ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

Recentemente, vi-me envolvido em uma conversa extremamente interessante com um jovem acadêmico de medicina. O rapaz era um personagem inusitado: vestia-se com esmero e compostura, sem tatuagens nem piercings, ou qualquer outro dos elementos caracterizadores dos universitários dos tempos de PT. Ao mesmo tempo, comportava- se com extrema afabilidade e educação. Mesmo após ouvir algumas das minhas costumeiras grosserias e agressões mau humoradas, manteve a compostura e contra-argumentou sempre com extrema serenidade e elegância. Só essas características já o tornariam um caso raro, nestes tempos que correm, mas a parte mais rara ainda foi a erudição que demonstrou ao longo da conversa.

Discordamos frontalmente apenas quando este afirmou que grande parte da violência que estamos verificando no Brasil, se deve à má distribuição da renda, e não à pobreza, ou mesmo ao envenenamento ideológico de corações e mentes da nossa população, trabalho este que foi realizado com brilho pela “Pedagogia do Oprimido” e outras aberrações ideológicas de igual jaez pregadas pelos esquerdistas.

Terminamos a conversa e ficamos no impasse pois, até onde eu saiba, nunca foi feita nenhuma análise sobre esta relação. Assim, xereta e metido como sou, decidi efetuar este estudo eu mesmo, de modo que não possam mais vir com esta justificativa “social” para safadezas que são eminentemente individuais. Eis o resultado:

Para os colegas que não estão acostumados com esta questão, eu vou explicar melhor.

A “Curva de Lorenz” é uma representação gráfica da distribuição de renda em uma determinada população. Quanto mais igualitária for a distribuição, mais a curva se aproxima da reta que vai de “O” até o “X”, a 45º de inclinação. Isto quer dizer que 20% dos indivíduos possuem 20% da renda; 30% dos indivíduos ficam com 30% da renda; ou que todos os indivíduos desta população possuem exatamente a mesma renda.

Só que o mundo real não é assim. Uma pequena parte da população fica com uma grande parte da renda. Assim, aparece a área sombreada “A”, que representa o “Desvio da Igualdade Absoluta”. Quanto maior for esta área, mais desproporcional será a distribuição da renda desta população. Foi quando um economista italiano, de nome Gini, mediu esta área e comparou com a área do triângulo abaixo da reta da distribuição perfeita. Esta proporção passou a ser conhecida como o “Índice de Gini” e representa a desigualdade da distribuição da renda em uma determinada população. Quanto maior for este índice, mais desigual será a distribuição da renda analisada.

No nosso caso, os resultados encontrados foram extremamente interessantes:

1. A relação existente entre os assassinatos por 100.000 habitantes, (que usei como variável proxy representativa da violência, já que existe uma clara relação entre esta forma extrema de violência e as demais) e a distribuição de renda ERA NEGATIVA EM 1980 (- 0,3). Isto significa dizer que os estados onde havia maior concentração de renda, eram exatamente os menos violentos, sendo o Piauí o caso mais emblemático, com meros 7 assassinatos a cada 100.000 habitantes.

2. A relação entre os assassinatos por 100.000 habitantes e a distribuição de renda, agora em 1917, passou a ser positiva (+0,4). Isto significa dizer que a liderança na violência se deslocou dos estados mais igualitários para os estados de pior distribuição de renda. Por que será que isto aconteceu?

Observem que excluí os resultados do D.F. desta análise. Por se tratar de uma unidade federativa sui generis, que não produz nada e vive de parasitar os recursos de todo os demais componentes da federação, além de que apresenta uma renda média altíssima, em função da quantidade enorme de parasitas estatais, ao mesmo tempo em que apresenta a pior distribuição de renda do país, foge totalmente da realidade do restante do país. Assim, levar em consideração os seus dados distorceria a nossa análise.

Diante deste resultado paradoxal, (“O paradoxo é a paixão do pensador” – Kirkegaard), decidi realizar novas análises, desta feita verificando a relação entre a renda domiciliar e a violência. Eis os resultados:

3. Os números indicam fortemente que a violência se encontrava presente de forma predominante nos estados de MAIOR renda, lá pelos idos de 1980, com uma correlação bem forte (+0,6). Os estados mais pobres apresentavam pouquíssima violência.

4. Já no ano de 2017, a violência se deslocou fortemente dos estados mais ricos para os mais pobres, invertendo esta correlação: as unidades com baixas rendas passaram a apresentar altos índices de assassinatos (-0,6).

A análise que eu faço dessa tremenda inversão verificada nestes índices (Renda e assassinatos), dos anos 80 para cá, é que esta é a consequência da “Pedagogia do Oprimido” e do “Tudo Pelo Social”, implantada em corações e mentes da nossa população pelo esforço Gramsciano pela hegemonia sobre corações e mentes e empreendido com tremendo sucesso pelas esquerdas.

Hoje, qualquer fracassado tem “Certeza Absoluta” de que o seu fracasso se deve ao sucesso dos outros que estão melhor que ele, e que para “resgatar” os seus “direitos”, tem que ser através da “Luta de Classes” para que o “Governo” lhe dê casa, comida e roupa lavada de graça, além de ensino, assistência médica, transporte, etc…

TRABALHAR, que é bom…nem mencionam!

Muito menos quem será o otário que vai pagar a conta por lhes bancar tudo isso.

5. Outro achado bem interessante deste estudo foi que a relação apresentada entre o Índice de Gini e a Renda Familiar se mostrou FORTEMENTE NEGATIVA (– 0,7) neste período. Significa dizer que, quando aumentou a Renda Familiar, ao mesmo tempo se reduziu a desigualdade. Quando melhora a economia, melhora a renda de todos, muito especialmente dos mais pobres, já que a base de que partem é muito menor.

Mais uma balela dos esquerdopatas que se esboroa e vira fumaça.

Os debilóides vão querer dizer que a renda aumentou porque reduziu-se a desigualdade, principalmente através da distribuição de esmolas para os pobres.

Se isso ocorreu, foi a primeira vez na história da humanidade e Guido Mantega merece o Prêmio Nobel de Economia por ter falido o nosso país. Ahahahahah

Já os liberais vão dizer que o crescimento econômico foi quem gerou oportunidades para os mais pobres aumentarem a sua renda, mais até que os mais ricos, segundo o que preconiza Adam Smith e companhia.

Lá vem mais polêmicas idiotas!

5 pensou em “POBREZA E VIOLÊNCIA

  1. Adônis, muito bom. As transferências do governo permitem que o cara pobre compre um pouco mais, mas não o resgata da pobreza.

  2. Prezado Prof. Adonis, adoro seus artigos, são diretos, ferínos e convincentes, só a esquerda maquiavélica o contesta. Parabéns Professor, continue assim, precisamos do seu conhecimento tal e qual estes “mizeravis” precisam da corrupção. Não pare Prof. Adonis, o senhor é o nosso farol.

  3. Adônis, você cometeu dois pecados mortais para o mundo intelectual. Primeiro, você usou raciocínio lógico. E ainda por cima, usou números e fatos reais para chegar a uma conclusão. Assim não dá!

    Vou mostrar um exemplo de como deve ser o pensamento “correto”:
    – Meu estado teve neste ano 57 mortes por dengue.
    – Como não é politicamente interessante, esse fato torna-se irrelevante.
    – Por outro lado, temos 2 (duas!) mortes por Corona Vírus.
    – Portanto, segue-se a conclusão inquestionável: Fora Bolsonaro!

    Pronto! Seu título de “especialista” está garantido. Aguarde o contato da Globo para dar entrevista.

  4. Uma pergunta de um leigo e ignorante. O aparecimento das facções criminosas e suas disputas por territórios no norte e nordeste, tem alguma coisa a ver com o aumento da criminalidade nessas regiões mais pobres? Um abraço professor.

    • Caro Paulo,

      Eu não sou um especialista nesta matéria mas, segundo tudo o que tenho lido e observado, está me parecendo que a sua conjectura é bastante plausível.
      Realmente, as grandes facções criminosas do sul do país formaram filiais nos estados do Nordeste e, a partir daí, começaram a digladiar em busca de domínio do território. A consequência não poderia ser outra.

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