CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Mal se refaz de uma praga, de repente aparece outra no mundo. Só para chacoalhar, torrar a paciência do homem. Cada epidemia que rola no planeta, age de forma diferente. Maltrata a humanidade. Perturba a economia, muda a história. Os efeitos são devastadores, as sequelas, profundas.

Depois da globalização, então, as consequências são as piores possíveis. Os impactos mexem com está quieto. Na economia, os baques são monstruosos. Não importa se a economia é poderosa ou emergente. O cacete é o mesmo.

Quanto mais o tempo as crises passam, os danos vão repercutindo. Causando mais dissabores. Quando o vírus ataca, quem primeiro sente o impacto é a economia. Com a redução de consumo. Aí, indefeso, o processo produtivo cai enfermo. Sente o peso da doença. Perde força.

O resultado são os desequilíbrios nos negócios. O mercado enfraquece. A indústria perde folego financeiro, o emprego é ameaçado. A consequência imediata é o consumo se debilitar e com as sobras de estoque, os preços declinarem.

Sem alternativas, para sair do marasmo, o negócio é se valer de precaução e serenidade. São os remédios indicados para atravessar o mal tempo. Vencer as incertezas. Pular os inúmeros problemas que surgem, paulatinamente.

Conta a história que cinco epidemias fizeram o diabo no mundo. Implantaram inquietação em vários setores de negócios.

A peste bubônica no século 14 foi aterrorizante. Quando apareceu na Europa, lá pelo ano de 1350 não deixou por menos. Matou um terço da população. O alto índice de mortalidade escasseou a mão de obra. Os senhores feudais, grandes proprietários de terras, foram os que sentiram o poder da bubônica.

Porém, como toda epidemia repulsiva, a bubônica deixou um bom recado. Estimulou a Europa Ocidental a raciocinar melhor a respeito do desenvolvimento econômico. Ensinou a modernizar a economia e a comercialização de mercado, tendo como parâmetro o dinheiro. A mola dos bons negócios que na época não tinha tanto valor.

Com a carestia da mão de obra, os empresários começaram a pensar na tecnologia para substituir os empregados, ainda meios despreparados no trabalho. O incentivo foi tão grande que até as viagens marítimas e as explorações de novos negócios, antes classificadas como de extremo perigo, por causa dos colonizadores serem transmissores de focos doentios, passaram a serem vistas com outra visão.

No século 15, a varíola foi o bicho papão nas Américas. Em cem anos, a varíola matou dezenas de milhares de pessoas. A ferocidade da doença, matando gente à beça, foi tão letal quanto o sarampo, a gripe, a malária, a difteria, o tifo e a cólera.

O lado positivo da varíola foi a sobra de terras que antes estavam ocupadas por lavouras. A plantação de árvores ou de savanas propiciaram a aparecimento de florestas. Com as florestas, caíram os níveis de poluição do ar e as altas temperaturas começaram a desaparecer, melhorando o clima em várias regiões da Terra.

No século 17, a China vivia subjugada pela dinastia Ming. Durante três séculos, os chineses foram dominados cultural e politicamente pelos Mings. O que salvou a China foi uma epidemia que chegou de repente, devastando tudo que encontrasse pela frente, principalmente gente. Enquanto matou quase a metade da população da China, o surto provocou secas, além de trazer uma praga de gafanhotos que praticamente comeram as plantações nos campos. Aí, sem comida, as pessoas tiveram de comer os corpos das vítimas que morreram com o feroz surto epidêmico.

A febre amarela foi outra terrível epidemia. Surgiu no século 19. O palco foi o Haiti, na época dominado pelos soldados franceses do exército de Napoleão Bonaparte. Todavia, com a morte de 50 mil soldados, oficiais, médicos e marinheiros franceses e a compra pelos Estados Unidos de enorme pedaço de terra aos franceses, o governo americano pode dobrar o tamanho territorial dos Estados Unidos. Tornando então num gigante país.

A peste bovina foi outra desgraça na saúde pública mundial. Durante os anos de 1888 e 1897, a peste bovina matou quase a totalidade do gado africano. Com a perda do rebanho, veio a fome e o desespero. Os europeus se aproveitaram da situação e passaram a dominar a África.

Atualmente, o que massacra a humanidade é a coronavírus, enfermidade que ataca o sistema respiratório. Surgiu em dezembro na populosa cidade chinesa de Wuhan, situada no centro da China.

Como foi desprezada no início, vez que aparentava ser apenas uma gripezinha, a doença se espalhou pelos cinco continentes, dada a facilidade de contágio e de letalidade.

Contudo, diante dos estragos, a atenção do mundo mudou de opinião. Obrigou as pessoas a viver em quarentena, suspendeu os encontros sociais, fechou indústrias, comercio e escolas. Prendeu todo mundo em casa para evitar o contágio em massa. Enclausurado num enorme isolamento social.

Voos internacionais e doméstico foram cancelados, hotéis perderam reservas e sem defesa, o Brasil forçou os bancos a ampliar os limites de crédito para aliviar a pesada barra das enormes perdas econômicas. Quanto mais tempo durar a pandemia, os danos causados à economia e no social são imprevisíveis. A solução imediata para vencer a destruição é o emprego de austeridade.

Os analistas preveem um prejuízo global na cada de US$ 5 trilhões nos próximos dois anos, com o fechamento de fronteiras.

No Brasil, faz sete anos que a econômica dorme no fundo poço. A degradação social é miserável. O desemprego é um sinal. O rendimento médio do brasileiro, em queda, no começo do ano marcava apenas 29,2 dólares, a devastação ambiental, com as queimadas, se intensifica.

Até o Judiciário que já andava lento, agora a tendência é piorar ainda mais com a suspensão de expedientes e adiamento de prazos processuais. Imagine o processo trabalhista dos 8.062 funcionários do antigo Banespa, que se arrasta na Justiça desde 1998, e apesar de causas ganhas, até no STF, que concedeu sentença de transitado em julgado, como vai ficar? Os eternos recursos protelatórios do banco réu vão permanecer ditando ordens nos desembargadores? Adiando o pagamento dos atrasados?

O coronavírus reserva para o Brasil uma braba recessão, para não esquecer a de 2016, com a retração da atividade econômica, queda do PIB, redução da produção industrial, mais desemprego, menos renda individual e mais desconforto na sociedade, já bastante castigada de tanto carregar trambolhos nas costas.

2 pensou em “PRAGAS

  1. Desculpe-me Sr. Carlos Ivan.

    O seu comentário, como sempre, está excelente.

    Mas, há um erro léxico-gramatical.

    Mas, uma vez professor, sempre professor.

    Não existe “bem tempo”, logo, também não, “mal tempo”.

    Há, isso sim, “mau tempo”, como há, também, “bom tempo”.

    MAL é oposto, antônimo, de BEM (advérbio de modo).

    MAU é oposto, antônimo, de BOM (adjetivo qualificativo).

    Eu sei que o senhor, de tanto ouvir/ler a forma errada, foi levado a cometer – como muitos e inconscientemente – o mesmo erro.

    Desculpe-me, mais uma vez.

    Minha intenção é corrigir um erro que (de tanto ser repetido, na mídia!!!) se está, rapidamente, espalhando, e não – longe de mim!!! – censurá-lo.

    Um baita abraço,

    Desde o Alegrete – RS,

    Adail.

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