ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Posso afirmar, sem medo nenhum de errar, que o governo brasileiro é A MAIOR USINA DE PRIVILÉGIOS de toda a história da humanidade! Todo nós temos consciência bem clara disso. O país inteiro caiu na situação reinante em Pernambuco, ao longo do século XIX, e bem descrita nos versinhos populares relembrados por Gilberto Freire: “Aqui em Pernambuco, / Está tudo muito parado. / Ou você é Cavalcanti, / Ou você é cavalgado”!

A prova maior de que estamos todos sendo cavalgados é o fato de toda a nossa juventude, de forma bem coerente e não desejando ser transformada em cavalgadura, estar direcionando todos os seus esforços a fim de conseguir ser aceita neste imenso e perene “Baile da Ilha Fiscal” praticado pelo governo. É uma septicemia generalizada de nosso tecido social. Só nos falta, agora, tomar vergonha na cara e agir para sustar esta infâmia.

Nem as opulentas cortes francesas dos reis Luíses da França; nem o serralho de concubinas dos Paxás muçulmanos de Constantinopla; nem as opulentas cortes dos marajás indianos; nem a cúria papal nos tempos áureos dos Bórgias na idade média; nem o ápice do luxo e riqueza da corte dos Habsburgos na Áustria; nenhum desses exemplos máximos de espoliação de toda uma população em benefício de uma casta de privilegiados, nenhum desses exemplos chega nem aos pés do imenso volume de iniquidades praticado de forma corriqueira e diária pelo nosso sistema de governo em todas as suas instâncias, cada uma a seu modo próprio.

O tumor principal deste câncer, que se espalhou em metástase por todo o nosso tecido social, é o legislativo. O foco de onde emana toda esta podridão são as duas casas federais – Câmara e Senado, se estendendo pelas assembleias estaduais e pelas câmaras de vereadores de forma ubíqua. A malversação de recursos públicos, as remunerações e mordomias, extravagantes e injustificáveis, a corrupção subjacente a todos os atos diretivos emanados destas casas, o cinismo deslavado e o descaramento total tornaram-se a regra predominante. O que era para ser uma casa de honrados e nobres representantes da população, converteu-se em valhacoutos de facínoras e canalhas de altíssima estirpe. Mas como chegamos a este estágio tão abjeto de degradação? Eu explico:

O processo seletivo para chegar a fazer parte desta confraria de vermes nauseabundos, teúdos e manteúdos em verbas bilionárias, se dá através de um longo e penoso processo. Nesta seleção, verifica-se em cada candidato a capacidade e a disposição para vender a própria mãe fatiada, tal qual picanha argentina, simplesmente a fim de manter o poder e os privilégios que foram por si conquistados. São estes que, após sucessivas seleções partidárias, seleções estas realizadas pelos facínoras de mais alto coturno em cada agremiação, são apontados à população para escolha. Ao final, só resta à população a opção entre este canalha ou aquele outro canalha. Ao fim, os sobreviventes, os melhor aquinhoados com os dons da empulhação e da mentira, assemelham-se todos a aquelas bactérias de altíssima resistência aos antibióticos – os Staphylococcus aureus. Os seus longos embates contra a moralidade e a decência torna-os todos altamente resistentes a qualquer tratamento para eliminá-los da vida pública e para enquadrá-los nas leis que propugnam pela correção nos atos públicos.

Podemos compará-los, sem nenhum exagero, a uma terrível gonorreia institucional de dificílima cura em nosso país. São esses vermes que, sempre legislando em causa própria, criaram a legislação mais maluca de todo o planeta. Somos o único país do mundo em que o juiz é quem fica sob ameaça de ser preso se “abusar da autoridade”, quer dizer: O juiz vai preso se ousar julgar algum dos celerados e prendê-lo. Depois, mesmo tendo sido julgado e condenado, o meliante só poderá ir preso depois de inúmeras repetições do mesmo julgamento e após incontáveis recursos e apelações. Significa dizer que ninguém irá preso nesta cloaca esquecida por Deus, pelo menos enquanto tiver dinheiro para pagar bons advogados, todos eles normalmente parentes ou associados dos semideuses das infames cortes “superiores”.

A “Pedra Angular” seguinte da hecatombe nacional é o judiciário! A natureza malévola para a população fica consubstanciada nos ápices de canalhice e de cafajestice protagonizados pelos “urubus” do Supremo Tribunal Federal. Hoje, para qualquer brasileiro com um mínimo de informação e decência, o STF se transformou no símbolo maior de tudo o que significa patifaria, cinismo, arrogância, prepotência, cara de pau, patrocínio de interesses escusos, acobertamento e proteção de banditismo deslavado, brutal incompetência e intervencionismos injustificáveis, corrupção, e por aí segue. Agora, como toque final da imensa cadeia de canalhices abjetas já praticadas, e mancomunados com os biltres do congresso nacional, pretendem perpetuar a patifaria através da limitação a três indicados pela gangue para que o presidente possa escolher quem será o próximo membro do “Olimpo” judiciário brasileiro. Se as perspectivas de moralização já eram ínfimas, com essa “jogada” fica praticamente impossível qualquer esperança de que algo decente possa sair dessa estrutura de poder nojenta.

Abaixo deles, e seguindo fielmente o exemplo dos calhordas enfatuados do STF, segue-se uma extensíssima pletora de “Aspones”. São milhões de cargos de Juízes, desembargadores, auditores, corregedores, procuradores, defensores, assessores, promotores, auxiliares administrativos, oficiais de justiça, chefes de “Junta”, e inúmeros mais que a feérica imaginação desses canalhas criou e nos fez manter sempre a “pão de ló”. Toda essa imensa multidão é sempre regiamente remunerada, muito acima daquilo que receberiam em qualquer organização privada, dessas que são extorquidas quotidianamente de todas as formas pela mesmíssima estrutura governamental, além de terem direito a constantes férias, recessos, licenças remuneradas, viagens de estudo com gordas diárias, no Brasil e no exterior, além de outras formas mil de mimos e agrados. Tudo isso para não produzirem ABSOLUTAMENTE PORRA NENHUMA que possa ser considerado como sendo minimamente decente. Os processos se arrastam inexoravelmente por anos a fio, alguns por décadas, já tendo havido caso em que passaram de um século para serem concluídos.

Cada parecer solicitado a uma defensoria, ou procuradoria, é caso para seis meses ou um ano. Uma citação por Oficial de Justiça? Caso para mais seis meses ou outro ano. Carta precatória para outra comarca? Joga a solução da lide para as calendas de março. Quer dizer: Para o dia de São Nunca. O juiz emitir uma sentença? Dessas que irão sofrer dezenas de impugnações e recursos? É caso para seis meses ou um ano. E assim, decorrem-se os anos sem que absolutamente nada aconteça. E a população? Que se EXPLODA!!!!! Os vermes parasitas permanecem sendo regiamente remunerados, com todas as mordomias e remunerações sendo pagas absolutamente em dia. Por que é que deverão se importar? Dizem sempre como o Doutor Pangloss: ESTE É O MELHOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS! Para eles! Não para as multidões de otários que os sustentam.

Quando essa multidão de parasitas é questionada a respeito dos pífios resultados apresentados, especialmente quando comparados com o custo astronômico que representam, a linha de defesa é sempre a mesma: EU SOU CONCURSADO! FAÇO TUDO DENTRO DA LEI! Não se recordam que estas leis que os acoberta foram todas defecadas por aquela mesma multidão de patifes mencionada no item anterior, sempre de forma totalmente irresponsável pois não se trata nunca de botar o fiofó deles na reta para bancar a esbórnia. É sempre o nosso!

Para completar a nossa desgraça, a base maior de toda essa hecatombe nacional é a imensa multidão de vorazes calhordas do Poder Executivo. A sua predominância se dá pelo próprio tamanho: São milhares e milhares de Ministérios, agências reguladoras, secretarias, repartições, empresas estatais, departamentos, seções e subseções, todas devidamente aparelhadas com dezenas, ou até mesmo centenas dos indefectíveis “Aspones”, todos regiamente remunerados naturalmente. Para que cada uma destas “células” do aparato estatal possa funcionar a contento, deve estar munida de um setor administrativo, responsável pelo ordenamento da sempre presente e imensa burocracia, assim como toda uma pletora de órgãos que assegurarão que seu funcionamento se dê dentro dos padrões legais.

São setores como Procuradoria, Ouvidoria, Corregedoria, Controladoria, além de um monte de outras assessorias menos cotadas. Ao final, o que poderia ser resolvido com a contratação de uma simples Consultoria “Ad-Hoc”, passa a se constituir em mais um dos milhares de tentáculos desta “Hidra de Lerna” moderna. Esta, ao contrário daquela que Hércules enfrentou, e que tinha “apenas” sete cabeças, se espraia em todos os mínimos recônditos da nossa nação, sempre drenando seus parcos recursos a fim de manter devidamente satisfeitos os usufrutuários lá alocados, perpetuando assim a ignomínia e a falência de uma nação amordaçada e acorrentada nos mínimos detalhes e que deveria e poderia ser uma das mais pujantes do mundo.

Logo abaixo, situam-se as miríades de governadores, secretários, prefeitos, vereadores, juntamente com toda uma multidão imensa de aspones. O caso destes é um pouco pior pois estes, além de sangrarem o erário com todas as “vantagens” e proventos que abocanham, possuem ainda a capacidade de agir de forma total e absolutamente irresponsável com os recursos públicos. É aí que se revela com pujança o caráter totalitário desta estrutura maldita em que o gestor possui poder absoluto e responsabilidade nenhuma. Por conta de todos os trambiques praticados contra fornecedores e a população é que surge a figura do famigerado “PRECATÓRIO”.

A rigor, precatório é uma mensagem de um juiz a outra entidade, informando de uma sentença judicial. No Brasil, a quantidade de estelionatos praticados por toda esta multidão de patifes é tão grande que virou sinônimo de obrigação financeira a ser honrada pelo estado por força de sentença judicial passada em julgado. O volume dessas obrigações pendentes é desconhecido. Levantamento de 2017 já estimava acima dos R$ 140 BILHÕES. Hoje, ninguém sabe quanto é. Nunca nenhum desses milhares de patifes teve de sofrer as consequências da sua patifaria.

Como acabar com toda esta putrefação? Só vejo uma solução, mesmo que de realização altamente improvável: UMA REVOLUÇÃO SANGRENTA E EM QUE SERÃO DEGOLADOS MILHARES DE CANALHAS!

4 pensou em “PRECATÓRIOS

  1. Adônis, em 2018 fui inserido numa comissão que estava desenvolvendo um projeto sobre as competências dos funcionários da universidade. Depois eu soube que tinha sido escolhido presidente da tal comissão. Não pude participar fisicamente de todos os encontros porque cuidava das pesquisas, mas recebia um relatório e opinava sobre os encaminhamentos.
    Já no final do ano, através do Skype, conversei com a consultora e mostrei a forma como administrava a fundação, que é uma instituição privada sem fins lucrativos. Mostrei a diferença de procedimentos e disse que “o funcionário público precisa se conscientizar do seu papel junto a sociedade”. Ele usou essa expressão no relatório final.
    Os maiores privilégios estão no legislativo d no judiciário. Lógico que o executivo tem, mas eu nunca vi, por exemplo, um professor universitário receber R$ 853 mil por férias atrasadas. A esposa do governador de Pernambuco, por exemplo, foi contemplada com um benefício desses. No judiciário você encontra gente recebendo R$ 50 mil de aposentadoria. O judiciário, mais uma vez, descumpriu a PEC dos gastos.

  2. Enquanto isso o Mestre Adônis teve uma sentença proferida em seu favor por juíza de primeira instância para se aposentar pelo Regime Geram de Previdência Social (RGPS), onde a magistrada reconheceu legítimos os registros na CTPS, e o INSS recorre da decisão SÓ COM O INTUITO DE FUDER O CARA!

    É impressionante a visão tacanha desses procuradores federais canalhas, que ganham uma fortuna para não fazerem nada, recorrerem de uma decisão contra cidadão de bem que sabe estarem com a razão!!

    O BRASIL É UM PAÍS DA ESCÓRIA POLÍTICA!

  3. Diagnóstico preciso. O remédio será impossível de aplicar. Moral da história: Continuará tudo com dantes no quartel do Abrantes.

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