horta (ops, até o Goy?), Guilherme Fiuza, Rodrigo Constantino, José Roberto Guzzo, Paula Marisa e Bárbara.

      Berto só contratou Sancho (a peso de ouro, diga-se de passagem), para aplaudir os maiorais fubânicos, que ao longo do tempo aprendi a admirar e confesso que gastei a maior grana confeccionando carteirinha e crachas com esses nossos quase 100 fubânicos que dão show quase diário por estas bandas (incluí colunistas e comentaristas).

      Abração, gigante amigo…

  4. Belo relato, Mestre Adonis.

    A narrativa da esquerda referente ao racismo é sistêmica, programada, estudada. Cada “jornalista” é escalado para sempre trazer o tema à tona. Observe!

    E, como “macaquitos”, que é como nos classificam os hermanos argentinos, procuram replicar os incidentes com os negros da América do Norte, como o Black Lives Matter…vidas de negros importam.

    Quando um negro é agredido ou morto, procuram tipificar como causa, o racismo. Mas, a internet é cruel com esta turma lacradora (ela desmente um monte de baboseiras). Lá encontramos a história de nossa população miscigenada.
    Daí o interesse do PT e puxadinhos, em querer a censura da mídia, mas precisamente das redes sociais.

    A preocupação dessa patota não é contra as mentiras na internet – fake news -, e sim, com as verdades nelas expostas.

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