CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

Recebi no meu e-mail esse texto para lá de engraçado, cujo título é o mesmo título desta minha coluna de hoje.

É da autoria do psiquiatra doido de jogar pedra, Emanoel Bione, petista rivotril, fundador do hebdomadário O Papa-Figo, office boy a seu serviço, cachacista, co-fundador do bloco carnavalesco “Nóis Sofre, Mas Nóis Goza”, biógrafo do Amigo da Onça, adorador e devoto desvairado do homem mais honesto deste país, para o qual está escrevendo a biografia que prova de A mais Z sê-lo a mais viva alma honesta deste País, ao qual dedicou a vida…

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“O genial Tom Jobim tinha uma teoria sobre o chato bem própria. Ele dizia que o chato adora contato de pupila. Por isso ele, que tinha uma mesa cativa nos fundos do restaurante Plataforma, no Rio, sempre usava óculos escuros, fosse de dia ou de noite. Contava que certa feita, no avião, ele ostentava seus óculos escuros e um jornal, que lia do princípio até o fim da viagem. Mas sentiu vontade de ir no banheiro. Soltou o jornal e, ao voltar, o cara sentado a seu lado perguntou: “Estou lhe reconhecendo: você não é aquele cantor Antônio Carlos & Jocafi? Ele, em cima da bucha: “Não, meu senhor. Eu sou o Tom & Dito.”

Agora vamos aos chatos mais comuns:

Chato 1

1) Chato come-come – O cara que garante que não há mulher que, depois de 10 minutos de papo, ele não consiga comer. Até chegar em casa e encontrar a esposa com um urso escondido no guarda-roupa. Conta-se que num dos festivais de humor do Piauí, um conhecido cartunista pernambucano veio com esse papo de pegar a mulher na primeira cantada.

O chargista Adão Iturrusgarai, muito gozador, o desafiou, depois de arriar as calças e mostrar a bunda: “Me come, fulano!” Para riso geral.

Chato 2

2) Chato sabe-tudo – É a pessoa que vai de piadista a médico, depois a físico atômico, especialista em assuntos criminais ou em literatura. Quando alguém da mesa explica algum assunto, ele sempre expressa um ponto de vista exatamente contrário a fim de desqualificar o falante. E diz que apenas está fazendo uma “crítica construtiva”.

Chato 3

3) Chato centopeia – Parece contar com mais de 100 pares de pernas para correr atrás de alguém por ruas, shoppings, aeroportos, e até no exterior, a fim de aborrecê-lo até o limite da insanidade com suas asneiras.

Chato 4

4) Chato amigável – Gente que, no segundo minuto, está te chamando pelo apelido. No segundo encontro usa diminutivos para se referir a você, e no terceiro se acha seu irmão. Lembra aquele cara que fala de teus defeitos como se fosse um elogio, te deixando com um sorriso amarelo, por não conseguir se defender. Eu conheci um assim. Certa vez na minha repartição chegou um senhor com uma deformação na coluna, que o pessoal chama de corcunda.

Esse chato já o conhecia en passant. Então ele desferiu seu golpe mortal: botou a mão no ombro do rapaz e mostrou para os presentes: “Estão vendo esse amigo aqui? Ele tem essa radiola nas costas, mas é um cara feliz. É ou não é, amigo?”

O rapaz balançou a cabeça em sinal de positivo e saiu em direção ao elevador, com um sorriso amarelo nos lábios.

10 pensou em “PREVISÃO DA METEOROLOGIA: TEMPO SECO, MAS CHOVE CHATO

  1. 5) O chato fubânico – uma gente maravilhosa, que gosta de boa leitura e tenta convencer a todos os que conhece a acessar o Jornal da Besta Fubana, frequentar o puteiro do Assuero e postar no zap zap do cabaré mais famoso do universo.

  2. Mestre Sancho, CABARÉ DO BERTO, no ZAP, mais uma ideia genial do professor Maurício, é a certeza de que estamos ressuscitando O Pasquim e Bundas, para a nossa alegria, com tecnologia de PONTA, onde cabe o mulheril e o macharal, sem nenhuma censura a ambos.

    No Jornal da Besta Fubana, a Gazeta Escrota, no CABARÉ DO BERTO, só não vai quem já morreu.

    Aqui é diversão para lá de SODOMA E GOMORRA, com linguajar de convento.

    Não vai existir outra criação mais criativa no universo internético onde a liberdade de opinião reina absoluta.

  3. Perfeito o artigo.
    O assunto “chatos” já foi abordado pelo escritor Guilherme Figeiredo* na década de 70, que abordou muito mais tipos.

    * o escritor, muito bom era irmão do General João Figueiredo, último presidente da Ditadura, que “preferia o cheiro dos cavalos”.

    • Caríssimo Francisco,

      Obrigado pelas palavras e acréscimos gentis. Isso é muito enriquecedor.

      Quem sabia tratar muito bem os chatos era o Coronel Bitônio Coelho, o gambrião de Maria Bago Mole. Quando ele percebia que o “chato” estava criando asas pra riba dele, punha a mão na carabina que sempre trazia no coldre e dizia: “Olha o que tenho pra tu!” No instante o cabra se calava! Kkkkkkkkkkkkk”

  4. Parabéns pelo excelente texto, prezado cronista Cícero Tavares..

    Esse gênero de literatura faz bem à saúde.. Os casos são hilários. e os tipos abordados são encontrados no nosso cotidiano. Adorei!

    Grande abraço! .

    • Obrigado Violante Pimentel pelas palavras gentis. Não é à toa que todos a tratamos respeitosamente e merecidamente como a Dama das Crônicas do Jornal da Besta Fubana, pela qualidade dos temas abordados nas crônicas, abrangências culturais e acurácia gramatical.

      Cora Coralina se encantou há muito mas deixou uma discípula que faz jus à sua Aldeia.

  5. Interessante Cícero. Poderia aumentar a relação colocando mais opções de chatices. Tem uma frase de Millôr Fernandes: “chato é aquele que conta tudo tin-tin por tin-tin e ainda entra em detalhes”.

  6. Maestro Maurício Assuero, obrigado pelas palavras gentis.

    O professor está com um cartaz da porra no Jornal da Besta Fubana.

    Está criando tudo quanto é plataforma para franquear a Gazeta Escrota, sem contar no CABARÉ DO BERTO, que hoje se tornou o mais cobiçado lupanar de Pangeia.

    Certamente vem mais invenção por aí e todos nós saímos ganhando para nossa alegria.

    Quem sabe se Adônis Oliveira, com a sua inteligência perspicaz, não nos traga uma nova invenção que modernize mais ainda o Cabaré doBerto? E o Goiano, com a sua contribuição “socializadora?”

    Esperemos.

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