A PALAVRA DO EDITOR

Um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama, essa frase é atribuída ao artista norte-americano Andy Warhol (1928-1987), influente nas artes da gravura, pintura e cinema, além de figurar com destaque no movimento artístico visual conhecido como art pop. Alcançou o auge da fama, na década de 60, ao pintar produtos como as latas de sopa Campbell’s, garrafas de Coca-Cola e retratos coloridos de celebridades como Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Elvis Presley e Che Guevara.

A notoriedade instantânea é atribuída, via de regra, a uma pessoa anônima que, de maneira repentina, vê-se diante da cobertura da grande mídia por algum fato que tenha merecido o destaque. Como a fama ocorreu de forma episódica, tais celebridades não se manterão na mídia por muito tempo, voltando ao anonimato da mesma maneira que dele saíram.

A necessidade pessoal de reconhecimento faz de parcela de nós potenciais pretendentes aos 15 minutos de fama – e como se investe nessa possibilidade! Provado o sabor da notabilidade deseja-se prolongá-la, e aí é quando se perde os sensos de responsabilidade, de humildade, de equilíbrio e de ridículo. Em nome da obtenção ou da perpetuação da fama inúmeras loucuras já foram cometidas, até mesmo pendurar melancias no pescoço com o fito de ser percebido.

Se, antigamente, os mecanismos para a notoriedade eram restritos aos jornais, revistas, rádio e televisão, na atualidade essas possibilidades são cada vez mais presentes no mundo moderno da comunicação, largamente ampliadas com os avanços das tecnologias digitais e canais da internet, como o Youtube.

As redes sociais estão abarrotadas de celebridades instantâneas que, mediante vídeos ou comentários alcançam, imediatamente, centenas de milhares de pessoas que curtem, compartilham, opinam, criticam, compram produtos, seguem conselhos ou se embevecem com o que ouvem ou veem.

Os mesmos instrumentos que alçam ao estrelato tais candidatos, com a mesma intensidade e rapidez com que os elegem, podem desmistificar as suas reputações devolvendo-os para as planícies de onde surgem. É assim que funciona o processo moderno de obtenção e perda dos 15 minutos de fama, tal qual uma máquina, consagrando e destruindo o sucesso num piscar de olhos.

Cá entre nós, falando baixinho para que ninguém nos ouça, eu acho que também tive os meus 15 minutos de fama; no caso, com duração de apenas uma semana. Isso aconteceu 26 anos atrás quando, sem querer querendo, enviei o texto Cansei das lombadas para publicação na revista VEJA, na seção Ponto de Vista, espaço reservado aos leitores na última página do semanário. E não é que eles acataram a matéria!

Um belo começo de tarde chega ao meu local de trabalho um fotógrafo desconhecido em busca do engenheiro José Narcelio. Levam-no até mim, e fico sabendo da novidade. Ele sugere o local da foto, e para lá fomos nós, onde posei de galã tupiniquim para a edição nº 1 386 da revista da Editora Abril, do dia 5 de abril de 1995. Na época a VEJA tinha uma tiragem semanal de mais de 1 milhão de exemplares.

Negar que não fiquei envaidecido seria mentir, porém com a mesma rapidez que vivenciei esse período de “fama”, ele sumiu. Nunca, depois, fui convidado para tratar de rodoviarismo em qualquer outro espaço da revista. A verdade é que cada um tem os minutos de fama que merece. Fazer o quê?

1 pensou em “QUINZE MINUTOS DE FAMA

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