A PALAVRA DO EDITOR

Recebo muitas mensagens eletrônicas de estudantes e de professores que reclamam da carga político-ideológica despejadas sobre eles nas universidades e cursos de ensino superior que frequentam. Já pensei em juntá-las e fazer um livro, mas a coletânea exigiria identificar os autores desses relatos e isso, mesmo quando passados vários anos, pode acarretar problemas. Sabe-se lá quais males o futuro reserva, não é mesmo?

Por outro lado, nunca na minha vida recebi informação de assédio em sala de aula perpetrado por professores de direita, aos quais, com tão profundo conhecimento e intimidade, se referem nossos esquerdistas da ponte aérea Rio – Miami. Isso me ensina duas coisas: a esquerda nativa tem bom gosto e a direita no Brasil é apenas uma forma de vida interior.

Desde os anos 90 escrevo sobre a tomada de assalto da Educação em todos os níveis. Nunca alguém reclamou de uma aula “fascista” que desnudasse as ações no Brasil, desde os anos 30, do Komintern e de seu Serviço de Ligações Internacionais. Nunca recebi comentário, fosse comemorativo, fosse recriminatório, sobre qualquer professor que houvesse referido as ações dos aparelhos comunistas na América Ibérica como parte de suas estratégias no continente. Nunca! É como se, por indolência destes e insignificância do Brasil, em plena Guerra Fria, nosso país tivesse sido chutado para o lado pelos soviéticos como uma casca de barata morta.

Em sentido oposto, porém, é um Deus nos acuda. Ocultação de fatos e autores, bem como a laboriosa construção de versões, se unem à sempre presente ideia de que a esquerda, malgrado seu alentadíssimo histórico de genocídios, malfeitos e fracassos, detém direitos exclusivos sobre as boas intenções. Quando tombam cortinas de ferro, muros e máscaras, de modo orquestrado respondem tais mestres que “aquilo” nunca foi o comunismo. Ou seja, nada é mais diferente do comunismo da sala de aula no Brasil do que o comunismo real.

Esse fabuloso espaço de influência que rege a educação brasileira, que a derruba qualitativamente e a faz perder posição nos rankings internacionais está de tal modo dominado que aqui no Rio Grande do Sul registrou-se um fato surpreendente. Em plena campanha eleitoral para a prefeitura da capital do Estado, cinco ex-reitores da UFRGS assinaram e divulgaram um manifesto de apoio à candidata do PCdoB. Ela seria “a esperança de uma cidade mais solidária, participativa e inovadora”. Não foi necessário buscar, para dar vulto a esse documento, reitores de gestões intercaladas. Não. Os signatários são cinco ex-reitores cujos mandatos cobrem todo o período de 1992 a 2020.

Meu periscópio não capta evidência maior da total falta de pluralismo ou de que o alegado pluralismo garantido pela autonomia universitária é um eterno 1º de abril contado aos cidadãos pagadores de contas.

6 pensou em “PLURALISMO UNIVERSITÁRIO? CONTA OUTRA

  1. MEUS APLAUSOS DE PÉ:

    Mais um texto impecável deste brilhante colunista, comprovando a grande farsa da pregação desonesta, mentirosa, abjeta, dos auto-denominados esquerda.

    O MAIOR ENGODO SÓCIO-POLÍTICO-ECONÔMICO DO SEC. XX

  2. Perfeito, Percival.

    Mas acrescento um pitaco: é geralmente nas áreas humanas que a esquerda se instalou.

    Valeria uma análise do porque. Vou arriscar:

    Nas áreas de exatas, o egresso tem que buscar emprego em um mercado competitivíssime, no qual a ideologia não tem vez. Ou o cara é competente, ou vai vender picolé no Alasca. E os professores em sua maioria sabem disso.

    Tenho um eto que estuda Mecânica e, logo depois de entrar na faculdade, juntou-se a um grupo que está projetando um carro. Este tipo de projeto tem repercussão nacional e eles já foram apresentar o carro (pronto, sim) num evento regional e noutro nacional. O que ganharam? Lições dos jurados: a suspensão deve ter estas correções, a caixa estas outras , etc. Ou seja PREPARANDO PARA O FUTURO.

    Nem com a pandemia pararam, estão melhorando o projeto on line.

    Nas Humanas o problema é diferente, os alunos não têm visão de um mundo tão competitivo e acham qe o melhor dos mundos é o deles, daí não se preocupam em evoluir. Isso é campo fértil para as esquerdas.

    Acho que os colegas poderão contribuir muito para esta discussão.

    • A área de humanas na universidades federais É UM VERDADEIRO DESASTRE.
      Presenciei, como pró-reitor, verdadeiros absurdos, impossíveis de serem descritos em tão pouco espaço.
      Jovens completamente enganados por professores (???) canalhas, farsantes, sem a mínima condição de serem considerados Professores.
      São totalmente imbecilizados, só repetem chavões, palavras de ordem, discursos prontos. São verdadeiros papagaios.
      Na pós-graduação o desastre é ainda maior. Dissertações e teses imprestáveis. Rechaçam o Método Científico. Da nojo de apenas ler alguns títulos, de teses que tenho colecionado.
      Olhem essa, da Universidade Federal de Pernambuco (Olha aí, Assueiro e Berto!), Curso de Mestrado em Psicologia:
      A folia dos cus prolapsados: pornografia bizarra e prazeres sexuais entre mulheres.
      https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/19150
      Vou preparar um artigo sobre isso.

  3. Em 2017 a UFPE teve os centros invadidos. O CFCH -,Centro de Filosofia e Ciências Humanas e o CAC – Centro de Artes e Comunicação. Depredaram equipamentos, gabinetes de professores, salas de aulas. Equipamentos desapareceram. Um grupo de alunos foi invadir o centro de tecnologia e foi rechaçado pelos próprios alunos. Idem no centro de informática. Abriu-se um processo e ao invés de expulsarem os alunos, votaram por uma suspensão. Um belo dia, o motoboy da fundação, que eu dirigia, ligou dizendo não ter acesso à reitoria por conta de uma invasão lá. Ele levava documentos e eu fui ver o que estava acontecendo. Cheguei lá, havia um carro de som do MST dentro do estacionamento e um caminhão bloqueando os portões. A porta com vigilantes da segurança institucional. O carro de som com músicas do movimento e as pessoas gritando palavras de ordem. Queriam ser recebidas, em comissão, pelo reitor.
    Não entendi o que o MST estava fazendo ali. Depois eu soube que a ideia era pedir o arquivamento do processo contra os alunos que depredaram os centros e a própria reitoria.

  4. Como dói ver a degradação das universidades federais.
    Hoje, já aposentado e no limiar da vida, vejo todo o trabalho que desenvolvemos ,a partir de 1964 (nela, ingressei por concurso público no ano seguinte [1965] e, além do magistério, exerci diversas funções administrativas) para lhe dar aquele selo que o Ministro/Governador José Américo de Almeida timbrou ao inaugurá-la como universidade estadual, federalizada graças ao descortino do Presidente Juscelino Kubistchek, dizendo “Eu vos dei as raízes, outros lhe darão o selo da perpetuidade”.
    Infelizmente a tolerância praticada ainda no Governo Militar tomou cada vez mais atrevida a conquista da instituição pelos ativistas que venderam ao País a ideia de um falso progresso via cursos de pós-graduação (mestrados e doutorados) adquiridos só Deus sabe como, permitindo-lhes construir os feudos que proliferaram nas chamadas áreas de humanas, hoje com reflexos nas demais áreas, como bem temos visto, notadamente na ocupação das funções de mando, com esse processo esdrúxulo de eleição, em que votam até mesmo alunos que por lá só aparecem nessas ocasiões, pois profissionais do ativismo que dá suporte a procedimentos ou acontecimentos como o ocorrido recentemente por na aqui, na universidade que integrei com dedicação – Universidade Federal da Paraíba, onde a Polícia Federal descobriu depósitos de droga diversas nas chamadas residências universitárias (feminina e masculina), fato ou ocorrência que nos permite deduzir a quantas anda o descalabro administrativo dessa instituição.
    Dai, fácil está em deduzir a decadência a que chegou a instituição!

  5. Pingback: PROLAPSO CUZÍFERO EM TERRAS PERNAMBUCANAS | JORNAL DA BESTA FUBANA

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