GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

Marcelo Odebrecht começa a mostrar, meio querendo sem querer, que Lula é inocente, mas nada poderá apagar o estrago que sua prisão causou ao Brasil, abrindo a oportunidade para que, usando de poderes institucionais e aparentemente legais, Lula fosse afastado da disputa e abrisse espaço, pela contaminação de forças populares, para que uma filosofia estranha, de uma direita louca, burra e despreparada, tomasse conta do Brasil.

Tarde demais.

Pois, foi na base da tirania que a direita conseguiu, com a cumplicidade do quinto podre poder, amparado pelo quarto podre poder, fiar a teia que se desvenda, a teia das armações que levaram à deposição de Dilma Roussef, por quem sabia que ela não cometera crime, e pelos processos, acusações e condenações de Lula, por quem sabia que ele não foi e nem nunca será corrupto.

Os fatos estão aí, o que sabíamos provou-se: Lula foi vítima de um complô ideológico amparado em delações falsas e provas inexistentes.

Não bastassem as conversas cabulosas do juiz com a promotoria pública, aí está Marcelo Odebrecht, de novo, garantindo, meio sem querer querendo, que Lula não participou de qualquer ilicitude com a empresa.

Informou ele, dentre outras coisas, que as palestras não foram dadas como forma de repassar propina, mas pelo legítimo interesse da empresa em suas exposições, como também pela vontade de seu pai, Emílio Odebrecht, de ajudar o Instituto Lula.

Nunca é tarde demais: os podres poderes terão de se haver com os fatos e arcar com as consequências de seus atos, o que, aliás, já está se dando, com o desmoronamento de sua precária constituição.

Caetano Veloso, guru muito melhor do que Olavo de Carvalho (aliás, desculpe, Caetano, bem melhor guru do que ele não é difícil portanto, corrijo): Caetano Veloso, lindo e odara guru, disse, cantando, em uma releitura que me autorizo fazer, que enquanto os homens exercem seus podres poderes, somos uns boçais. Queria querer gritar setecentas mil vezes: -Será que nunca faremos senão confirmar incompetência da América católica que sempre precisará de ridículos tiranos? Será, será, que será? Que será, que será? Será que esta minha estúpida retórica terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos? Enquanto os homens exercem seus podres poderes, índios e padres e bichas, negros e mulheres fazem o carnaval. Queria querer cantar afinado com eles, ser indecente, mas tudo é muito mau. Ou então cada paisano e cada capataz, com sua burrice, fará jorrar sangue demais nos pantanais, nas cidades, caatingas e nos gerais. Será que apenas os hermetismos nos salvarão dessas trevas e nada mais, enquanto os homens exercem seus podres poderes? Morrer e matar de fome, de raiva e de sede…São tantas vezes…

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