RÁBULAS E A NOBRE ARTE DA EMPULHAÇÃO

Desde há muitos anos atrás, época em que eu ainda era extremamente jovem, meu velho pai costumava comentar em tom jocoso que, ao ser solicitado a algum advogado, qualquer advogado; que falasse sobre um determinado assunto, qualquer assunto, mesmos os mais inauditos e estranhos; o mesmo responderia sempre com a seguinte pergunta: – O senhor quer que fale contra ou a favor?

Advogados simplesmente são assim: não possuem opinião! Adotam sempre a posição de quem pagar melhor. Sua característica principal é uma visão extremamente dialética e maniqueísta do mundo. Depois, uma disposição infinita à tergiversação, disposição esta que já passou a ser característica inerente às suas funções: Faz parte integrante e essencial do “esprit de corp” do seu “métier”. Podem passar dias e dias tecendo considerações a respeito (a favor e contra) da “Vida sexual dos Papuas da Nova Guiné no século XVII” sem se sentirem minimamente incomodados com o papel ridículo que estariam fazendo. Desde que estejam sendo devidamente remunerados por algum otário, é claro! Esta cupidez por dinheiro, aliás, seria a característica basilar e final da sua estrutura de personalidade. A grande maioria destes profissionais fazem parte gostosamente daquela famosa confraria do “Topa Tudo por Dinheiro”, razão pela qual se dão tão bem nas atividades políticas e parlamentares, muito especialmente em um país como o Brasil, onde estas atividades sempre foram diretamente associadas a tudo o que existe de mais ladrão e canalha na espécie humana.

Para essa turma, não existem questões simples. Quando se lhes afirmar que algo representa uma “Verdade Cristalina”, podemos ter certeza absoluta que a resposta dos mesmos será sempre no sentido de que a mesma questão não foi ainda suficientemente analisada em profundidade, de modo a se estabelecer o contraditório. Segundo eles, TUDO TEM QUE TER O CONTRADITÓRIO! Se não fosse assim, como é que os nobres causídicos poderiam cobrar os seus estratosféricos honorários?

Outra característica marcante destes profissionais é que não produzem absolutamente nada. Pelo contrário, só consomem. E muito! Vivem se alimentando das misérias alheias. São verdadeiros “abutres sociais”: onde se apresentam as misérias humanas em estado puro, lá se encontrarão alguns advogados fazendo daquela tragédia o meio de se apoderar de uma gorda parte da riqueza penosamente amealhada pelas partes envolvidas ao longo de grandes períodos de labuta.

O sonho maior de uma imensa parte de nossa juventude dourada passou a ser a obtenção do título de bacharel em direito e a aprovação em um concurso para alguma das milhões de sinecuras altamente remuneradas de nossa pantagruélica estrutura governamental. Algum cargo assim como Procurador de Coisa nenhuma, Auditor de um Tribunal de Faz de Contas, ou até mesmo uma Defensoria dos Direitos Difusos da Libélulas do Alto Xingu. A partir daí, seriam sempre regiamente remunerados, com baixíssimo nível de esforço pessoal, gozariam de férias generosíssimas, perspectiva de aposentadoria precoce e integral, além de outras muitas monstruosas regalias. A opção seguinte seria a adesão a algum escritório de advocacia especializado na defesa de causas milionárias dos políticos acusados de corrupção, sempre com a missão de postergar “ad infinitum” , através da aplicação de todas as chicanas jurídicas possíveis e imagináveis, das quais a nossa maldita legislação é tão pródiga, a aplicação de toda e qualquer penalidade contra o meliante em causa. Em ambas as opções, o arquétipo mental vigente é um jovem devidamente empalitozado, bem barbeado, unhas manicuradas, falar macio e empolado, cheio de “data vênias” e citações em latim e muito bem-posto na vida.

Num país onde reinasse a harmonia social, teoricamente não haveria necessidade de advogados. Onde existem muitos conflitos sociais, a presença dos mesmos passa a ser justificada. No Brasil, existem cerca de 100 MILHÕES de processos nos tribunais. Para cada par de habitantes brasileiros, existe um processo nos tribunais. Essa montanha imensa de conflitos representa um custo brutal para a nossa combalida nação, ao mesmo tempo em que nos transforma no paraíso dos advogados. A nossa estrutura do judiciário consome gorda fatia do PIB nacional (4,5%), enquanto tal fatia na Alemanha se limita a 1,5% de seu PIB.

Segundo dados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), há atualmente 1.169.482 advogados no Brasil.

De acordo com estudo publicado pela FGV Projetos, instituição que aplica o Exame de Ordem desde 2010, ao longo de 16 edições houve 1,9 milhão de inscritos, dos quais apenas 360 mil foram aprovados – um em cada cinco candidatos. Estima-se que haja cerca de 1,5 milhão de bacharéis que não conseguem ser aprovados no exame da OAB. O Brasil é hoje um dos países com mais advogados per capita do mundo e novos advogados são formados em grande escala todos os anos. De acordo com o portal E-mec, há 1.650 cursos de Direito em atividade, que ofertam mais de 317 mil vagas por ano.

“Dados da American Bar Association, a OAB norte-americana, país que foi sempre considerado como sendo o de maior quantidade de advogados no mundo, revelam o número de profissionais com cadastro ativo no país. A pesquisa, realizada em 2018, indica que havia 1,3 milhão de advogados, para um total de 325,7 milhões de habitantes em 2017, o equivalente a um advogado para cada 250 habitantes.”

A dúvida que nos fica é: será que temos essa quantidade imensa de advogados por que temos muitos conflitos, ou será que temos muitos conflitos por que estes são insuflados pela imensa multidão de ávidos advogados?

Enquanto isso, o Brasil possui apenas seis engenheiros para cada grupo de 100 mil pessoas, de acordo com estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O ideal, de acordo com a Finep, seriam pelo menos 25 por 100 mil habitantes, proporção verificada nos Estados Unidos e Japão. O mesmo estudo da CNI, entidade que representa o setor produtivo nacional, diagnostica que dos 40 mil engenheiros que se diplomam anualmente no Brasil, mais da metade opta pela engenharia civil – área que menos emprega tecnologia.

Por estarem realizando maior número de megaprojetos de infraestrutura, os países em desenvolvimento possuem maior demanda de engenheiros do que países que já possuem uma malha viária concluída, por exemplo. A mesma realidade se estende para as ferrovias, portos, fábricas, edifícios, sistemas de energia, e todos os outros aspectos da estrutura produtiva do país.

O objetivo de ampliar o número de engenheiros formados no país passa necessariamente pela redução da taxa de evasão nos cursos de engenharia, outro problema recorrente nas instituições de ensino. Entre 2000 e 2009, o número de formandos de engenharia saltou de 22,8 mil para 47 mil. Apesar do crescimento, a participação de engenheiros no universo de formados caiu de 7% para menos de 6%. Como forma de comparação, na China, 35% dos formandos nas universidades são engenheiros; e na Coreia do Sul, 25%. O problema não é só o número de engenheiros no mercado, mas também sua baixa qualificação. Faltam ao Brasil engenheiros qualificados. Profissionais com esse perfil, infelizmente, estão em falta no mercado, o que dificulta e, muitas vezes, inviabiliza a realização de alguns projetos.

Quando da remodelação do regime chinês promovida por Deng Xiaoping, passaram a ser favorecidos os “engenheiros vermelhos”, militantes convictos e com formação universitária. O primeiro Comitê Central da era dengista, eleito no XII Congresso (1982), é considerado um divisor de águas nessa tendência em favor dos tecnocratas, definidos como alguém formado numa disciplina técnica e ocupando funções na administração relacionadas com a sua especialidade. Distribuem-se eles por todas as avenidas e travessas do regime. São os responsáveis diretos pelo seu funcionamento. Na altura do XV Comitê Central (1997), já era impressionante o avanço dos tecnocratas na cúpula do partido: mais da metade dos trezentos e quarenta e quatro membros do CC; dezoito dos vinte e quatro membros do Bureau Político e todos os sete membros do Comitê Permanente eram engenheiros. Essa foi a base do desenvolvimento Chinês. Mesma filosofia adotada por Bolsonaro ao montar seu ministério. Queira Deus que tenhamos o mesmo resultado no Brasil. Para que isso ocorra, só precisamos exterminar a esquerda canalha e terrorista que nos inferniza.

7 pensou em “RÁBULAS E A NOBRE ARTE DA EMPULHAÇÃO

  1. Muito bom Adonis. Eu acho que os conflitos são frutos das interpretações e os caras aproveitam oportunidades para jogar lenha na fogueira. Recentemente comentei sobre um ladrão que processou o dono de uma padaria por ter levado umas tapas bem dadas. Ele encontrou um advogado pra essa causa.
    Os cursos de direito deveriam ter uma disciplina de Lógica. Eu falo nas minhas aulas de matemática financeira sobre anatocismo, mostro que não há sentido usar juros simples, e isso é o ponto G do judiciário. Os caras ficam ávidos pra saber se o cálculo foi feito com a “tabela price”. Não importa se a matemática está correta! É como se a lei proibisse tomar o remédio certo

  2. Caro Maurício,
    Eu sou engenheiro e economista.
    Depois de uma garrafa de vinho, fico a imaginar como seria a construção de um edifício com um bando de advogados exercitando o “contraditório” nos cálculos estruturais.

  3. Caríssimo Adônis Oliveira:

    Excelente, excepcional artigo mestre Adônis!

    Como trabalho na área de imóvel, fui procurado recentemente por um cliente para que desse um “parecer” a um determinado contrato de aluguel de um apartamento, estabelecido por ele em 36 meses.

    Solicitei-lhe o contrato de locação. Li. Nele percebi a ausência de cláusulas claras de direitos e obrigações para ambas as partes. Também percebi que o locador do imóvel foi negligente para cobrar os ajustes anuais, mesmo constando uma cláusula no contrato.

    Prescreveu o direito dele cobrar!

    Não havia um termo de vistoria no imóvel mencionando os acessórios em bons estados de conservação, avariados, etc. e tal, embora houvesse essa exigência no contrato.

    Havia no contrato uma cláusula de muita contratual de três aluguéis caso o inquilino viesse a sair antes do prazo estabelecido no contrato de locação, como determina a lei 8.245, de 18 de outubro de 1991, o CC/02 e demais leis especiais, mas o cliente já saiu e ele, o locador, não se pronunciou a respeito.

    Cobrei minhas explicações técnicas a ele, é claro, (ele não gostou mas pagou!), e depois lhe disse que ele não tinha direito a nada caso procurasse a justiça para reivindicar alguma coisa.

    Percebi que o locador, a despeito de a inquilina o ter procurado há mais de 15 dias para entregar as chaves do apartamento, ainda não compareceu perante a inquilina para pegar as chaves e verificar as condições em que deixou o imóvel.

    Disse a ele que ele estava errado, porque a inquilina, mesmo deixando o imóvel antes do prazo ele não se pronunciou sobre a saída dela, perdeu o direito de reclamar.

    Também lhe disse se houvesse algum dano, mesmo fortuito, ao imóvel, a inquilina estava amparada por lei porque já o havia comunicado que ia sair.

    Conclusão: pedi a ele para preparar uma declaração de rescisão de contrato com a vistoria no imóvel o mais depressa possível, pois tudo que viesse a acontecer ao imóvel a culpa era dele porque a inquilina já havia comunicado, mesmo verbalmente, a saída!

    Infelizmente, o brasileiro (nem todos!), peca pela informalidade. É por isso que leva fumo e engole as lorotas de um criminoso chamado Lula!

    • Cícero, o brasileiro médio mal consegue redigir um bilhete, quem dirá um contrato. Por outro lado, juízes e advogados usam e abusam do juridiquês e da embromação, para dar a impressão de que a coisa é mais difícil do que realmente é.

      A consequência é que as pessoas se sentem dependentes de um advogado para tudo, seja alugar um imóvel, cobrar uma dívida ou fechar um negócio. Mais lucros para eles.

  4. .
    o mais grave é que e$$e$ tais

    que são contra ou a favor,

    d$e$ p$e$n$ d$e$n$ d$o,

    são os que um dia quererão

    botar os quartos numas certas poltronas

    que dizem ser as “””mais””” !

  5. Ganham os advogados, com lucros polpudos e certos.
    Ganham os juízes e seus funcionários, regalados com verbas sempre crescentes.
    Ganham os políticos, com seu poder aumentando sem parar.
    Ganham os criminosos, com a certeza da impunidade.
    Perdemos nós.

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