DEU NO JORNAL

Leandro Ruschel

Tem muito esquerdista radical que acha o máximo a censura contra seus opositores.

Hoje é a direita que está sendo perseguida pelo Estado, através dos inquéritos supremos e outros instrumentos. O objetivo da Lei da Censura, cuja votação é prevista para hoje, é codificar a perseguição, que ocorre hoje ao arrepio da Constituição. O projeto prevê, entre outras arbitrariedades, que o Estado defina o que pode ou não pode ser falado nas redes.

Inicialmente, o projeto previa a maneira como seria formado esse Ministério da Verdade. Como muitos parlamentares viram o risco desse órgão se tornar um instrumento de censura, ele foi retirado do projeto. Só que a emenda ficou pior que o soneto, visto que ao manter no projeto a necessidade desse órgão, sem explicar como ele será criado, abre-se a possibilidade do governo baixar por decreto o tal Ministério da Verdade.

Em outras palavras, o descondenado teria carta branca para definir como a censura aconteceria nas redes.

Para esquerdistas que acham isso o máximo, lembre que governos mudam, e amanhã pode ser que a direita retome o Executivo.

Neste caso, você quer que conservadores definam o que pode ou não ser expressado nas redes?

Se há uma regra na história, é que o autoritarismo é autofágico.

É só estudar um pouquinho sobre as revoluções do passado. Robespierre foi executado por ordem do mesmo tribunal revolucionário que criou.

Quando acabou a fase mais aguda do Terror de Stalin, 2/3 dos seus companheiros não estavam mais vivos.

Quando Hitler consolidou o poder, a primeira coisa que fez foi se ver livre dos seus bate-paus da SA.

Quem defende a censura hoje, acabará censurado amanhã. Incluindo aí os militantes de redação que estão defendendo a medida, achando que estarão livres de qualquer censura.

Fale agora ou cale-se para sempre nunca foi tão verdadeiro.

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O que o projeto das “Fake News” faz:

1) Instituiu um regime de censura nas redes, em que burocratas militantes definirão o que você pode ou não pode dizer.

2) Dá imunidade a parlamentares falarem o que quiserem. Ora, se o projeto não ameaça a liberdade de expressão, como vários desses parlamentares afirmam, por que eles estão se dando imunidade à tal lei? Serão criadas duas classes de cidadãos: os políticos com liberdade de expressão, e os não-políticos sem liberdade de expressão.

3) Cria um imposto para empresas de tecnologia, que será repassado a grandes grupos de mídia, como Globo e Folha. Se estima que apenas a Globo receba mais de R$ 200 milhões por ano. Quem definirá a divisão da montanha de dinheiro será o o governo. Você acha que algum órgão de impressa agraciado com esse dinheiro falará mal do governo, que o alimenta?

4) Cria um forte incentivo para as próprias empresas de tecnologia agirem como agentes da censura, visto que elas serão responsabilizadas por eventuais conteúdos postados em suas redes. Assim o governo pode posar de “neutro”, enquanto o serviço sujo da censura é feito pelas empresas.

5) Deixará a publicidade on-line muito mais cara, o que prejudica especialmente os menores negócios, que contam com menos recursos.

6) Acabará de vez com a capacidade de cobrar políticos e outras autoridades, que tratarão as críticas como “ameaça à democracia”, “discurso de ódio”, ou simplesmente “fake news“. Em outras palavras, criará uma blindagem do establishment corrupto.

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O que o PL das Fake News não faz:

1) Não coíbe fake news. Ao contrário. O que teremos serão as mentiras do regime sendo propagadas por uma mídia comprada pelo próprio governo, tratadas como verdade, sob pena de censura e perseguição criminal. Já as verdades inconvenientes para o governo serão tratadas como mentiras e censuradas.

2) Não coíbe conteúdo impróprio para menores ou violência na internet, pois hoje já há ferramentas para punir quem comete crimes on-line. O que acontecerá é que os criminosos migrarão para ferramentas menores e mais obscuras, ainda mais difícil de serem monitoradas.

3) Não combate o discurso de ódio. Ao contrário. Apenas consolida a possibilidade de um lado do espectro político odiar o outro, sem consequências.

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ESSA É A ÚLTIMA CARTADA DA ESQUERDA

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