CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Quando o filho perde o apetite, anda dorminhoco e indisposto, a mãe logo pede auxílio ao médico. Em resposta à consulta, o doutor, após exames, receita, em geral, fortificante para o garoto recuperar o ânimo e voltar a correr como um verdadeiro atleta. Cheio de gás. Como era antes.

Assim, também são os países, quando querem resolver seus problemas. Solucionar descontroles, reformar regras, atualizar normas, modernizar as leis vigentes. Na maioria das vezes, as medidas tomadas são drásticas e impopulares. Desagradam a população, que nunca é consultada se aceita ou não as inovações na legislação.

Em resposta, o governo faz ouvido de mercador, não dar bolas para as reclamações, argumenta a necessidade de mudanças, sob pena de acumular mais problemas. Então, o Poder Executivo acaba sancionando as novas medidas aprovadas pelo Congresso. Aceite ou não a sociedade. Goste ou não o povo.

Os três governos anteriores, também reformaram as normas da previdência. Mais modificaram muito pouco. Por isso, não repercutiram tanto como esta reforma, aprovada em 2019, e já vigorando, atualmente. A atual reforma é mais abrangente. Trouxe mudanças para quem está na agulha para se aposentar. Introduziu regras de transição para o trabalhador que já participa do sistema. Extingue a aposentadoria por tempo de contribuição.

Está claro que nos debates sobre a reforma, não existiu consenso. As opiniões divergiam. Umas a favor, outras, contra. Na opinião de analistas, a reforma foi fundamental para o Brasil. Os resultados devem começar a aparecer a médio e longo prazo, sobretudo para a população mais pobre.

Não tem mistério. Quem paga a aposentadoria é o trabalhador que está na ativa, mediante contribuição, compulsória ou não. Mas, como a população envelhece e o desemprego cresce, acaba faltando dinheiro para pagar as aposentadorias em vigor, já que a quantidade de aposentados, tende a crescer regularmente.

Então, para cobrir o rombo de R$ 150 bilhões por ano, panorama de momento do INSS, cerca de 2,3% do PIB, o governo tira dos tributos recolhidos e empresta o dinheiro, que é da sociedade, emitindo títulos públicos.

Todavia, diante da dificuldade para fechar a conta, vez que os velhinhos estão vivendo mais um tempinho, em função do aumento da expectativa de vida, o jeito foi reformar. Colocar ideias novas para não sobrecarregar o caixa do Estado.

A saída para eliminar o déficit previdenciário é a reforma, que reduzirá as despesas do governo. Desse jeito, é possível o país pensar em investimentos e incentivar a indústria a aumentar a produção para no fim das contas, elevar a receita tributária.

Aliás, desde 1980, o mundo inteiro passa por alterações no sistema previdenciário. Sem dar a mínima para o beneficiário, os gestores alegam o mesmo argumento. O envelhecimento da população.

Antigamente, predominava a população jovem. A população idosa, era pequena, comparada à juventude. Então, o que os países arrecadavam nas contribuições previdenciárias, davam para pagar as aposentadorias. Sem aperreio ou desequilíbrio financeiro.

Todavia, com o passar dos anos o quadro previdenciário se modificou. Atualmente, a quantidade de trabalhador jovem é pequena para sustentar o contingente crescente de aposentados, que triplicou nos últimos anos.

Hoje, faltam trabalhadores ativos. O número de contribuintes diminuiu, enquanto sobram aposentados. Estatística com tendência a crescer em função da fila de futuros aposentados andar acelerada. Não parar de crescer. É justamente isso que desequilibra as contas.

Existem dois modelos de previdência social em vigor no mundo. Tem o sistema de repartição e o de capitalização. O entendimento é fácil.

No sistema de repartição, as contribuições dos trabalhadores ativos pagam as aposentadorias dos inativos. O que é arrecadado pela Previdência, paga o benefício do aposentado e pensionista. Sistema mais usual na maioria dos países, inclusive no Brasil.

O outro sistema é o de capitalização. Nesta modalidade, o que prevalece são as poupanças individuais. Cada trabalhador deposita recursos numa conta própria. No momento da aposentadoria, é essa reserva que vai sustentar os benefícios do aposentado.

Muitos países foram forçados a alterar as regras de aposentadora. A França, que adota o sistema de repartição, remodelou o sistema previdenciário em 2010. A idade mínima aumentou para 62 anos. Aposentadoria integral, só a partir de 67 anos.

A Alemanha faz reformas previdenciárias constantemente. Reformou o modelo em 1992, em 2007 e em 2014. A idade mínima para a aposentadoria é de 67 anos. Na Alemanha, vigora o sistema de repartição.

A Grécia, também remodelou o sistema em 2010, 2012 e em 2016. A idade mínima pulou para 67 anos para homens e mulheres. O tempo de contribuição para aposentadoria integral é de 40 anos.

O Japão, cuja população maior é de idosos, teve de reformar, sob pena de desequilibrar as contas. Então, para equilibrar as contas públicas, a idade mínima exigida, desde 1994, é de 65 anos. Atualmente, o pagamento de benefícios previdenciários corresponde a 10,2% do PIB japonês.

O projeto de Reforma brasileira passou 9 meses transitado no Congresso. Perdeu muito em debates e discussões, possibilitando rápidas alterações no perfil previdenciário.

Os principais fundamentais para a reforma estão bem claros. Constante alteração do cadastro dos participantes da Previdência. Então, para evitar desequilíbrios financeiros, pouca gente pagando e muitos recebendo benefícios do INSS, exemplo típico do brasileiro, caso o país não aprovasse a Reforma, daqui a pouco não teria mais condições para garantir as aposentadorias e pensões do trabalhador.

Com a inovação, o futuro trabalhador e parte dos que já estão empregados, com carteira assinada, sofrerão reflexos na aposentadoria. O motivo tem explicação. O valor do benefício corresponderá a 70% da média da maioria dos mais altos salários recebidos pelo trabalhador, durante a vida ativa no emprego.

No entanto, para a economia, os efeitos são positivos. Equilibra as contas públicas, torna a economia confiável, estimula os empresários a investir. Com isso, gera emprego, aumenta o consumo, amplia as vendas, eleva a arrecadação, reduz as desigualdades futuras no sistema previdenciário.

Agora, acabou o tempo de contribuição. Aumentou a idade mínima para a aposentadoria. Mulher, 62 anos e homem, 65.

A outra dificuldade para o trabalhador pensar em aposentadoria está bem clara. O homem, só se aposenta após 20 anos de contribuição e a mulher, depois de 15 anos. Antes disso, nem milagre.

Doravante, o trabalhador da iniciativa privada se igualou ao servidor público. Uma coisa é clara. O projeto cortou uma bolada em direitos, é verdade. Todavia, reduziu também o valor do benefício, ampliou o tempo de contribuição. Apesar de duras medidas, foi o jeito, por enquanto.

4 pensou em “PREVIDÊNCIA

  1. Prezado Carlos Ivan,

    Você, como toda a nossa impressa de aluguel, só falou de um lado da questão.

    Não falou nada sobre as verdadeiras montanhas de dinheiro que foram pagas a este famigerado sistema, e que foram solenemente desviadas e roubadas. Primeiro, para financiar obras escrotas, todas devidamente superfaturadas por políticos ladrões (Olha o pleonasmo!). Isto, quando não serviram para financiar obras faraônicas, ao custo de Bilhões de dólares”, em países de bosta, todos esquerdistas e alinhados até à raiz dos cabelos com os “Clepto-Comunistas” brasileiros do PT, servindo apenas para encobrir operações fraudulentas para desvio de fortunas dos otários trabalhadores.
    O segundo ramo da ladroagem, e infinitamente maior, são as aposentadorias ABSOLUTAMENTE ESCROTAS de juízes, desembargadores, procuradores, auditores, corregedores, assessores, o “CARALHORES”, aspones, e milhões de lombrigões gordos instalados na pantagruélica estrutura estatal desta merda de país.

    Assim, mesmo tendo contribuído com milhões, ao longo de toda uma imensa vida produtiva, e que daria para ter uma bela aposentadoria, não sobra porra nenhuma para a aposentadoria dos otários que sustentam esta merda de país.

    É como disse a Madre Superiora, naquele momento de rara inspiração:
    ASSIM, NÃO TEM CU QUE AGUENTE!!!!

    • Caro Adonis Oliveira, confesso que foi bom não ter tocado no outro lado da história da Previdência porque vc com muita propriedade trouxe detalhadamente os podres que aconteciam e ainda não acabaram nos bastidores deste pobre país, eternamente arrombado por múltiplos ladrões.Atualmente, a mídia, vez por outra aborda fatos .ultrajantes, praticados por altos figurões. Enquanto a soltura desenfreada determinada pela Justiça, permanecer ativa, só favorecendo os ricos, o país não deixa de tomar na tabaca. ,

  2. Carlos, quando eu e meus irmão eramos meninos lá nos confins das Gerais, ficávamos meio inapetentes, assonorentados e indispostos, minha mãe costumava nos dar, Biotônico Fontoura , Emulsão de Scott, ou ovo de pata com Vinho Reconstituinte Silva Araujo para que ficássemos cheios de gás. Hoje, para o gozo geral da moçada, o gás esta sendo introduzido pelo orifício rugoso. Cruz credo! Pé de pato mangalô três vezes . kkkkkkkkkkk

  3. Caro Paulo Terracota, gostei, tb tomei este dois revigorantes citados. Mas, longe de mim pensar em tomar no orifício rugoso. Oxe.

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