PRODUTIVIDADE

A luta do Brasil para pular o baixo nível de produtividade é eterna e intensa. Até a década de 80, a economia brasileira gozava de saúde. Era saudável, estampava vigor. Não apresentava aquela exuberância das potências mundiais, lógico, mas, dentro das possibilidades, sustentava a barra. Quebrava o galho.

O crescimento dos índices de produtividade, movido por mudanças estruturais, confirma a tenacidade econômica. Mostra a vontade que o país sente para obter nova imagem no cenário internacional. A perseguição é enorme, porém, os resultados são poucos, mesquinhos. Aparecem devagar.

Por ser pobre, desprovido de recursos financeiros, carente de capital, o Brasil nunca foi simpático, muito menos seguro para atrair investimentos estrangeiros. Então, não restava outra alternativa, senão ficar balançando ao vento, sem destino certo, de acordo com a onda reinante no mundo, naquela ocasião.

Ora navegava em boa maré. Noutra, em maré baixa, de acordo com o vento. Por isso, muito governantes afrouxaram. Para não manchar o nome político, preferiram adiar o projeto das reformas estruturantes.

O governo Lula, em vez de fazer a Reforma da Previdência, preferiu aumentar a arrecadação para fechar as contas descontroladas. O resultado não foi o esperado. Não aniquilou os imbróglios. Ao contrário, adiou os problemas estruturais. Empurrou os estragos pros outros.

Por outro lado, especialistas argumentam que com as concessões dos aeroportos de Porto Alegre, Salvador, Fortaleza e Florianópolis, feitas no governo seguinte, com o objetivo de modernizar a precária infraestrutura do setor aeroviário do país, também não obteve o festejado sucesso. Como foi comemorado na época.

Outros gestores, menos frouxos, apesar do Congresso extremamente interesseiro, aprovaram reformas. Mas, de maneira lenta. Tão vagarosa que pouca contribuição deu para iniciar a recuperação econômica. Manter o crescimento do PIB de forma sustentável. Com índice de crescimento acima de 3%.

Aliás, em lugar de crescimento, o que a economia mais enfrentou foi estagnação. Desaquecimento econômico, déficit fiscal nos Estados, ineficiente mercado de trabalho, desemprego, indústria com técnicas de produção super atrasadas, mão de obra desqualificada e outros logros.

Faz 40 anos, a produtividade brasileira não cresce. Parou no tempo e no espaço. Consequência de incertezas, intervenções, péssimos planejamentos. Concessões de aeroportos, fora do esquema e outros bichos.

Essa cultura de governos ceder a pressões de grupos econômicos interesseiros num tá com nada. Afinal, distribuir benefícios para impor barreiras comerciais, política de proteção regional, abertura comercial e concessão de incentivos tributários, sob a alegação da sociedade resistir às reformas, é conversa fiada. É jogo político. Infrutífero.

O exemplo da Grã-Bretanha, anteriormente metida numa encruzilhada, é significativo. Depois que entrou de cara nas reformas, bastaram somente três anos para a ex-primeira ministra Margareth Thatcher colocar o PIB inglês numa onda de crescimento espetacular.

Apesar do excelente feito, a ex-Dama de Ferro inglesa, não fez estardalhaço, Não se julgou a única autoridade capaz de consertar o país da rainha Elizabeth II que sofria deconstantes fases de desarranjos político, social e economico.

Humildemente, após a passagem do cargo, a toda poderosa Thatcher recolheu-se aos seus afazeres particulares. Permanece no maior silêncio. Ciente do dever cumprido. Sem debochar de ninguém. Nem mostrar arrogância. Fez o que podia fazer e passou o bastão para os outros proseeguir na jornada.

Além das reformas, o bonde brasileiro do crescimento não pode parar. Tem de correr atrás dos erros, corrigi-los de imediato. Com o intuito de atualizar os atrasos que ocorrem nos transportes, energia, telecomunicações, saneamento e na degradante burocracia. Dar uma varrida no desequilíbrio fiscal, no protecionismo, nas desigualdades e no setor público, preguiçoso. Eliminar a ineficiência do Estado é a pedida.

O começo da nova jornada, iniciada neste governo, já revela bons resultados. Os juros foram derrubados, a Selic tá lá embaixo. A inflação está controlada. Resta agora, encarar de frente a questão da baixa produtividade que não pode ficar com a cara de incompetência. Faminta e maltrapilha.

Afinal, o Brasil tem capacidade de jogar junto com outros grandes países. Embora, ainda sem a devida competência. Os juros do cheque especial e do cartão de crédito é outro entrave a ser cortado.

Antigamente, os governos, pomposamente, comemoravam pequenos resultados positivos com festanças, regadas a gordas mordomias. Apenas para impressionar a galera. Deixando na reserva, o essencial. A força de trabalho e os meios de produção que pedem recauchutagem. .

Ora, país algum, se pensa em crescimento, joga para segundo plano, o capital humano, o capital físico das empresas e a infraestrutura. Eles são básicos, fundamentalmente essenciais.

A recessão de 2014 e 2016 foi catastrófica. Provocou desemprego, incentivou a informalidade, afastou os investimentos, parou as inovações, não renovou os equipamentos, no parque fabril, nem capacitou o trabalhador.

Daí a queda da produtividade. Então, bastam os sete anos de queda na produção de bens e serviços, na derrubada da competitividade nacional, na contabilização de pequenos lucros e nos vergonhosos salários. No poder público, altíssismos. Na iniciativa privada, baixíssimos. Enfim, a produtividade sustentável é um gerador de riquezas.

E gerar riquezas, para posterior distribuição com o trabalhador e a sociedade aflita, é o que o Brasil mais precisa consertar. No momento.

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