CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

Dona Maria do Carmo e Armando Monteiro (no amor eterno)

Um dos mais lindos, sublimes e comoventes textos que li nos últimos anos foi publicado na Folha de Pernambuco, no dia 18/Jul/2020, por Dona Maria Lectícia Monteiro Cavalcanti, esposa do jurista e colunista fubânico, Dr.º José Paulo Cavalcanti Filho, homenageando sua mãe, Dona Maria do Carmo Monteiro, uma mulher tão linda e elegante que, aos 94 anos a natureza a mantinha com o rosto de pêssego e sorriso de maçã, e o tempo manteve essa beleza intacta sem precisar de photoshop:

“Ensina o livro do Eclesiastes que há um tempo para todo propósito debaixo do céu: “Tempo de plantar e tempo de arrancar a planta; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de abraçar e tempo de se separar; tempo de nascer e tempo de morrer” (Ecl 3, 1-5). Até o final dos tempos, assim será. “Uma geração vai, uma geração vem. O sol se levanta, o sol se deita, apressando-se a voltar ao seu lugar e é lá que ele se levanta outra vez. O que foi será, o que se fez, se tornará a fazer: nada há de novo debaixo do sol” (Ecl 1, 4-9).

Compreendemos tudo isso. Aceitamos a vontade de Deus. E agradecemos o privilégio da convivência com minha mãe. Só que agora, teremos que aprender a viver sem ela. Ficou um enorme vazio. Uma tristeza sem fim. A saudade de sua presença linda, elegante, impecável (no físico e nos gestos). De seu jeito doce e firme, carinhoso e forte, simples e altivo. Sempre intransigente na defesa de seus princípios, solidária e generosa com os que precisavam, presente na alegria e, sobretudo, na tristeza.

Saudade dos seus conselhos, de sua experiência, de sua sabedoria. Sempre equilibrada e tranquila, na adversidade. Porque cedo compreendeu que os problemas estão postos para serem resolvidos. E decide melhor quem não se abate, quem os enfrenta sem dramas, sem dores, sem queixas.

Esteve sempre aberta à vida. Às modernidades da juventude. Dominava com maestria todos os equipamentos eletrônicos. Escolheu como sua principal e mais importante missão cuidar de Papai. De tanto cuidar dele e dos outros, virou quase médica; e assim, como se fosse mesmo examinava, diagnosticava, passava remédio. E acertava, sempre.

Criou seus filhos respeitando a individualidade de cada um. Compreendendo que filhos não são nunca cópias perfeitas de seus pais, no sentido de que devem ser livres para cumprir seus destinos. Com a distância das jornadas se medindo, algumas vezes, pelas circunstâncias; outras, pela determinação da vontade.

Criou seus filhos respeitando a individualidade de cada um. Compreendendo que filhos não são nunca cópias perfeitas de seus pais, no sentido de que devem ser livres para cumprir seus destinos. Com a distância das jornadas se medindo, algumas vezes, pelas circunstâncias; outras, pela determinação da vontade.

Criou seus filhos respeitando a individualidade de cada um. Compreendendo que filhos não são nunca cópias perfeitas de seus pais, no sentido de que devem ser livres para cumprir seus destinos. Com a distância das jornadas se medindo, algumas vezes, pelas circunstâncias; outras, pela determinação da vontade.

Precisamos, e precisaremos sempre, de seu exemplo, de suas lições, de sua proteção. Até porque, como no poema (Para sempre) de Carlos Drummond de Andrade, “Mãe não tem limite/ É tempo sem hora,/ É luz que não apaga quando sopra o vento/ É eternidade”. É “a coisa no mundo mais parecida com os olhos de Deus”, segundo dom Tolentino Mendonça.

Ensina o poeta espanhol Antonio Machado que, “Para o caminhante, não há caminhos.

Caminhos se fazem ao andar”. Na direção indicada pelas estrelas no céu. Se assim é recebam, Mamãe e Papai, de seus filhos, netos e bisnetos, a certeza de que vocês são, e serão sempre, duas estrelas brilhantes. Indicando caminhos, no mar sem fim de nossas vidas.”

Quem já teve o privilégio de ler História dos SABORES PERNAMBUCANOS (2014), uma pesquisa de fôlego das delícias do paladar pernambucano e Esses Pratos Maravilhosos e Seus Nomes Esquisitos (2013), com prefácio primoroso do antropólogo Roberto Augusto DaMatta, ler sua coluna aos sábados sobre culinária freyreana na Folha de Pernambuco e saboreia os pratos pernambucanos, se apaixona tão apaixonadamente pela culinária pernambucana ao ponto de sentir seu sabor para o resto da vida.

3 pensou em “QUE FALTA ELA NOS FAZ!

  1. QUE FAMÍLIA DECENTRE É ESA. EU SOU ADMIRADOR DA DECÊNCIA DESSE PESSOAL NA POLÍTICA. O PRÓPRIO EX-SENADOR ARMANDO MONTEIRO JÁ PERDEU DUAS ELEIÇÕES PARA GOVERNADOR PRO PAULO CÂMERA LENTA, MAIS NUNCA PERDEU A DIGNIDADE. ESSA FAMÍLIA MERECE UM ABRAÇO!!!

  2. Não há como pagar um gesto desses. O amigo Cícero, sempre tão generoso. Já mostrei a dona Lecticia e ela ficou comovida. Viva Chiquiho. Abraços com o coração, José Paulo.

  3. Conheci Dr Armando, uma pessoa correta, exemplar. Trabalhei no banco e vez por outra ele me ligava dizendo “Assuero, vou lhe convocar para uma reunião…” Aí dizia data e o local era a Companhia Geral de Melhoramentos.

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