A PALAVRA DO EDITOR

O PT lulista já deu todas as provas do mundo de que não brinca em serviço, de que leva a criação do Foro de SP, ao lado do ditador Fidel Castro, bastante a sério. Quando esteve por 14 longos anos no poder, não só destruiu nossa economia, como tentou levar o Brasil nessa mesma direção em que foi a Venezuela e quase foi a Argentina, agora tentando retomar de onde parou. Nossa democracia esteve, sim, muito ameaçada, e o impeachment nos salvou.

Qualquer um que menosprezar esse risco, portanto, estará pedindo para ser ignorado no debate político. Quem faz pior, ridicularizando a “paranoia” com a venezuelização, no caso de volta do PT, está dando atestado de cumplicidade. Alguns jornalistas e formadores de opinião não escondem a paixão enrustida por Lula, mas a maioria adota uma postura de distanciamento “tucano”, ou seja, rejeitam o lulismo, MAS… odeiam tanto Bolsonaro que são capazes de aliviar a barra do PT só por isso.

O discurso de Lula, aliás, foi como abrir um bueiro, e o que vimos foram vários ratos saindo do subsolo, tomando as ruas – ou melhor, as redações dos jornais. Os militantes petistas da Folha, por exemplo, estão em polvorosa e já partiram para a campanha escancarada. Achava ruim com o PT? Mas que tal um “lunático, genocida e sua trupe” no poder?!

Militantes petistas devem ser só ignorados ou expostos. Mas os tucanos são mais perigosos, pois disfarçam melhor. E o problema com quase todo tucano é que seu destino é mesmo descer do muro sempre do lado esquerdo, caindo diretamente no colo de um petista.

Os “radicais de centro” estão assustados com o Lula pois percebem que isso mata de vez o sonho tucano, e não querem admitir que, com sua postura antibolsonarista histérica, fanática e patológica, chamando de “gado” ou “vendido” quem não agisse igual, deram munição ao mesmo PT.

É absolutamente compreensível alguém mais moderado ou liberal rejeitar esses excessos dos dois lados, condenar o petismo e a postura de muito bolsonarista. O problema, porém, começa quando ele busca equivalência entre esses dois extremos, ignorando a real ameaça petista, além da corrupção gigantesca, e colocando isso no mesmo saco de retóricas inflamadas e tribais do lado bolsonarista. Não são coisas similares, nem de perto.

Mas no fundo a turma “moderada” despreza ainda mais o bolsonarismo. Achavam a polarização entre PT e PSDB ruim, mas acham ainda pior a polarização atual, sentindo saudades dos tucanos. Demonizam qualquer um que enxergar virtudes no atual governo, enquanto aliviam a barra de tucanos que apelam para medidas autoritárias nos governos estaduais, além de passarem pano para os arbítrios do STF.

Posso respeitar um liberal moderado que se incomoda profundamente com o tribalismo atual, com a postura bolsonarista inclusive. Mas esse respeito se perde quando vejo tal “moderado” menosprezando o risco socialista com Lula. Isso é postura de tucano. E tucano, como já disse, nasceu para ser instrumento de petista.

O Brasil poderia ter um debate político de mais alto nível, sem dúvida, com alternativas viáveis de centro-direita. Só não venham nos vender tucanos de centro-esquerda como tal opção, pois isso é piada de mau gosto. Quem quer que prefira Lula a Bolsonaro, Mantega a Paulo Guedes e mensalão ao que temos hoje é um esquerdista nada moderado, por mais que se esforce para se colocar como um “moderado de centro”.

1 pensou em “QUEM MENOSPREZAR RISCO DE VENEZUELIZAÇÃO NÃO PODE SER LEVADO A SÉRIO

  1. O que o Constantino chama de Tucano, eu aqui neste espaço chamo de “isentão”.

    Criticas a Bolsonaro são muito salutares e positivas. Constantino, A. Nunes, Caio Coppolla, Fiuza, todos criticam Bolsonaro sem se esquecer que já passamos por coisa muito pior e que Lula não pode voltar mais.

    Porém aqueles que criticam sem apresentar uma proposta, este é o “isentão”, apresenta-se como fora da polarização mas está doido para ter o PT e o Lula de volta.

    À estes vai o meu desprezo, o Goiano, pelo menos é raiz e eu o saúdo pela sua coerência em ser incoerente..

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