SANCHO PANZA - LAS BIENAVENTURANZAS

As ondas fustigando furiosamente os rochedos, cujas águas, por séculos, proveram as mesas com pescados que lhe fizeram a fama. Por ali chegaram também, dizia Gerttrude Feindy Von Schreck, os restos do apóstolo Tiago, fato que o colocaria no mapa de milhares de peregrinos, entre eles os famosos “pops stars” fubânicos Carlos Ivan, Beni Tavares, Rodrigo de León e Cícero Tavares. Todos os caminhos levam a Roma? Alguns nos levam à España e outros bem mais além.

Não há só um caminho até Santiago de Compostela. O mais famoso é o francês, mas outros, muito percorridos são o Caminho Português (que vem de Braga – saudade da Sônia Braga – que Gabriela cor de canela inesquecível!), o Caminho Sudeste-de la Plata (que passa por Ourense, a Capital Termal), o Caminho de Fisterra-Muxía e o Caminho Inglês (vindo do porto de Coruña). Ultreia! Ultreia!” (que significa no idioma galego “imos máis alá!”). Sim, vamos mais longe, vamos congelar nos Andes – Chi chi chi Le le le (Viva Chile!!!!). Nas ruas de Santiago de Chile, Michel Eyquem de Montaigne, há 400 anos, disse que o estilo tem três virtudes. A primeira: clareza; a segunda: clareza; e a terceira: clareza.

Já que está tudo bem esclarecido, Sancho e não Montaigne, retorna a Santiago. Como é bom trafegar com a majestosa cordilheira a meus pés e a coisa mais incrível, vou encontrar meu hermano Joaquimfrancisco. Só Sancho e sua bola de cristal o sabem. Nada é obra do acaso.

O velho Pixote Véi di Guerra resfolega (cê tá véi manu véi). “Cê tamém” responderia ele, se falasse. Voilâ, daqui a meia hora o encontro na Plaza de Armas (deixo aqui um beijo na boca de Ana de Armas, a Ana Celia de Armas Caso. Em meus sonhos ela sempre retribui. Êita cubana linda!). Cuba deu a Sancho três maravilhas: Fidel para eu criticar, Ana para eu amar e Jose Raúl Capablanca y Graupera, que ensinou a Sancho a clássica variante criada por tal gênio, o Xadrez Ortodoxo .

Ele, o Juquimchico (um abraço, Quinzinhochiquito!) está aqui, na bela capital chilena por conta do filme no qual está trabalhando (ele é aquele que cuida da maquiagem dos atores). Daqui ele vai, se não me engano, para Cuba, onde cuidará da maquiagem da Ana, em um filme que fará com o tal James Bond (um desses bundões que se acham o máximo, como um certo inglês – brincadeirinha “sir” Alexander Boris de Pfeffel Johnson). Meu único intuito nesta viagem é dar uma grana para meu irmãozinho (manja um subornozinho, um pixuleco, uma propina, um agrado!?) para que eu o substitua na equipe de maquiagem. Quero botar o batom naquela boquinha com minha mão e tirar com meus lábios. Se vou em cana por tal ousadia? Sei lá, acho que não, pois ontem sonhei que ela, a bela, me pedia todos os beijos que meus lábios conseguem ofertar (sou bom nisso!!!! Crê neu, papudos!!!).

Por São Fidel, protetor dos Sanchos apaixonados, vamos bien! Está um calor dos diabos (daqueles que fritam ovos no asfalto) na fria Santiago (cadê o inverno!?). Minha espevitada amiga francesa de Villefranche-de-Conflent (Les Plus Beaux Villages de France), sim estou acompanhado, pois o caminhão não está muito bom das pernas, digo, das rodas e foi necessário uma profissional graxeira e entendida em bolas, pois de mecânica não entendo chongas e de bolas muito menos (vai que a bola de cristal dá problema), desfila com um foulard rose em torno do pescoço, quanto mais calor melhor para a francesinha (falando sobre francesinha, que tal, quando for ao Porto experimentar iguaria sem igual servida em solo português? É um verdadeiro manjar para aqueles que adoram uma explosão de sabores na boca. Oh céus!

Voltemos à francesinha, o belo exemplar feminino. Caçamos Juquim por Valparaíso, Vina del Mar, Los Andes e região. Nem sombra. Violette queria porque queria ir para o norte que, eu acredito, é maravilhoso, mas se fôssemos eu perderia Juquim e Ana. A francesa fez biquinho, me chamou de “mon chéri” e venceu (o que não fazemos por um rabo de saia!?)… Pura do barril, assim não encontro o maquiador.

Ainda tentei refutar… Mais de 15 horas de ônibus para um “Veni vidi vici”. Non non et non. Eu disse que ela podia ir só, eu a esperaria em Santiago – onde está você, meu bom Juquim? – , gritava minh’alma. A prima da Bardot gritava que não queria ir sem mim, ou estamos juntos ou não estamos. Oh là là ! Trocamos o depauperado busão por equinos (não, não havia nenhum ungulado artiodáctilo – bichinhos simpáticos e nativos de áreas secas e desérticas da Ásia – disponível).

Arre égua!!!! Cavalgar na região de Los Andes é phodda nesta época do ano, mas (afrescalhado e friorento, mas), Violette se divertia, parava para observar, tirar fotos, comer uma graminha verdolenga aqui, outra acolá….”Sanchô, seu cavalo já está parecendo com você”. Não, caríssima não sou vegano e minhas paradas são para o inigualável cafezinho com croissants.

Última parada (a bola não errava nunca): Deserto do Atacama e suas dunas avermelhadas, o mais alto e seco do mundo. Empaquei como “mula véia”. Violette “querrrrria” sentir a “força do deserto” e a tal bola era a bússula a seguir. A louca da terra do Manel Micron falou que ou a acompanhava ou não pagava minhas diárias. Pensei no bolso (eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior -Desengano, lembram-se!?). Mas (abençoado, mas e benedicta bola de cristal), lá estava ele (Aleluia!!!!! – Encontrara meu amigo de fé, meu irmão camarada), em pleno deserto feito um joão, mas não um qualquer, um João Baptista. Corri até ele já usando, alto e em bom som o cumprimento de sempre (Ei corno véi!). Meu amigo, que estava de costas, com o céu escaldante batendo em seu quengo, virou-se. A claridade do local e meu vozeirão o confundiram e ele disse: “É você, Mestre!?”

Por todos os baráleos!!! Não era Joaquimfrancisco. O homem, que segura nas mãos uma “Adenium obesum” era João, filho de Zacarias, Havia passado muitos anos no deserto, afastado do convívio dos homens. Caí prostrado diante do homem santo, que me perguntou o que me afligia. Falei da necessidade de encontrar o amigo, omitindo a parte que incluía a beldade, pois não ficaria bem falar das “coisas da carne” com um cara que comia gafanhotos.

Papo vai, papo vem… Joãozinho (faço amigos muito rápido) ria de minhas piadas, olhava sem interesse algum para as pernas de minha amiga francesa, que se derretia pelo bom homem. Ele não perderia mais uma vez a cabeça (Herodíade, Salomé, Herodes Antipas….lembram-se!?).

De repente, não mais que de repente, João—no latim “Iōhannēs”—no grego “Iōánnēs” (Ἰωάννης)—no aramaico “Jochanan” (ܝܘܚܢܢ)—no hebraico “yōḥānān” (יוחנן) que por sua vez é o diminutivo de Yəhôḥānān (חנן + יהוה= YHWH mais o verbo Hanan) significando Yhwh Misericordioso—este nome aparece no Antigo Testamento, em especial na figura do Sumo Sacerdote do Segundo Templo, Johanan (Iorranã) em Jeremias 42:8—por volta de 400 a.C., FICOU sério, olhou em meus olhos e falou solene: “Seu amigo está neste exato instante em um dos diversos McDonald´s de Havana (Habana) segurando às mãos uma COCA-COLA e beijando a boca da bela Ana, que não é a famosa, mas uma tal Hanna e já combinaram nadar pelados nas águas paradisíacas da capital cubana (em Cuba, como a população tem “alguma dificuldade” para comprar roupas, dizem as más línguas, que a ditabranda resolveu a parada baixando decreto onde todas as praias passaram a ser de nudismo. Olho para minha saliente barriga e acho bom não ficar pelado em tais praias).

Disse-me, ainda, Baptista: – Vou distribuir a você, gratuitamente, dois conselhos: Primeiro que você não desperdice tempo e dinheiro indo para a “Ilha Paraíso” atrapalhar o romance (famoso empata phodda); e segundo, refestele-se na suite master aqui em Santiago e dê um pouco de alegria a essa francesa gulosa e carente. Inclusive, se disser ao gerente Assuero que é amigo de João, primo de Jesus de Ritinha de Miúdo, vai ter um desconto no vinho chileno.

Olhei aparvalhado para Batista—étimo grego “βάπτισμα” (baptismo= Batisma) o sufixo (ma) enfatiza que ocorreu a imersão (imergiu), “βαπτίζειν” (baptizein) para imergir; do verbo “βαπτίζω” (baptizó) imergir—”Ele imerge” (“ele batiza”) e pensei de mim para comigo após olhar para as depiladas pernas da francesinha: como posso não obedecer ao sábio homem?

Antes de despedir-me ia perguntar os números da megasena da virada, do motivo de ter dado ruim apenas para o tal Queiroz (tantos outros fizeram o mesmo) e se Lula seria presidente em 2022, mas (respeitoso mas), o bondoso sorriso de Joãozinho (êita intimidade e cara de pau) me fez crer que ele não me daria tais respostas. Ao deixar João, que era a cara do Adônis (tão feio quanto), decidi desvencilhar-me da tal bola de cristal e de que era “HORA DE RACHADINHA”, de jogar-me com a bela imitação de Brigitte Bardot na suíte master do Sheraton Santiago Hotel & Convention Center (Ô Sofrência!).