PILARES

É como diz o ditado popular. “Uma andorinha só não faz verão”. Então, tá na cara. Pensou em desenvolvimento, dois itens são imprescindíveis. Investimentos e infraestrutura. Investimento e infraestrutura são semelhantes a duas passadas humanas que devem seguir unidas, cadenciadas, como dois irmãos siameses. Uma complementando a outra porque se um falhar, automaticamente a outra padece. No campo econômico, isoladamente, atividade produtiva nenhuma consegue seguir adiante, caso haja bloqueio em investimentos e em infraestrutura. Dois pontos fundamentais.

Investimento, público e privado, é um desembolso financeiro, visando obter benefícios futuros. Pode ser injetado em pesquisa, tecnologia e em educação.

Infraestrutura é um suporte construído para suportar a base do progresso. Enquanto investimento pressupõe dinheiro, infraestrutura engloba estradas, portos, aeroportos, ferrovias, telecomunicações, centros de distribuição de produtos, de água, esgoto e de energia.

Cada país define o tipo de característica que deve focar nos investimentos. Os Estados Unidos são o país que mais investe no mundo. Em 2013, os americanos aplicaram US$ 450 bilhões, algo em torno de 2,8% do PIB americano, em pesquisa e desenvolvimento. Em seguida, vem a China, que se dedicou durante dez anos a investir pesado em desenvolvimento, priorizando a educação como ponto inicial. De acordo com os planos chineses, está previsto até 2020, a China aplicar quase metade dos investimentos na ciência básica. Área destinada a desvendar o interesse pelo conhecimento e respectiva aplicação no setor produtivo.

Com característica definida, o Japão especializou-se em investir na microinformática. A França na tecnologia da informática. Por isso possui um dos seis supercomputadores mais potentes do planeta.

Todavia, nem todos os países tem a sorte de saber investir com eficiência e determinação nas áreas de maior projeção de desenvolvimento. O Brasil é um dessas desafortunadas nações que se perde no emaranhado de melhorias. Por falta de atitudes, condições financeiras e reduzido conhecimento no campo científico, a economia brasileira, muitas vezes, fica à deriva. Ao sabor dos ventos. Embora invista em educação, o investimento é mal feito. Por isso, obtém pouca repercussão. O impacto é quase despercebido.

O baixíssimo nível técnico brasileiro começa pela fragilidade do sistema educacional. Prossegue no nanico investimento no campo das pesquisas cientificas. Atualmente, em processo de bloqueio em algumas áreas. A negligência passa, inclusive pela falta de regulamentação da profissão de cientista. Aí, é evidente que a consequência natural da apatia em investimentos resulta obrigatoriamente em atraso tecnológico.

Aliás, em matéria de investimentos, a decisão praticamente fica restrita ao setor público. Até a década de 90, em função da pobreza da iniciativa privada, competia ao Estado, como o senhor do dinheiro, o direito de investir. Posteriormente, depois que surgiram as privatizações e as parcerias pública e privadas, as conhecidas parcerias PPP, os aportes de investimentos começaram a rolar com maior intensidade na parte das empresas.

No início, pintaram os primeiros indicativos de investimentos, derivados de contratos de concessões. Todavia, o caldo esfriou em virtude das universidades públicas, consideradas os principais centros de pesquisa e produção cientifica nacionais, virem se arrastando nos projetos por falta de recursos. Decorrentes de cortes no orçamento.

Por esta razão, o país anda super devagar na luta pelo progresso. Não tem qualidade no ensino, as empresas, atrasadas, somente agora pensam em descobrir o segredo da logística, como produzir melhor, de que forma produzir, utilizando a avançada tecnologia na fabricação. Patamar que os países mais industrializados, como Estados Unidos, China e Japão, dominam a técnica de produção há tempo. Via tecnologia de ponta.

Apesar de ter uma população superior a 200 milhões de habitantes, o Brasil segue em marcha lenta. Por causa de sofrível nível de produtividade, o país tem pouca participação no contexto produtivo mundial.

O incrível é que, embora detenha boas qualificações, possua extensa base territorial, tenha gigantesco mercado consumidor, diversidade de recursos naturais, o país sente dois atropelos na caminhada do desenvolvimento. Capital pouco utilizado, e quando utilizado, é mal-empregado. Recursos humanos com péssimo nível de qualificação profissional. Uma das causas do desemprego. Por falta, justamente de investimentos necessários no campo educacional. Na preparação de mão de obra.

Daí o acúmulo de problemas. Baratinando a vida do brasileiro.

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