CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

Não são somente os desentendimentos entre os Três Poderes, os palavrões nas reuniões ministeriais, os casos de corrupção, as esquisitas reuniões do Congresso nacional, as críticas da oposição e os aplausos da situação, o descumprimento de promessas de campanha, como o corte pendente de cargos na administração pública e o inchaço do Planalto, que emprega atualmente quase 3.500 funcionários, o esquecimento de enxugar a máquina, são fatores que emporcalham os bastidores políticos da Nação. No passado, aconteceram muitos fatos imorais e caíram no esquecimento.

Realmente, o Planalto neste governo supera a gestão de Michel Temer no empreguismo que passou da marca acima de servidores. O que tem de acabar é a fumaça preta poluindo o cenário do Planalto. O presidente precisa ser comedido. Não falar demais. Procurar se ater apenas à administração do país. Sem dar ouvidos à saraivada de críticas detonadas de todos os lados, propositadamente. Somente para enervar.

O corajoso que se dispuser a levantar a tampa do fosso, faz a fedentina da luta entre os bons e os maus subir. Contaminar o ar de Brasília, desenterrar a sujeira que mancha a imagem do Brasil, faz tempo. Quando tudo levava a crer que as porcarias permanecessem enterradas, a sete palmos de profundidade, eis que ressurgem. Escapam da cova. Querendo apagar os números positivos que começavam a aparecer nas estatísticas.

No país das inverdades, sempre surgem novidades. Faz parte da cultura brasileira, os subornos, o saudosismo do passado irreal, a presença de inocentes e de espertalhões, a compra de vantagens, a propina paga a alguém para facilitar uma negociata, o toco pago a terceiros para se livrar de atitudes ilícitas e os arrumadinhos, jamais desaparecerão do cenário brasileiro. Muito pelo contrário, continuarão chafurdando a ordem interna.

Afinal, enquanto existir no país as figuras do corruptor e do corrupto, dos oportunistas e dos “ingênuos”, a velha teoria do toma lá, dá cá, permanecerá ativa. Mandando brasa. Apesar da mídia estar de olho vivo em cima do lance das denúncias envolvendo autoridades e empresários, a justiça chega a não enxergar culpabilidade em alguns denunciados. Por isso, muita gente se deu bem com os conchavos. Enricou, ficou milionário às custas da ineficiência política, da cegueira da Justiça e da inocência da “viúva”.

Dos 1.100 processos abertos pela Comissão Geral de Investigações, no tempo da ditadura, somente 99 obtiveram resultados positivos. Conseguiram reverter os roubos através do confisco de bens, ressarcindo o erário público. Os demais casos ficaram encapuzados com o inaceitável título de superfaturamento, tráfico de influências, desvio de funções e de verbas e abuso de autoridade, sem sofrer punição. Exemplos de escândalos copiados por muita gente, inclusive militares e civis que aconteceram antes e durante o regime militar.

Tem coisa mais ridícula e estrambólica do que as fraudes, os roubos, as falcatruas e o registros de desonestidades que incentivam a classe política a desviar a atenção de suas verdadeiras funções?

Por acaso, alguém já esqueceu as ocorrências dos Anões do Orçamento, entre 1980/90, escândalos do mensalão, petrolão, de políticos enchendo a cueca de dinheiro, de avistar pela televisão deputado descarado correndo da mídia com a mala cheia de grana, ao invés de ser empregada a serviço da sociedade. É duro constatar, surpreendentemente, dinheiro do povo escondido em apartamento de peixe grande. Decepciona ver esses caras desonestos ficarem numa boa. Desfilando abertamente por aí, sem darem satisfação ao país, que anda todo torto e desarranjado.

É como disse um ex-presidente, num momento de lucidez. “A corrupção no Brasil é eterna” e não escolhe lugar para acender a brasa e queimar a consciência do brasileiro ilibado. Afinal, a corrupção anda espalhada por todos os lugares públicos e privados do pais. Enquanto a atenção se mantiver desviada dos bastidores, os estilhaços de falatórios, sem o menor sentido, sairão da boca de políticos desajustados. Detonando balas em todas as direções.

Não se deve esquecer de alguns casos concretos. A Operação Navalha na Carne, só descoberto em 2007, desviou R$ 1 bilhão, a máfia dos sanguessugas que em 2006 retirou do Orçamento da União. A quantia era reservada para a compra de ambulâncias, com superfaturamento de 170%. Na denúncia constavam 70 parlamentares.

O caso Furnas também foi infernal. [l1]Na construção de duas hidrelétricas, Batalha e Simplício, o TCU orçou as obras em R$ 460 milhões, em 2008. Porém, posteriormente o valor final beirou R$ 1 bilhão.

Não se deve esquecer a fraude constante na licitação da Saúde Pública do Rio de Janeiro, em 2012. Com os contratos e licitações e o pagamento de propinas, sem os respectivos serviços prestados, os cofres públicos sofreram um rombo de R$ 22 milhões.

Chateia saber da prisão de um ex-presidente, e três ex-governadores e duas ex-primeiras damas, demais autoridades e de empresários, que apesar da fama e da riqueza, viram o sol nascer quadrado, passaram dias atrás das grades de presídios, curtindo um lazer diferente durante certo período.

Dói saber que estados e municípios encontram-se quebrados, sem recursos para saldar compromissos, inclusive com a folha de pagamento de servidores. Encabula notar que a péssima situação financeira dos estados e municípios não prejudica o pagamento das folhas do Legislativo e do Judiciário.

Na verdade, não é esse o Brasil que sonhamos para os nosso filhos e netos. O fenômeno da corrupção tem de ser eliminado do país. Como? Mudando as leis obsoletas, punindo com seriedade os corruptos, evitando as prescrições de processos de políticos que limparam a barra de muitos corruptos.

O Brasil que a gente quer é aquela capaz de oferecer educação de qualidade, moradia para quem quer casa, comida para quem tem fome, transporte público decente para evitar as lotações e um sistema tributário leve, mas eficaz. Sem sufocar o pobre.

Ora, se o Brasil é um Estado Democrático de Direito, como falam, por que tirar o poder das diretrizes do povo, se o poder de fato é do povo, que, ingenuamente, elege incompetentes. Esse Brasil de ontem, tem de acabar. Afinal, o povo sonha com um Brasil novo, bem diferente daquele de antigamente. Corroído de corrupção.

4 pensou em “POÇO DE COMPLICAÇÕES

  1. Caríssimo Carlos Ivan:

    Também há muito sonho com um Brasil melhor, sem corrupção nos Poderes Públicos. Mas parece que, quanto mais eu torço mas assombrações corruptas aparecem.

    Por que será que todos os políticos quando assumem o cargo que o povo os elegeram se tornam ladrões quando investidos no cargo?

  2. Caro Cícero, vc falou e disse. Caso não se tornem ladrão após a eleição, é porque eles na campanha já vem com a intenção de roubar..

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