CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Qualquer atividade que envolva o Estado e o governo a gente chama de política. A finalidade da política é administrar o bem público em favor do bem coletivo. Cobrar impostos do povo para distribuir em prol do bem-estar da sociedade. Até nas desavenças entre indivíduos, o Estado tem de interferi para não deixar a antipatia prejudicar a tranquilidade social. Sanar os conflitos pessoais para evitar que os dissabores acabem em inimizades é obrigação do Poder Público. Acabem em ataques ou outro mal maior. A política é velha pra burro. Surgiu na Grécia Antiga. Um dos mentores da política foi Aristóteles, um dos papas da filosofia de Atenas. Compete ao governo, então, tomar o poder para satisfazer os desejos da população. Melhorar a existência do povo. As ações do governo são executadas de forma independente através de políticas públicas na esfera federal, estadual e municipal.

As áreas de atuação do governo são abrangentes. Mexe com educação, saúde, segurança pública, transporte, saneamento. O mundo atualmente exerce duas formas de governo. República e a Monarquia. Cada governo, no entanto, escolhe um tipo de regime político para governar, exercer o mandato outorgado pela população. Pode ser via regime da democracia, do autoritarismo e do totalitarismo. O que bagunça a política são os partidos políticos, cada um defensor de sua própria ideologia. Desde que os paridos políticos surgiram na Inglaterra, na Idade Moderna, a política praticamente perdeu o verdadeiro sentido. Deixou de se preocupar com o bem coletivo para defender unicamente os seus objetivos. De lá pra cá, no Brasil pelo menos, a coisa degringolou. Ninguém mais se entendeu. Pensou em política, topa com baderna. Sacanagens. Amoralidade. Indignidade. Ilegalidade. Hipocrisia. Interesses pessoais. Vaidade. Egoísmo. Falsidade. Descaramento. Mentiras. Abuso de poder. Enfim, tudo que não presta, tá na política brasileira. Por isso, grave crise política rola no país. Onde ninguém se entende.

Três poderes atuam no Brasil de maneira harmônica e independente. Além do Executivo, figuram o Legislativo e o Judiciário. Mas, como o cidadão não é participativo, os poderes deitam e rolam. De acordo com as suas prerrogativas. De olho nas vantagens e regalias. Inocente, o eleitor nem se preocupa em escolher um candidato decente e honesto para ocupar mandato no Legislativo. Depois, então, que os podres aparecem, o cidadão não se acha responsável pelas cachorradas. Aí, não adianta reclamar porque Inês é morta. Inútil se arrepender do ato falho. Mas, a podridão cresce na política do país. Figurões estão presos. Outro peixe grande corre numa calçada com 500 mil reais numa mala, empresas doam milhões para eleger seus protegidos e tirar partido disso. Indistintamente, os políticos ferem a Constituição Federal. Julgando-se poderosos, deuses, impunes, atropelam as regras, em vez de defender e agir corretamente de acordo com as leis. Para vergonha dos bons brasileiros, a Organização da Nações Unidas revelou em 2016 que, anualmente, eram desviados mais de 200 bilhões de reais dos cofres nacionais em nome da corrupção, que só planta retrocesso econômico e crises. Violentas.

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Assim como o nascimento representa o início da vida fora do útero materno, enaltecendo o dom da maternidade, a polinização, a transferência do grão de pólen da parte masculinizada para a região feminina da flor, inicia uma nova etapa na mata. Com a fertilização. Alguns agentes participam dessa brilhante e produtiva atividade. Os agentes vivos, conhecidos como agentes bióticos, insetos, abelhas, morcegos e aves, agindo em conjunto com os fatores ambientais, vento e água, criam uma nova forma de vida na natureza. O que ajuda na atração entre os agentes são o néctar, o odor e as cores do ambiente. De todos, o mais importante agente polinizador são as abelhas.

Abelha, originária do Velho Mundo, é o inseto voador responsável pela produção do mel, própolis, geleia real, cera e veneno. Existem mais de 25 mil espécies de abelhas no mundo. Habitam todos os países do mundo, menos a Antártida. Tem as abelhas agressivas, vindas da Europa e África, que, com poderoso ferrão, atacam as pessoas. No entanto são as mais produtivas. Mas, tem também as mais mansas, sem ferrão, nascidas nas Américas e Oceania. Essas, conhecidas por jataí, são as adotadas no Brasil. Alimentando-se de néctar, fonte de energia, e pólen, repleto de proteínas e nutrientes, as abelhas trabalham em colmeias, a favor da ecologia e do comércio de mel, especialmente. O mel de abelha contém um adoçante natural e um ingrediente que fortalece o sistema imunológico. É antisséptico, antioxidante, antirreumático, diurético, digestivo, expectorante e calmante. O mel é bom para a garganta, as vias respiratórias, protege o intestino e a pele, combate as infecções urinárias, é relaxante e excelente inimigo da insônia.

Todavia, apesar do mel ser um excelente alimento, a ganancia do homem está destruindo as abelhas, a maior produtora de favos nas colmeias. O uso de agrotóxicos e de pesticidas, matam 80% dos enxames no Rio Grande do Sul. Nos Estados Unidos, Europa e parte do Brasil, a matança de abelhas se intensificou, a partir de 2005. Somente nos três últimos meses, as Associações de apicultura, estimam ter encontrado cerca de 500 mil abelhas mortas nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. O curioso é duas espécies de inseticidas proibidas na Europa, através de pulverização, que se espalha pelo ambiente, estão dizimando abelhas que, mortas, deixam de voar de flor em flor com a sublime missão de polinizar. Ativar a reprodução de plantas. Mais uma vez a Organização das Nações Unidas anuncia que 75% dos cultivos destinados a alimentar o homem, são executados pelas abelhas e, em troca, a raça humana, criminosamente, não percebe que luta pelo seu próprio desaparecimento. Uma coisa é clara. No dia em que não existir mais abelhas na face da Terra, as frutas somem do planeta e, consequentemente, da boca do homem. Até a soja, a principal cultura agrícola do país e grande presença na pauta de exportação brasileira, sofre com a ausência das abelhas no campo. Mas, se um dia as abelhas se extinguirem, o homem desaparece do planeta logo em seguida.

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A inflação é o terror do consumidor. O inimigo do salário. O foguete que dispara o aumento do preço de mercado de bens e serviços. Leva lá pro espaço o valor monetário de uma mercadoria desejada pela família. Mas, quando o pai de família não consegue realizar o sonho dos filhos, o cidadão enlouquece de raiva porque priva os herdeiros de ter um bem moderno para usufruir de comodidade e conforto no lar. Lógico, toda vez que o preço de um bem ou serviço aumenta, cai o poder aquisitivo da população. Para saber se existe inflação no mercado, o país se vale de índices. Existem vários índices de preços. No entanto, o mais comum é o índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), justamente a referência para o desenrolar inflacionário.

Vários fatores contribuem para chamar e alimentar a inflação. Fincar incertezas na economia. Afugentar os planos de investimentos. Barrar o crescimento do PIB. Quanto a inflação começa a rolar no mercado, as pessoas endoidam. Perdem a noção de valor dos objetos. Ninguém mais sabe se uma mercadoria, um produto ou bem é caro ou barato. Quem mais sofre com o aperto da inflação é a classe pobre que, por ter uma situação financeira abaixo das necessidades, não sabe se defender da pressão sobre a demanda e nem avaliar custos. O órgão responsável pela aferição da inflação, IBGE, estabeleceu a variação do custo da cesta básica num determinado período. A cesta básica é composta por diversos itens. Alimentação, habitação, vestuário, transporte, saúde, despesas pessoais, educação e comunicação. Lógico que a composição da cesta básica é variável. Difere entre as classes rica, média e pobre. Isto é, varia de família para família.

Compete ao Banco Central segurar a peteca, acompanhar e manter a inflação lá embaixo. Com índices relativamente pequenos. Evitar, inclusive que os preços caiam a fim de não atrapalhar o desempenho econômico. Quando se aplica a redução do dinheiro em circulação na praça ou fecha o crédito nos bancos, dificultando os empréstimos para a indústria, comércio e consumidor, surge um fator preocupante. Acontece a queda de preço que é definida como deflação ou o inverso da inflação. Caso a queda de preços de produtos e serviços seja constante e aconteça de forma generalizada pelo prazo de 1 ano, a consequência é recessão. Quer dizer, sobram produtos no mercado, todavia falta comprador. Aí vem a desgraceira. Mercadorias estocadas, tomates se estragando na lavoura, sem venda, redução de pedidos na indústria que para a produção, desaparecimento de receita, demissão de empregados, gente desempregada, queda de consumo, fuga de investimentos e enfraquecimento da economia. O exemplo mais clássico de deflação foi o da queda da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929 que forçou o Brasil, na época, a queimar milhões de sacas de café por falta de comprador e sofrer vultoso prejuízo. Logo o café, justamente um dos produtos nacionais mais exportado pelo Brasil.

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