ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Estava conversando com um amigo petista, na semana passada, quando o mesmo me veio com esta preciosidade:

“Gostaria que o Lula voltasse a governar para fazer uma política de geração de empregos e botasse a economia para funcionar! ”

Eu fiquei perplexo, atônito, estupefato, estarrecido, boquiaberto, atarantado, abestalhado e abilolado com a enormidade da imbecilidade que me havia candidamente falado. Primeiro, por desejar a volta do facínora ao comando da nossa já tão vilipendiada nação. Depois, por considerar que a falta de empregos se deve tão somente à falta de decisão do governo no sentido de fazer uma “Política” para gerar “Emprego e Renda”, como gostam de dizer os milhares de enganadores que nós sustentamos regiamente para que nos contem este tipo de lorotas.

Com relação ao absurdo que seria colocarmos um presidiário na presidência, não vou nem detalhar. A coisa toda é tão estúpida que não cabe mais nenhum argumento. Quanto à segunda parte da imbecil afirmativa, relativa à geração de empregos, esta creio merecer maiores explicações.

Durante as últimas décadas, um dos aspectos da realidade econômica que mais me chamava a atenção era a produtividade da mão de obra nas empresas por onde eu passei. A forma mais simples e direta de medir esta mesma produtividade era dividindo o faturamento bruto anual da empresa pela sua quantidade de funcionários. Assim, ficava extremamente fácil medir o quanto de riqueza havia sido produzido por cada um dos funcionários daquela empresa em um determinado ano. Lógico que, se quiséssemos fazer uma avaliação mais correta, teríamos que abater do faturamento bruto todos os impostos pagos, bem como todos os insumos adquiridos, computando apenas e tão somente o VALOR AGREGADO. Só que isso daria um trabalho desgraçado. Como aproximação, dividir só o faturamento bruto pelo total de empregados já dá para fazer uma boa comparação.

Durante a década de 80, as pequenas empresas industriais nordestinas, apresentavam um Faturamento Médio por Empregado, ao ano, ao redor dos 15 mil dólares. Enquanto isso, as empresas maiores se situavam ao redor dos 25 mil dólares. As melhores empresas do Brasil estavam ao redor dos 50 mil, muito distante das melhores do mundo que já apresentavam um faturamento médio por empregado ao redor dos 100 mil.

O “Guru” da administração que inaugurou a prioridade dada atualmente a estratégia e competitividade foi Michael Porter. Este considerava tão importante essa estória de produtividade que escreveu um livro, hoje tido como um clássico, só explicando a altíssima correlação existente entre a produtividade da economia de um país e sua pujança e força econômica. O nome do livro é “VANTAGEM COMPETITIVA DAS NAÇÕES”.

Toda a minha vida profissional foi voltada ao desenvolvimento da produtividade das empresas onde prestava serviço. Houve um caso em que, ao iniciar meu trabalho lá, tinha 2 mil empregados e produzia 800 mil unidades por dia. Quando eu saí, quatro anos depois, a empresa tinha 800 empregados (1.200 a menos) e produzia 2 milhões de unidades por dia. Isto significa dizer que, enquanto cada empregado produzia 400 unidades inicialmente, terminei minha missão lá com cada um produzindo 2.500 unidades por dia. Podem classificar a minha missão como sendo de “JOB BUSTER”, o destruidor de empregos.

Com a ascensão de Fernando Collor ao poder, em 1989, foi dado um choque de realidade nas empresas industriais brasileiras! Isto se deu, principalmente, através da abertura à importação pela redução das alíquotas dos impostos sobre estas mesmas importações. Com isso, todas as empresas se viram forçadas a dar grandes saltos na sua produtividade, sob pena de não conseguirem mais concorrer com os produtos importados.

Logo, todas as empresas que não conseguiram, pelo menos, dobrar o faturamento por empregado, já não existem mais. Com o Plano Real, essa situação se agravou mais ainda.

O Plano Real tornou ainda mais competitivo o mercado devido à estabilidade da moeda que havia sido conquistada a duras penas. Novos saltos foram dados na produtividade da mão de obra e tiveram de ser dados rapidamente. Hoje, esta evolução acelerada, puxada agora pelas empresas chinesas, criou um mercado tão competitivo que a sobrevivência das nossas empresas industriais ficou tremendamente ameaçada. Assoberbadas pelas loucuras de uma carga tributárias insana e pela feroz voracidade governamental, vimos nosso parque industrial ser reduzido de 40% do PIB, para algo em torno dos 8% atuais. Padrão digno de país de 3º mundo e exportador de comodities. Retornamos aceleradamente à década de 1930 e voltamos à condição de exportador de commodities, tal qual qualquer republiqueta africana.

Outro aspecto interessante, encontrado nestas minhas análises, foi a fortíssima correlação entre o faturamento anual por funcionário, da empresa, e a média dos salários pagos aos mesmos funcionários. A média tende a ser cerca de 10% do Faturamento Bruto obtido por Empregado a cada ano. Lógico que, nas empresas intensivas de mão de obra, como as confecções, este percentual chega a ser de 40%. Já nas intensivas de capital, como nas indústrias químicas e siderúrgicas, o percentual é bem menor. Assim, uma empresa que faturava 15 mil dólares por empregado, pagava a estes mesmos empregados algo como US$ 1.500 ao ano, o que dava uma remuneração próxima aos US$ 60,00 por mês do salário mínimo à época. Lembrem que o salário era este, mas o custo final, para o patrão, era de US$ 120,00 ao mês, o que perfazia os US$ 1.500 ao ano. C.Q.D.

O fato de um imbecil completo, feito Lula, instado por outra manada de imbecis, feito os prosélitos do PT, ter mandado o Salário Mínimo para as alturas dos R$ 400 ao mês por decreto, foi apenas e tão somente um tremendo incentivo para que as empresas partissem desesperadas para a automação, reduzindo assim enormemente seus contingentes de empregados, cujo custo havia se tornado proibitivo. Só como exemplo, foi nessa época que eu assessorei a importação da China da primeira Grua para a construção de altos edifícios. Antes, os materiais eram descarregados manualmente dos caminhões e eram levados em carrinhos de mão, pelos elevadores, até os altos andares onde eram necessários.

Com a grua, os materiais passaram a ser entregues paletizados. São agora levados rapidamente, pelo guindaste, diretamente até o andar mais alto e ao local onde estão sendo necessários. Com isso, eliminou-se a necessidade de um batalhão de uns 50 burros sem rabo na obra. Pelas minhas contas, o guindaste passou a se pagar em menos de UM ANO. Só que o salário do Operador de Grua, um Técnico Mecatrônico com diversos cursos de segurança no trabalho, será bem maior que o simples Salário Mínimo. Hoje, nenhuma construtora consegue imaginar seu canteiro de obras, num prédio alto, sem a ajuda de uma grua dessas.

Este é o segredo pelo qual os operários gringos ganham US$ 4.000 ao mês. A produtividade de cada um deles é imensamente superior aos bandos de analfabetos que nós temos. Se for fazer as contas, mesmo pagando uma miséria, os nossos operários ainda saem mais caro que os de lá, tão baixa que é a produtividade deles.

Outro fato bastante interessante é que “A REMUNERAÇÃO ANUAL DE CADA EMPREGADO TENDE A SER IGUAL AO INVESTIMENTO FEITO PARA A CRIAÇÃO DAQUELE EMPREGO! ” De forma semelhante, podemos concluir que “O INVESTIMENTO REALIZADO PARA A CRIAÇÃO DE CADA EMPREGO DETERMINA QUE ESTE SERÁ O FATURAMENTO ANUAL PRODUZIDO POR CADA EMPREGADO”!

Se dermos uma vassoura, uma pá e um carrinho de lixo, para criarmos empregos de Varredores de Rua, como o investimento é baixíssimo, a produtividade será também uma miséria, o salário será necessariamente outra piada.

4 pensou em “POLÍTICA DE GERAÇÃO DE EMPREGOS

  1. Adonis….
    Você falou tudo e eviscerou o que é a burrice aliada à canalhice que infelicita nossa nação. Esses “burros sem cauda” que você tão bem expõe é a síntese do parasitismo que ser quer no Brasil. Uma nação governada por um presidiário, com todo mundo mamando em uma teta pública, imprimindo papel pintado com o nome fictício de dinheiro. Isso até o lavador de dinheiro triplamente condenado lembrar-se de Louis XIV e exclamar…. “depois de mim, o dilúvio”, ou seja, mantenham as coisas como estão e os burros amarrados à cangalha… depois, que se phodam!.

  2. Adonis,
    Excelente texto. Preciso e visceral, como sempre.
    Vou repetir aqui um texto que escrevi para você, em outra mensagem:

    Estou aproveitando que o celular voltou a dar sinal para atualizar minhas mensagens atrasadas, e dizer que senti muito não ter assistido a sua palestra.
    Que pena ter perdido as suas estórias de andanças pelo mundo.
    E aproveitando, só para fazer inveja aos amigos do JBF, que não tiveram essa oportunidade única de viver uma semana de apagão na terra do Álcool-sem-Lumbre, gostaria de dizer que estou hospedado em um hotel no Hemisfério Sul, do Planeta, e todo dia cruzo a linha do Equador para ir ao Hemisfério Norte, para ir ao Shopping, que tem gerador, para carregar o meu celular e acessar a internet.
    Não é um privilégio, meu amigo, para poder contar, no futuro, para os netos e nas assembleias fubanicas das 5afs no Cabaré do Berto?

  3. Estavas conversando com um amigo petista… Amigo petista foi apenas força de expressão? Por que a pergunta? Fica difícil imaginar um cara com sua “bagagem” e “explosivo texto” ter paciência para gastar mais do que 10 segundos ao lado de um vermelho e chegar à longa convivência com o mesmo para alçá-lo a tal categoria.
    Ou será Adônis daqueles que chamam a todos de “amigos”, “meu amor”, etc, etc, desgastando o real valor das palavras?

  4. Caro Sancho,

    Descobriste o meu segredo. EU SOU UM ERMITÃO!

    Não sei porque, mas tem sempre um monte de panacas querendo puxar assunto comigo para um “debate”.

    Eu não estou a fim de debater PORRA NENHUMA! O que eu tenho a dizer, digo nos meus artigos no JBF. De forma semelhante, aprendo pra caramba com as colocações inteligentes de uma porrada de caras crânios que escrevem e leem esta gazeta escrota.

    É o bastante para mim.

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