PÉROLAS INFERNÉTICAS

O Brasil é uma terra meio besta. Ou melhor, o planeta está ficando bestificado com a evolução da tecnologia e da comunicação via rede computadores. E, isso tem gerado efeitos positivos e negativos relacionado à informação e a busca de informações sobre o que acontece “urbis et orbis”, como dizem os papas: “na cidade e no mundo”. “Aliás, há muito tempo, quando busco informações venho no JBF, pois todas as opiniões, informações, ‘causos” e depoimentos são publicados sem filtro, sem viés ideológico, sem censura. E para aproveitar o clima de esculhambação nacional que o Congresso e o STF estão fazendo com a “terra brasilis” resolvi também enfiar a colher de pau dos “Nunes da Cunha” nesses tempos abestalhados e dar minha opinião.

Falo de um fenômeno que está se tornando tão comum quanto pereba em moleque: a síndrome do corno internético. Nos tempos de antanho, daquele tempo em que, quando a mãe ia buscar o relho para uma boa sova e mandava a gente ficar parado em um lugar, a gente ficava parado. E recebia duas lições: a primeira, a sova pela peraltice praticada. A segunda uma aula de soletração da Inculta e Bela. Pois bem, nesse tempo, quando alguém era enfeitado com uma galhada cervídea, bubalina, ou bovina, o assunto era tratado a boca pequena, na moita, escamoteado mesmo.

Todo mundo falava baixo, ria pelas costas do enfeitado. E, quando este descobria, abafava-se o escândalo com uma “separação de corpos” como se dizia, isto é, quando o casal, para não desonrar o resto da família, decidia manter as aparências morando na mesma casa, mas em quartos e horários separados. Só apareciam juntos em situações “sociais”. Ou, um dos cônjuges, preferencialmente o galhudo, inventava um serviço em outro local, outra cidade, e se “azulava”, deixando o boato que ia a serviço, mas mantinha mulher e casa e retornaria em breve.

Hoje, coisa estranha, tudo mudou. Quando um dos cônjuges é corneado, a primeira coisa que o outro faz é gravar a traição e postar no “feicebugre”, no “intubiu” e no “instagrande”. E, não somente publicam, como ainda dão o nome completo dos adúlteros, o endereço onde foram se divertir e se filma, para deixar bem claro que lugar de chifre é na testa. De preferência, em cadeia mundial.

Esses assuntos cornelificantes, diga-se de passagem, esta ficando até chato. Justamente porque tira, de maneira mesquinha, daqueles cidadãos que se dedicam à gozação, matéria prima para o riso e para o deboche. Na atualidade, ser corno tornou-se quase que uma obrigação. Não importa a vergonha que se passa, ou se impõe a alguém. O Importante nesse assunto é ver a quantidade de “likes” que o corno ganha após publicar em rede mundial o ato.

Assuntos chifrísticos à parte, penso que estamos vivendo um tempo em que o “simancol”, o “desconfiômetro” e o senso de ridículo foram deixados de lado. O importante agora é ter seguidores on line e “likes” que passam dos cem mil em função de algo que, a meu ver, deveria permanecer no recesso do lar. Mas, quem sou eu nessa história toda? Nada… apenas um curiboca curioso que vive escarafunchando a “infernet” para ver as pessoas serem humilhadas gratuitamente.

E assim, escrevinho este texto, saudosista, antigão, tacanho mesmo. Espero que possamos continuar assim por um longo tempo. Enquanto isso, vou continuar aqui deitado e “catamilhografando” este e outros textos, afinal….. Ai, que preguiça…. ninguém é de ferro!

12 pensou em “PÉROLAS INFERNÉTICAS

  1. Texto inaugural de mais colunista do JBF? Valeu Roque, mas pelo que entendi ser corno antes ou hoje é a mesma bosta. Pode ter evolução do tempo, mas dá situação, não! O corno permanece

    • Meu caro Maurício Assuero, foi uma honra para mim receber o convite do Berto para fazer parte da família fubânica. Mas, em resposta à sua dúvida, ser corno, na atualidade continua sendo uma bosta, mas tem que ser uma bosta on line para que todo mundo participe e dê “likes” para o chifronildo.

  2. .
    “mais”, “mais”, “mais”,
    “mais”, “mais” NÃO existe a figura do EX-Corno.

    que o diga aquele distinto que ficava cuidando das crianças

    enquanto o ricardão se cevava nos Alpes suíços e não-suíços!

    • Claro que não Luís.

      chifres depois que nascem só caem quando o chifrudo morre. Que o diga os bois e búfalos, porém a minha “pinimba” é com essa mania de divulgar as guampas na rede mundial apenas para receber “likes” e seguidores. O que eu fico com “reiva” é dessa atitude. Não pelo chifre em sim, afinal, na natureza, um animal sem chifres, é um animal indefeso.

  3. Roque, ser corno não ê uma fatalidade, nem uma tendência, sequer um carma ou imposição dos astros, ser corno é uma escolha pessoal.

    • Cardeal Goiano.

      Na natureza, um animal sem chifres é um presa indefesa. Se é escolha, ou fatalidade são questiúnculas para amplos debates, mas o que me “aperreia” é essa mania de que os nhambiquaras daqui da terra Brasilis tem de, tomou chifrada, vai correndo postar o ato no facebook, no Instagram e no Youtube. Não para efeito didático, mas apenas para se tornar popular. E desde quando guampas torna alguém popular? No máximo sonega aos gozadores de plantão matéria para o riso. E isso eu não perdoo.

  4. As redes sociais, caro Roque Nunes, tornaram os cidadãos e as cidadãs, uns gozadores de si mesmo. Com raríssimas exceções, alegam: ser corno é bom, dá IBOPE, sem contar que essas pessoas estão fadadas a terem seus quinze minutos de fama, como previa o grande ícone Andy Warhol.

    Fuleiragem à parte, será que o grande Postar cearense FALCÃO tem razão?

    “Ser corno é bom; deixa o cara leve, ou “live”.

    Seja bem vindo a essa Confraria de Desassombrado!

    Ótima estreia!

  5. ROQUE, meu conterrâneo:- seus comentários aqui no JBF são sempre pertinentes e ótimos. Agora você esta enriquecendo esta gazeta (não é escrota) com este inaugural artigo “tri-legal). “OMEDETÔ” (parabéns em “japa”) a você e ao Editor Berto.yn

  6. Meu prezado,
    Muito obrigado pela sua palpitante aula sobre a nobre ciência da cornologia.
    Fiquei deveras impressionado com a profundidade da sua sapiência a respeito de tão nobre arte, especialmente nestas “Terras Brasilis” onde corno é algo que não falta, a começar pelas altas esferas governamentais e políticas.
    Só por curiosidade: a origem deste conhecimento se deu em experiências práticas?

    • Adônis, lembra do tenente de Lisbela e o prisioneiro? Francisco Milani (o tenente), Édson Celulari (o genro, chamado Douglas pergunta:
      – Tenente posso lhe perguntar uma coisa sobre corno?
      – Pode perguntar Douglas. Salientando que eu só tenho conhecimento TEÓRICO.
      – O cabra pode ser corno antes de casar?
      – Pode sim Douglas. É o corno precoce
      Daí ele destila um sem número de corno pra cada situação

    • Meu caro Adônis…. aspas em cabeça é igual a verminose… toda criança tem. E, na natureza, um animal sem chifres é indefeso. Já levei um bom par, desses de serrar e fazer berrante…. daí decidi virar abstêmio em negócios mulherísticos. Só petisco de vez em quando.

  7. Brilhante resposta!!!!
    Mais uma vez, tiro o chapéu ao colunista chegante.
    O cabra é novato mas é bom pra caramba!!!
    Quanto a só petiscar, então somos dois. Estamos na mesma situação.

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